quinta-feira, 24 de março de 2011

Medo.

Vozes em quebra-cabeças:



O mar é só mar.
O ar é só ar.
O céu é só céu.
A terra é só terra.



Não se questiona o que sabe,
O medo surge da questão dele mesmo.

O pensamento não pensa,
É apenas pensamento.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Filosofia é uma falácia.

A vida é um pedaço demasiado pequeno para me dar liberdade para pensar que o amanhã será diferente.

Uma lógica toca, como marcha fúnebre, na minha cabeça.
Tenho vozes na cabeça que me dizem coisas, que pensam por mim,
Que me dizem o que sou,
O que devo ser.


Tenho vozes na cabeça
Que parecem macacos
Ou rolos de papel sem fim
Tenho cenas que remontam e tocam um Futuro poético

Há uma estranha e devastadora sensação em querer ser alguma coisa,
Uma completa falta de sensibilidade e de articulação,
Sonho e concretização não andam a par,
A não ser que se torne o sonho objectivo,
O que faz como que este deixe de ser sonho.


Ler ou não ler, é algo completamente irrelevante,
Ler dá-nos informação,
Mas não nos diz nada.



Para passar o tempo a fazer uma coisa por fazer,
Prefiro dormir e ser contaminado pelas vozes da minha cabeça,
Ou por não dormir quando as ouço em mim e elas me impedem de dormir
Conduzindo-me a uma insónia severa e profunda
Que quase me leva ao auge da minha Esquizofrenia.



Não há pensamentos mais ou menos relevantes,
Nem verdade ou mentira, Há um absoluto vazio e continuado
Que é negado pelo homem.




A inteligência é sempre social,
A capacidade é inata e biológica
Mas ao ser denominada de capacidade é social.



Há um registo profundo, quase como que um coma,
Que nos diz o que é suposto ser e aquilo que realmente somos,
A questão é que levamos uma vida a compreender que nos comportamos
Da forma que é suposto ser e nunca respeitamos o que somos,
Respeitamos o que é suposto ser.



Não há valsa nem lógica em pensar,
Nem articulação possível ou seguimento,
Em possíveis ensaios de mente,
Há uma soberba agnosia
E uma afasia completa ao que somos.


Há competência e não competência,
E somos sempre sociais,
Há o prazer que temos e o desprazer.

A questão é que levamos uma vida de desprazer
A pensar que poderíamos ter prazer
Se tivéssemos feito as coisas de determinada maneira,
Neste cálculo absurdo e imediato
Admitimos o quão desequilibrados somos
E a fuga a isso, pelo equilíbrio social.



A questões e questões e globo avança
Como uma verdade pura e uma absurda Unipolaridade
Num centralismo nunca antes visto.



Num afastamento completo ao que somos
Pelo ser social.
A contaminação absurda e absoluta por vozes
E materiais funestos, em que as horas passam
E os olhos começam a doer e a chorar de cansaço.



Um defeito enorme percorre o que somos,
É que não somos nada,
Somos o que fizeram de nós
E não o que nós mesmos fizemos de nós.

Há a condição absoluta de um condicionamento
Que pode quase que conduzir a um determinismo absoluto
Porque as peças interagem entre si e condicionam-se a si mesmas,
Não há liberdade! Uma peça com outra vai conduzir à outra peça,
Como se tudo fosse uma matriz programada,
Sem a podermos pensar ou torná-la feito de génio.


O tornar o absurdo viável e seguro,
Procurando o nosso absoluto e integridade nele mesmo,
Fazendo o que queremos fazer
E não o que é suposto.


As regras são sempre sociais,
As leis seguem o social.
O consciente e o inconsciente são sociais,
Somos todos programados da mesma maneira,
Já não há barreiras nem fuga possível.



Triste e breve verdade de ousar pensar livremente,
Fuga à intermitência da brevidade que somos,
Do lixo que pensamos possuir
E da brevidade da passagem
Que pode não ser mais que isso,
Algo passageiro, que gastamos a fazer o que era suposto
Em vez do que queríamos fazer.


Não há teorias irrefutáveis,
É assim desde o princípio,
Tudo depende do orador e da sua capacidade de persuasão,
Há uma enorme aceitação social do lixo que somos,
Quando na verdade somos partículas com uma maior importância no Universo,
A do belo.


