quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Haxixe.

Já pensaste que o mundo é um complexo de telas sobrepostas que tu pintas?
Estou todo pedrado, mas não estou todo pedrado. Não posso estar todo pedrado porque não consumi nada, eu não consumo nada. Para me convencer a mim mesmo que sou puro.
O mundo é demasiado ilegal para eu me sentir bem nele.

Só me sinto bem no teu, onde te abraço e acordo levado pelo teu abraço. Quero-te aqui sempre. Eu não quero ser como tu, consumir droga. Quero consumir-te a ti. Consumir o amor que tens para me dar.

Sabes que te amo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Acorda, Maria Alice.

Ligo o telemóvel. Espero uma mensagem tua. Tu consomes a tua, eu viajo na minha vida.
Espero que acordes, eu adormeço no leito do absinto da minha mente. A arte e a falta de lucidez andam de mãos dadas.
O consumo de substâncias psicotrópicas anda de mãos dadas com a criatividade, artistas alimentam o seu ego com substâncias que potenciam a criatividade, depois da viagem está o vazio.

Maria, hoje está calor. Maria adormece, as insónias tomam conta de ti porque tu não deixas a tua droga. Maria tu não sabes o que queres, Maria tu só queres jogar. Maria a tua irmã já deu uma chinesa em cocaína. Maria tu és igual à tua irmã. Maria tu consomes a vida dos outros. Maria a tua vida é mais confusa que os outros.
Maria, tu crias personagens nos outros, como se eles fossem o teu espelho e fazes com que acreditem na tua história. Maria eu para ti sofri de esquizofrenia quando a minha única doença era amar-te, sem cura à vista.

Maria, hoje está calor.
Não te preocupes Maria Alice, és só uma obra de arte.

Maria Alice não mordas os lábios no desejo ardente do teu professor de filosofia. Maria vamos por partes, eu sou uma história, tu és o autor. Deste-me vida. Agora eu sou só aquilo que tu sempre quiseste que eu fosse, um virar de páginas. Não te prendas neste capítulo.
Não te prendas neste livro.

É só um novo dia. Nunca soubeste o que querias, porque pensas que viver como vives é ser artista. E que artista é sinónimo de boémia. Eu sou a arte, tu a artista. Vamos brincar mais uma vez ao teu jogo favorito. Ao jogo do finge que estou aqui e tu não me estás a ver.
Vamos jogar ao jogo do quero-te porque não te tenho e quando te tenho não te quero, porque te tenho.
Vamos brincar, simular a tua crença profunda de que eu sou Esquizofrénico e vivo na realidade que criaste para mim. Com amigos teus a comerem-te com os olhos à minha frente, tu a desejares o desejo deles. Enrolando-me na tua história, diagnosticando-me Transtorno Obsessivo Compulsivo, quando a minha única Obsessão é Amar-te. Com corpos a fecundarem-se pelo olhar à minha frente. E foi apenas uma neurose porque assim o quiseste.

Vingança. Vingar é uma coisa que eu não quero. Minto-te, Maria Alice, tu jogaste fora as minhas sandálias quando eu já andava descalço lá por casa. A única coisa que te trouxe foram uns óculos de sol, para que consigas assistir às aulas em Paz. Maria, eu estou aqui. A vantagem de abraçar a loucura é que a lucidez chega-te mais perto.

Quando viveste uma vida que nunca foi tua, por acreditares que era a tua. Quiseste ser o Superego que tu não tens. E fizeste de mim o Ser mais arrependido do planeta. Maria Alice eu estou na tua aventura. Maria Alice eu sou um capítulo da tua história, que tu tão simplesmente crias.

Maria Alice, eu sou genial, tu és o génio. Maria Alice eu nunca minto. Maria Alice o teu jogo já acabou mas a história não quer acabar, a história que me deste ganhou vida.

Maria Alice tenho raiva de ti. Maria Alice, esqueceste-te de me avisar que tu não eras nada do que dizias ser. Maria Alice, tudo o que previ para ti está a acontecer. Maria Alice eu sou a tua história, tu escreves.

Maria Alice custa amar-me. Maria Alice. Dorme. Tu não acreditas em nada do que acreditas. Tu não sabes nada do que eu sei.

