segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Três minutos de arte.

Um cigarro a consumir o tédio,
O tecto a pedir mais chuva para poder cair,
O Sol escondido e a brilhar para o outro hemisfério.

Estás de férias, acordas.
Hoje está a chover,
Consome a poesia,
Lê-me, lê-nos.
Brinda.
Brindemos.

Em três,
Passagens intemporais.
De poetas
Que eu não sou.
Que eu serei.
Jamais pensarei
No mundo,
Ignorância de cantar.
Serei um ignorante, feliz e incosciente.

Serei a pobre ceifeira,
Serei feliz. Sou feliz.
Em três minutos sou o ser mais feliz do planeta.
A felicidade em plenitude, eu abraço-a

Um banho chama por mim.
Uma água benta das nuvens.
Ruma à vida, eu vagueio.

Rumo à vida, eu penso.
Chuva: hoje estás molhada.
Até já chuva,
Até já chuva,
Até já chuva!

domingo, 23 de outubro de 2011

Intermitências de arte.

Riscar um poema.
Riscar um dogma.
Riscar um fonema.
Riscar um paradigma.

Um poeta canta em coro,
Um verbo pede socorro.
Uma frase por construir,
O poeta a bulir.

Dois dias passam a correr,
Uns tentam dizer,
Outros conseguem escrever
Um poema para ler.

Ciência de existir,
Não do que se sabe,
Do que está para se saber.
Não do que vem,
Do que está para vir.

Correr, como quem cansa.
Porque o peso oscila na balança
De quem contempla
Uma rima em paleontologia
Porque existir é uma antologia.
Uma antologia estética,
Poética,
Sem ética.

Escrever é uma apóstrofe
Sem paradigmas,
Sem esquemas ou linhas.
Porque rectas ou curvas,
Ambas são traços degenerativos
Da memória dos vivos.

Uns insultam, contestam
E acarretam a cruz às costas
Como se fosse Cristo,
Mas eu não tenho cá disto,
Evaristo.

Outros continuam correntes,
Uns avançam, outros contestam.

Uns são poetas de intervenção,
Outros de canção.
E todos abraçam causas e fundos sem causas
Porque com ventos vêm as chuvas,
Tempestade ou não.
Seja poema, ou não.
O coro é em vão.

Bertrand Russel,
E o caracol em carrossel.
Uns trabalham outros pensam.
Simetrias e assimetrias de existir.

Nostalgias de um bem perdido,
Antologias do suicídio.
Filosofias e cadeiras barométricas
Que medem o estado do pensamento.
Um alento sem causas para efeitos.

O medicamento do tédio,
A pastilha e o remédio
Santo.
A descrença na crença em Deus.
A necessidade da Ciência,
Teologia avança,
Pessoa balança,
Saramago dança.

Acreditar em Deus,
Acreditar em ateus,
Acreditar nos meus.

Tédio e filosofias ao desbarato.
Informação e contestação
Social.
Reflectir em Portugal,
Sobreviver no Senegal.

Comer na Polónia,
Subsistir na Somália.

Povos abraçam causas económicas,
De quem vivem a somar e subtrair
Nas contas
Públicas.


Ligar à frequência,
A lei da atracção a chamar os frutos
Dos nossos pensamentos.

Conseguir, querer e crer
Não em Deus,
Nos meus.

Crer em Deus também,
Crer em Deus por ele mesmo,
Não pela necessidade de que ele exista.
Depois de passar a Bíblia em revista.


Acreditar, saber, aceitar.

Aceitar o vão,
Aceitar o vago,
Aceitar a Eva, o Adão, o Pão.
Tolerar o estrago.

Viver sem contestar,
Concordar,
Aceitar,
Não chatear.

Pensar,
Reflectir,
Conseguir.

Absolutismo régio do eu.

Porque o que quero é o meu.

O meu ser, que sou, que nunca fui.
Onde estive, onde quis, onde vou estar.
Nunca pensei no mundo, sou o mundo.
A percepção desligada de outras percepções.
Porque a minha realidade haverá sempre de ser percebida
E nunca entendida.

Nunca acreditei em nenhum Deus,
Acredito em Deus.
Não um em especial,
Acredito no meu.

Vem o Passado, o Presente, o Futuro
E a prova em contrário de uma matriz programada
Ou por programar,
Viver a representar ou assumir a responsabilidade de viver
Com o que temos e viver, porque o comando está nas mãos
De quem tem, de quem quer ter.
O comando foge das mãos de quem acha que não pode ter.

Querer, um bem querer, porque eu me quero a mim.
Seja em chuva, sol, granizo ou no meu pedestal
Com chuva, sol, granizo e paraíso.
Eu estarei comigo, estarei comigo a dividir o meu espaço
Porque conquiste a lua ou Marte,
O meu espaço é na arte.