Ser humano é poder tornar qualquer realidade nossa,
Torná-la em nós real sonhando-a,
Ao pensá-la ela é nossa.

Mas há uma ligeira diferença,
Ao sonhá-la ela é pura,
E há que saber filtrar e parar por aí.

Sim, parar! Porque nós humanos tentamos tornar o sonho realidade
E assim o é toda a vida, Uma espécie de sonho pelo qual lutamos
E acabamos por atingir,
Porque tudo o que queremos conseguimos.

Há uma farsa e uma conformação extrema
E um limite colocado por nós mesmos ao que somos.
Há uma falsa fala e um medo terrível à solidão,
Porque quando estamos sozinhos nos apercebemos das vozes
E que não estamos sozinhos, Estamos sempre connosco e temos que lidar
Com o que os outros fizeram de nós,
Com as vozes que herdamos deles
Em vez de fazermos nós as nossas próprias vozes.




Cantamos em coro porque é mais fácil,
Protestamos em coro porque é mais fácil,
Ouvimos e sem digerir, fazemos do que ouvimos nosso,
Porque é mais fácil.


Isto, porque não sabemos que é fácil ter a nossa própria voz
E a fazer do que somos o nosso próprio coro!


Há uma epopeia imensa e um terrível vício e uma fuga ao que nós somos
Para ser o que os outros querem que nós sejamos.



Não há seres, há seres sociais, ainda que divididos pela singularidade,
São universais, iguais, não há diferença e a diferença pouco interessa.

Todos os argumentos não passam disso mesmo, argumentos.



Não verdade absoluta, essa é a verdade.
A forma como construímos a nossa realidade
E como nos tornamos seres crentes e pensantes
É que nos levou a achar um caminho
Para uma dor profunda que nos chega à cabeça
Sob um comando dalguém
Que nunca sabemos bem quem,
Uma paz imensa
Que podemos atingir,
Em ser nós mesmos,
Em ter voz
Em vez de coro,
Fazendo uma sinfonia perfeita,
Sem rimas,
Sem coro,
Com uma quantidade surpreendente de sonos que a tornam bela pelo que é.




A Lógica não é lógica,
Nem a negação dela mesma o é.
Há um vazio completo deixado pela fé religiosa e pela fé na ciência,
Ambas condenam-nos.


É tudo o que somos
E levamos sempre a vida a pensar no que poderíamos ser.



Não somos nada e é tudo.



A Filosofia é uma falácia.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Obscenidade.

Obsceno é a falta de verdade,
A fuga ao que somos e ao que queremos.
Obscena é a fome que tenho,
É o desfoque que tenho nos olhos quando vejo.


Mentira é o que corre e não alcança,
É a valsa que construo,
Há um jogo e uma falsa vontade nas imagens criadas
E nas imagens que correspondem a uma suposta realidade.




Uma mentira tem muito mais proveito que algo que
É verdadeiro, Não há criação, Há coisas que o não são.



Jogo fora o cansaço e penso a realidade.
Penso realmente? Estou cansado e é tudo,
Há um cansaço imenso em querer penetrar os meus ouvidos
Com verdades fúteis, mesquinhas que o não são.


Uma doença imensa em que dói,
Mas não me consegue doer,
Só tenho dó,
Dó de ouvir,
Dó de por vezes fazer parte de um jogo que não escolhi jogar.




Pessoas são absurdo,
Ou o não são.
Mas jogam e laqueiam em si a verdade.





Desconstrução, do que está por construir, algo absurdo,
Assente em qualquer coisa.


Pessoas mentem, vozes caem em saco roto,
Só ouvem as vozes que têm na cabeça,
Pessoas têm fins, pessoas fazem as coisas com interesse
E negam-no, para serem Socialmente melhor aceites.






Pessoas jogam e compactuam com a valsa que
Tenho em mim,
Eu jogo-a e dito as regras.




Manipulação do absurdo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Múltiplo.

Há um Sol imenso
Em não ver Sol nenhum.
Não sei se falo,
Não sei se digo,
Não se sei se penso.