Maria Alice, quando te mostrei o mundo, esqueci-me de deixar um papel assinado com as coordenadas que deves ter cuidado ao pisar. Nunca te dei cocaína para as mãos, porque eu sou a mais bela cocaína, a que tu podes consumir e te eleva o ego. Sou a cocaína que vicia e não te traz consequências físicas.

Maria Alice, tu és uma artista. Tu és culta. A forma como usas a tua cultura é uma liberdade tua. O único problema é que acreditas. Ou melhor, não acreditas em nada do que finges acreditar.

A paz atormenta-te a alma. Porque tu lhe queres dar ânima. Sonhas com Platão, com os boxeres do teu professor de filosofia a desfazerem-se na tua boca. Enquanto te recita os poemas que estudou de Fernando Pessoa na Faculdade de Letras. O teu professor, dizias tu, tinha uma cadeira sobre Fernando Pessoa. O teu professor é um génio, é uma pena não ter nascido no mesmo dia que eu. Para podermos partilhar o mesmo espaço de criação.

O teu professor de Filosofia, é um exemplo, consome o pólen dos alunos. Já que a sociedade é de consumistas, que tudo se consuma então.
Maria Alice, desculpa a ironia. Mas eu não sei jogar o teu jogo. Não sei jogar ao "Busca".

Maria Alice, eu morri antes de nascer.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não podes morrer, Eva Stein.

Eu estou bem vivo, para saber que existes em mim. As tuas palavras, os teus caminhos, percorrem-me e preenchem-me a alma. Tu existes e finges não existir, finges ter morrido para que a tua história acabe como a duma personagem de livro que não és. Quer tenhas ou não morrido, os teus percursos vão continuar a existir em mim.
Vou habitar a Boavista até me poder cruzar contigo, vou sentar-me em Serralves a olhar em redor para poder certificar-me que existes, a tua paixão pelo cinema é a minha paixão. Sei que te amo, mas ainda não sei que te amo.
Tu entras em mim como nunca antes, eu nem te conheço. Mas sei que estás viva e finges não estar, pela necessidade de acabar com uma metade de ti que não é uma metade de ti, é uma metade que escolhes viver.

Sabias que hoje está a chover, como gostas? Sabias que sinto que estou a partilhar exactamente o mesmo espaço que tu?
Enquanto tu deliras nos teus consumos de folhas que não gostas. Eu vou falando contigo, porque sei que tu existes e eu te vou encontrar. Talvez seja uma crise delirante acreditar que existes e que palavras têm vida, mas eu sei que as tuas são demasiado vivas para poderes morrer. A energia que as carrega dá-te uma morte fictícia como às paisagens e personagens de cinema. Não encares o que acreditas ser. Tu existes, eu sei.
Não podes morrer, eu estou aqui para partilhar esse alucinante delírio e habitá-lo contigo.

Eu existo e tu também, Eva Stein.
Sempre teu.

domingo, 25 de setembro de 2011

Meu amor, hoje vais sorrir.

 Já viste como está sol? Estou a caminhar e só penso em ti. Imagino-te ao meu lado e dou por mim a falar sozinho! Quando eu for velho e a pele deixar de fazer sentido, assim como as palavras e reflexões que tenho eu do mundo. Vais gostar na mesma de te deitar do meu lado e adormecer comigo?
Quando as minhas vitórias passarem a ser acordar no dia seguinte com vida, em vez de pensar em alcançar um Futuro melhor, porque ele vai ser demasiado distante. Vais continuar a deitar-te comigo, sabendo que vou ser sempre um eterno desconhecido que conheces.
Podes sentar-te no sofá que está à frente da minha secretária, a ler, enquanto eu investigo para o meu novo Romance. Se o telefone tocar, podes atender? De certeza que é a Editora.


Do nosso quarto vê-se os Campos Elísios. Deita-te aqui à minha beira e vê-me adormecer, porque sabes que de manhã acordo eu primeiro e vou ficar a olhar para ti enquanto acordas.