O tempo, ainda que parado,
Continua a contar.
Reviro e desenho a imagem do tempo em mim.

Conceptualizo o vago,
Já não penso.




Corro e rasgos de areia entranham-se na Verdade,
Na Verdade que há em não haver Verdade nenhuma.

Represento peças e múltiplos Universos recrio a Verdade.




Não sei o que digo,
Não sei a liberdade,
Não sei a Verdade.




Despojo de sensações,
Há Verdade e não verdade,
Ou talvez não haja nada disso.



Realidade e irrealidade,
Não as há em mim.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Viver é sexual.

Corpos a fecundarem-se,
Entrando um no outro,
Odores.

O vento arqueia qualquer coisa,
Amordaça e viver é a busca incessante do prazer.
Viver é um prazer, o Sexo é o maior prazer da vida.

Fugir à masturbação,
Fugir ao sexo,
É fugir ao ser alguma coisa.
Ao ser feliz, à satisfação.

Há coisas e coisas,
O Excesso do prazer
Conduz-nos ao desprazer,
Mas a negação do mesmo também.

Não há verdade nenhuma na fuga ao Sexo.

Viver é sexual e eu vivo bem comigo.

Penetro-me e gosto de penetrar emoções em mim,
Sinto de forma relaxa todas elas,
Sinto entrar em mim cada nova emoção,
Não há dois orgasmos iguais e eu gosto de provocar os meus.

Há uma satisfação imensa
Em poder tirar prazer do mim mesmo.

A loucura e o risco assumido.

Ver ofusca.
Penso a vida por não saber pensar na morte,
Fecundo os meus olhos e cesso o movimento,
A reciprocidade é louca.

Nada é inteligente,
Corre e fecha o um baú que nunca foi aberto
Nada vem, nada vai.
Não há nada para mudar para além de ti mesmo,
Não há lugar nenhum para além de ti mesmo.

A plasticidade cerebral
É a capacidade de representar.
Não há coisa nenhuma que se possa ser; fecho os olhos num coma profundo, onde o pensamento não pensa, fecho os olhos e julgo ser alguma coisa, entreabertos eles comunicam-me o que sou, um ser sob um cansaço profundo.

Assumo o risco e vivo louco porque o sou, não me rejeito, aceito e jogo as peças.

Corro, se é que algum dia me consegui mover.

domingo, 6 de março de 2011

Tenacidade.

Um vasto sufoco amarra as entranhas de quem é alguma coisa.

Há uma ligeira diferença entre realidade percebida e a realidade.



Um espectro conduz as memórias ao caminho,
O caminho que pensei,
De ter cansado em pensar,
Achei um dia que podia jogar
Qualquer tipo de dados
Quando me apercebi
Que sou apenas um puzzle
Na ânsia de ser montado.
Algo completamente irrelevante.





A velocidade cansa o movimento,
Há uma estranha sensação em ser
E perceber alguém ou alguma coisa.
Esboço um sorriso feliz, de quem vive.
De quem ama a vida,
Há uma enorme ejaculação
Das minhas entranhas, por saber
Que não consigo ejacular,
Uma descoberta consistente
Do meu ser,
Que se assume com o que é
E não com o que é suposto ele ser.



Cansa em mim a verdade,
Cansa em mim a doença,
Há Presente em mim e essa é a única verdade.

Passo o Passado e vivo bem comigo,
Pelo que sou, pelo que espero ser.


Pessoas são o que são e não passam disso,
Não passam de veículos de sensações,
Sensações em nós,
Que nos podem chegarem a dizer alguma coisa,
Mas quando em nós,
São sensações nossas e nada passa disso.
De uma sensação impura, filtrada, pelo que queremos que ela seja,
Não pelo que é.


Há um ardor em querer ser alguma coisa
E um forte controle por poder filtrar o que ela é.


Sentir é ser qualquer coisa,
Negar o sentir,  é sentir a negação dele.

Tudo não passa de uma sensação, sempre pura,
Por ser ela autêntica e eu gosto dela assim.


Sinto correr em mim o vento, como se poesia fosse,
Sinto as palavras, se é que elas se sentem, ou se sinto simplesmente a imagem delas,
Sinto a obliquidade e a sensação delas, sensação da imagem conceptual e o que ela representa para mim.