Podes ligar o vinil? Sim. Dás-me um abraço? Eu agarro-te e começo a dançar contigo até à sala. Deito-me com os pés em cima do sofá. Podes deitar-te por cima do meu peito! A lua está bonita, não está?
Não adormeças! Quero contar-te uma história. Sabes como é que isto tudo começou? Há muitos anos atrás, que não dá para ter memória. Éramos uma espécie de via microscópica que se estava a desenvolver e a afirmar. Até que, com o passar do tempo, nos fomos tornando nisto que somos hoje. Com cérebros e sentimentos, mais humanos. Podes dar continuidade a esta história? Já não tenho mais ideias.
Posso dar-te um beijo e calar-me?
Tem uma boa noite. Eu pego em ti e deixo-te na cama e desta vez fico eu a olhar para ti a adormecer.
Boa noite, hoje vais sorrir, meu amor.

sábado, 24 de setembro de 2011

A verdade é uma falácia.

A verdade é uma concepção e por isso, uma falácia.
É impossível atingir uma verdade absoluta, porque a verdade vai ser sempre sustentada na crença.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Amar narciso.

Tiras a roupa, vais tomar banho, vestes o pijama, deitas-te na cama com o portátil, entras no facebook, olhas para o telemóvel à espera duma mensagem, decides ligar à tua melhor amiga.
Preenches assim o vazio e o tédio da tua mente. Esperas que o tempo passe, que o sono comece a chegar porque amanhã tens um novo dia à porta. Fechas os olhos, abres a porta do avião, entras e começas sonhar, ele leva-te onde tu queres ir. Esperas que os outros se lembrem de ti, mas tu não te lembras deles, queres que receber sinais de vida, mas não os dás.
Começa a dar a tua série favorita na televisão que tinhas, em segundo plano, por trás do portátil, fechas o portátil e tentas arranjar uma desculpa, para desligar de forma elegante o telemóvel à tua melhor amiga: "Sim, o João é sempre o mesmo!"; "Ele fez-te isso?", "Olha, tenho que ir falar com a minha irmã... ligo-te já". E, como é óbvio, não voltas a ligar.
Divagas sobre o amor, divagas sobre tudo e quando a tua série entra no auge, quando inesperadamente, vês uma cena quente de sexo, com troca de afecto, logo começas a tocar-te e a desejar que ele, que não sabes quem, esteja aí deitado na tua cama, fazer amor com ele e adormecer agarrada no abraço dele.
Começas a pensar outra vez nele e visualizas o gajo mais bonito que conheces em cima de ti, logo atinges o orgasmo num ápice. Adormeces banhada em lágrimas porque é mais uma noite que adormeces sozinha. Não recebes uma única chamadas, um único sinal de vida. Adoravas que te ligassem antes de dormir, todas as noites e te dissessem que és linda e que te amam.
Cedo compreendeste que o amor é coisa de filmes e foste ficando apaixonada por realizadores de cinema e tardes na Baixa a ler os teus livros. Ficas deprimida porque ninguém te ama, incapaz de compreender que isso acontece porque tu não amas ninguém, só te amas a ti. És vítima do teu narcisismo, uma coisa que és incapaz de abandonar.
Tu amas-te mais que a qualquer outra coisa que possas vir a ter. Vês o amor como uma posse desregrada e foges de quem te possa amar, porque te amas a ti e a ideia que guardas da liberdade.
Tu cansas-te de achar que podes controlar tudo, mas nem por isso deixas de acreditar e controlar.
Mais um dia em que partes para escola, no mesmo sítio, à mesma hora, na mesma paragem de autocarro, com as mesmas pessoas à espera do autocarro, sais, entras no metro e já nem aprecias o que está à tua volta. É mecânico em ti. Entras no metro, sais, acendes um cigarro e vais em direcção ao colégio. Os teus amigos estão à tua espera e começam a enrolar e a queimar as gramas que compraram aos tios. Passam o dia a rir-se, bebem cerveja. É isto todos os dias. Esperas que chegue a Sexta-feira, para poderes sair e olhar e embebedar-te, pões-te mais bonita que nos outros dias, para que as pessoas reparem em ti. Consegues sempre o que queres, o rapaz que queres, o mais bonito de todos. És tu que os escolhes, mas deixas que pensem que foram eles que te escolheram a ti, isso deixa-os com a sensação que são machos, o que te atrai. Brincas com isso e jogas o teu jogo favorito, a sedução. Acabam sempre da mesma maneira, aos beijos, o sexo, a adormecer e no dia seguinte voltas a sentir um vazio dentro de ti.
O fim-de-semana passa e tu vais estudando para te conseguires convencer que vais ser alguma coisa na vida.
Quando acordas, dás por ti na sala de aula, e é isto todos os dias. Investes todo o tempo em ti. E sentes sempre um vazio que não compreendes. Tentas chamar à atenção e pensas nas pessoas que te podiam amar, mas nem sequer perdes tempo a reflectir sobre as que tu amas. Porque o teu narcisismo deixa-te incapaz de amar alguém, queres alguém que colabore contigo e te ajude a alcançar o teu ego inatingível.
Logo voltas a adormecer, desta vez agarrada à tua irmã e com ela a contar-te os casos dela. Tendem a ser cópia uma da outra, mas gostam de o ser. Vivem entre o tédio e o auge da felicidade. O único que amor que conhecem para além do amor próprio é o amor de irmão. Onde sentem que eram capaz de dar a vida uma pela outra e voltam assim a acabar mais uma noite agarradas.
É só mais um dia, pensas tu. Logo o tempo passa, o tempo cura tudo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quem quer ganha.