A única verdade é que não há verdade nenhuma, e, que a uma sensação corresponde uma e uma só sensação, não há duas sensações iguais, não há plural no sentir. Eu sinto isolado, eu sinto em mim, porque o que sinto só a mim me diz respeito, só eu sinto.

As emoções talvez sejam universais singulares,
Há somente singularidade nela,
Pertencem a único sujeito,
Um sujeito que ri,
Tem uma imagem diferente
De outro qualquer que venha a rir.

Talvez Darwin, talvez Darwin soubesse
Que não há universalidade,
Mas como é típico do Ser-humano,
Tenta simplificar o complexo,
Para melhor se entender
E fugir ao que é,
Rejeitando a complexidade.


Há uma vasta vontade e sensação em mim,
Há um dizer, um sentir, um mentir que não mente.

Eu sinto a verdade e amo a vida, por ela ser vida,
Amo a minha porque não posso amar mais nenhuma,
Tenho respeito pelo resto, mas a mim só a minha vida me diz respeito.


Não há filosofia, nem estrutura formal, há vago e é isso que somos,
Um vago que não pretende chegar a lado nenhum,
Não devemos duvidar, porque somos simplesmente,
Partimos do suposto pensamento de que há um fim no que somos,
Assumimos um Deus, uma entidade superior ou um objectivo supranatural,
Quando pode nem sequer existir realidade, pode não existir um objectivo.

Assumimos um início por conhecermos um fim,
Um fim ao que somos, por sabermos a morte,
Mas haverá morte?
Haverá realmente um princípio?
Algo que nos separe?
Haverá lógica?

Quem disse que duvidar faz parte e nos conduz à verdade!?
A que verdade? Onde se encontra a felicidade em aceitar ou duvidar?


Não há plural, há sujeito isolado socialmente, por ser em comum uma farsa.
Uma representação tão repugnante como tentar fingir que é realmente alguma coisa,
Uma representação que sugere ser alguma coisa, por monólogos constantes transversais que ousam tentar ser alguma coisa e não passam de um nada. Vozes soltas vagas, de quem pensam em si e fingir pensar o outro.
Entram para sugerir interesse e o interesse é único, é em si, para si,
Não há interesse no outro, há a descoberta dele e a sensação que ele causa em si, em mim,
Não há quem o viva e eu vivo-o em mim.


Há vago e complexo por ser simples e mentira que ousa a verdade, numa representação completamente repugnante por ser levada ao extremo como sendo verdade.

Um caminho falso e íngreme, que ousa procurar e alcançar uma luz que não existe, através da descoberta de uma suposta verdade.
Mas qual verdade?
Não há verdade, a verdade é somente em nós e a única descoberta que poderemos fazer é a nossa, é sobre nós, uma introspecção apurada e levada ao extremo, como sendo uma falsa bipolaridade, gozando a vida como ela é, com pedaços partidos, frágeis, inúteis, pelo carnal, sem rejeitar o que somos, seres com vontades, animais esfomeados, ansiosos por penetrar no outro qualquer coisa, o físico entrando, sentido o orgasmo que liberta o que somos, sentido a verdade e ejaculado líquidos férteis que podem gerar uma vida, outro vírus, uma mentira geneticamente modificada.


Há ardor e repugnância, há aceitação e frustração ou falsa frustração. Há a tentativa de compreensão, quando nada há para compreende, há uma felicidade extrema e uma dor épica. Há o supremo da verdade mentirosa e um palco por preencher, como múltiplas peças sentidas em si.

Não estrutura universal nem condução possível, há uma fuga completa e assumida socialmente ao desestruturado, ao desequilibrado pelo facto de ter sido assumido que só o estruturado é sano viável e que só o tangível interessa.

Há algo para além do que sou, do que posso vir a ser,
Há as palavras cansadas e uma vontade imensa de começar uma peça, sem um início, sem estrutura, sem seguimento, sem lógica, sem fim, sem um fim, sem um objectivo, sem nada. Algo que é o que é somente, algo que não pretende chegar a lado nenhum, algo que se for estruturado é, caso não for, não é.

Fuga intermitente à morte e à ousadia, pelo erro de querer sentir a morte e o medo de morrer,
Há vida e alegria e frustração por viver, mas isso é a vida, a vida é a dor dela mesma,
É o seguimento e interpretação como um todo, algo que só é possível em si e diz respeito a único sujeito.


Não há poesia, não há verdade, não há absoluto, não há caminho, não há ateísmo, não há Deus, não há Dúvida, não há Cogito, Não há caminho nem hiperbolismo.

Não há realização possível no palpável, não há ideias que se venham a transformar em alguma coisa,
Vão sempre ser ideias e como ideias que são, vão ser sentidas todas de diferentes formas, uma ideias não é a mesma, porque o sujeito também não o é.

Há apenas uma penetração imperfeita em quem tenta ser alguma coisa, num outro ser que se olha como se olhasse para o outro através de um espelho, toca-o por não o poder tocar, entra nele por não poder entrar e é só isso.

Há o estímulo do clítoris e uma masturbação hiperbólica nega pelo sexo feminino, pelo pudor, pelo medo, pelo síndrome do D.Juanismo, há uma dor em aceitar o que são, rejeitando-o. Há a rejeição do animal em nós e uma falsa vivência assumida, há o sexual, o animal, o carnal e é somente isso que somos, há a fuga a isso pelo socialmente aceite, pelo conveniente e inconveniente, pela moral e ética assumida, mas os princípios éticos são falácias, porque no ser humano não há estrutura, não há universal e partem do princípio que há regular no ser, que há previsão quando ela não há.


Uma loucura levada ao absoluto e que acaba por ser repugnada, de tão verdadeira ser, de tão simples, de tão absoluta no nada absoluto que há. Uma sinceridade extrema por ser simples e aceitar o real, o ardor de quem repugna o outro por ser alguma coisa que também o é. Há a verdade e não verdade, mas não há verdade nenhuma, há as palavras cansadas simplesmente.


Não há correcto e incorrecto, há humanidade e singularidade apenas.

Não há filosofia nem compreensão possível, há a incompreensão apenas.

Não há objectivo nem fim.

Não há nada por atingir. Há a penetração e a rejeição dela, há o orgasmo a berrar e a pedir por mais, há o pornográfico em mim e o não pornográfico, há o auge e a clemência de o atingir, de sentir a alma aos pés, quando se toca nela e a rejeição do agradável de sentir prazer. Há a rejeição do prazer, pela educação social. Há a repugnância e um ardor extremo pela idade e pela penetração, quando não penetração real, há a rejeição apenas. A rejeição do prazer, a rejeição da masturbação, a rejeição da cópula, a rejeição do agradável e que suportável.


Há uma farsa e imensa e todos a representamos, fazendo parte dela, pela educação social, pelas normas estabelecidas, quando todos sabemos ser uma anarquia absoluta que nunca respeita regras, a não ser a do vago, a do desregrado, o pensamento assume forma e é conceptual, mas não há dois pensamentos iguais, há a loucura absoluta e a rejeição da mesma, há um vago e o louco que rejeita o vago e quem assuma o estruturado por o achar mais fácil para si, para se compreender, a quem rejeite Deus para melhor se sentir consigo, mas há quem rejeite o prazer e se negue por o ter e por gostar dele. Há quem rejeite a ideia simples de que tem prazer, porque o prazer não é bem aceite socialmente, há quem rejeite a ideia de ter prazer, mas todos o temos, seja a ter ou não uma relação sexual, todos vivemos em busca dele e de uma realização de um absoluto, de uma auge inexplicável, de uma sensação única que só pode ser em nós, por muito que seja partilhada nunca será a mesma.


Continua a haver a rejeição e faz parte do ser humano, o tempo avança e cada vez este tenta ser socialmente mais regrado, fugindo à sua essência, à sua verdade, ao prazer.

Há uma farsa e é tudo. Não há um fim, não há um começo, não há estrutura e é tudo isso.
Cansou o tempo por estar tão presente e tão falante, por não o poder tocar e saber, cansou a realidade e falta dela. Cansou por cansar simplesmente, é tudo isso só.


Em tempos que não há, haverá sido alguma coisa, talvez...
O absoluto, o sintético e o analítico são a loucura.

A sensação é a clemência.