Nunca um nome de um jogo fez tanto sentido e foi uma analogia tão perfeita do que se passa na vida. Regras, crenças e tudo mais, mas resumindo, quem quer ganha.

sábado, 17 de setembro de 2011

Amo-te?

Não sei! Porque haveria eu de saber? Ouço a tua voz quando me falo, parecemos ser exactamente a mesma pessoa. Olho-te ao espelho, estás tão bem hoje! És incrível.
O que se passa? Estás triste? Ainda bem que não. O que te faz pensar nisso? Não... tu tens toda a razão.
Estás a chorar? Não!? Então isso é o quê? Felicidade!? Felicidade com lágrimas? Como eu te amo.
Estás a discutir comigo? Estás-me a fazer chorar? Porquê? Tens mesmo de ser assim comigo? De me fazer correr atrás de ti? De ignorar as minhas chamadas? Odeio-te tanto.
O amor e ódio dão as mãos, para cantar comigo, como se fossemos a mesma pessoa. Enquanto eu escrevo, eu falo. Poderei dizer que são diálogos com o eu? Um surto psicótico? Um surto psicótico!? Tu estás louco!
Como é que isso é possível, se eu existo e não existo, porque só existo em ti!
E agora o que é que eu hei-de pensar?

Chamo-lhe lucidez? Não! Não, porque isso é um conceito, foi criado por humanos e eu tenho uma certa dificuldade em aceitar o que é feito por humanos. Embora tenha que usar as palavras para poder comunicar.
Por falar em humanos, apetece-me dizer-te o que penso acerca do narcisismo deles... são todos iguais, pensam que são únicos e diferentes (de certo modo, até são... mas se formos a ver... são todos iguais!).... e a mania que eles têm de dizer que só os humanos são conscientes!? E a mania que eles têm de dizer que só os humanos podem comunicar! E a mania que eles têm acerca da existência...! E os pensamentos sobre a vida, sobre a História, sobre a Actualidade, sobre a Política! E sobre o outro! E sobre o outro! Obla, cala-te! Estás a ser tão contraditório!
Estás a criticar os humanos por eles serem assim, mas tu também fazes a mesma coisa, estás neste momento a fazê-lo. Até gosto de ti por isso, resumindo, Amo-te e odeio-te, mas pronto, como é isso é dos humanos. Vou tentar respeitar só a atracção.
Estou atraído por ti então. Podemos ter uma curte?
Oh, é melhor não! Ainda me apaixono por ti e depois... isso vai ser muito complicado!
Vou abandonar esta ideia. Até manhã. Tenho saudades tuas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Popularidade.

Pessoas andam aos tombos, o comboio trava, o vago, o desconhecido, a questão.
Falar sem saber do quê, falar do que não se sabe, transmitir o conhecimento com margem de erro, falar como quem sabe do que está a falar, sem saber o que está a dizer.
Questões, sistemas fraudulentos - sistema de ensino, sistema político, sistema social - nação computador versus nação televisão.
Nem tudo é mau, não se pense é que a mentalidade mudou assim tanto. A liberdade, a igualdade e a fraternidade.
Penso. Não penso. Organização mental, de quem não quer nada, de quem quer tudo.
Fecho só os olhos.