Acredito em Deus,
Acredito na estética,
Acredito na arte.

sábado, 22 de outubro de 2011

Tédio, Políticos e Lágrimas

Um poema caminha no vácuo,
Um coração aperta uma frase
A psicologia nasce sem Catarse
Gregos, Romanos e Troianos
A abraçarem Políticos.

Apocalíptico saber
Que me tenta conhecer.
César Augusto
A preparar as castanhas para o magusto.

Brindam loucos,
Como se fossem poetas:
Morre Kadhafi, aplaudem os turcos.
Cantam palavras,
Como se fossem humanos:
- O mundo está em crise.

Economia libertina
Que já levou tantos à guilhotina.
Números sem ouro,
Que não cobrem rasgos de louro.
Reserva Federal a emitir notas
As vacas a ficarem loucas,
Os frangos com gripe
Das aves que voam tortas.

É a SIDA,
É o apito de partida.
É a televisão,
É a Candidíase
E a comichão.
É a homeostase.

Vem o Coelho a contar os Passos,
O Paulo a fechar as Portas
Os submarinos a entrar nas docas,
Os cortes feitos aos soluços.
Vem o Sousa, Jerónimo a foder o juízo,
O Francisco a partir a Louça para fazer o jazigo.
Chega o Jardim do João do cu Aberto
E lá entra tudo, entram milhares de euros,
Mas como no coito, tudo o que entra sai.
Do Cu do Alberto João Jardim sai tudo,
O Maremoto vem, e centro comercial cai.
É o Gladiador do cu aberto a segurar o escudo.

O Euro e o dólar,
O Obama e o Kadhafi.
Tinham os dois cheiro de preto,
O melhor é nem chegar perto.
Um está morto,
O outro cheira a esgoto.
Os Unidos dos Estados
Espremem os testículos aos Europeus
Desde as guerras mundiais.
O Estados Unidos fodem tudo:
-Fodem a arte, fodem no cu, fodem com o cu
Fodem o juízo, fodem a paciência.
Fodem a bomba atómica com a Ciência.
Fodem o Japão,
Fodem Hiroshima
Fodem com o cu para cima.
Que se fodam os Estados Unidos,
Que farto de ser fodido por eles já eu estou.
É o Sebastião que fugiu e nunca mais voltou.

Viva! Viva! Viva!
Vivam as putas e os charlatães
Vivam Os Americanos e os Alemães
Vivam os Anteros e os Quintais
Vivam as crianças e os cabrões dos Pais.
Aplaudam os Portugueses
Mercantis e os Portugueses Burqueses.
Batam palmas os Gregos e os Fariseus
Batam, batam, batam que os colhões são meus.

É o Bocage a abrir a boca e em vez de mosca
Entra caralho. É o Camões e a moça tosca
E a puta da alegria. A puta da alegria.
Que no cu também comia.

Vivam os Portugueses! Viva! Viva!
Viva que aqui também sobe o Iva!
Irra! Irra! Que o Passos coelho Espirra
E os Salários crescem em dívida.

Brindemos aos Portugueses,
Aos Alemães, à Europa
E acima de tudo aos Estados Unidos.
Aos Estados Unidos por foderem tudo!
E foderem com tudo!
V-IVA!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O SISTEMA DE ENSINO É UMA BULA DE INDULGÊNCIA.


Juntos desenhamos o mundo: estamos com Platão, Ofélia, Antero de Quental, Mário Cesariny. Juntos somos a Arca de Noé. Conservamos experiências, contemplamos mundos claros e obscuros. De noite vivemos para abraçar poesia e criar, porque chegamos à conclusão que a experiência vale mais que a vida.
Juntos somos droga na ânsia de ser consumida.
Vejo-te abraçar os louros da tua coroa. Para dizeres ao mundo tudo o que sempre quiseste, mas nunca te deixaram dizer. Para mostrares ao mundo que vives sobre a égide da ideologia Francesa: Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Acordas Danton e Robespierre, Girondinos e Montanheses, tiras o Louis, o Rei XVI, da forca. Levantas a Marie Antoinette, dás-lhe uma vida e ela segue-a sem se aperceber, é uma percepção nossa e representa-a na perfeição. Tu, escritor de nome, vais ser um dos maiores poeta do século XXI ao me lado. Teremos o nosso amparo, juntos. Não vivemos em Esquizofrenias que contemplamos ou tentamos desambiguar para ser qualquer coisa. Nascemos no mesmo berço, em tempos diferentes, já Siameses, sentias que eu existia em ti, antes de eu existir.
Ler-te faz-me saborear o prazer de saber quem és, antes de o seres. Sem precisar de ser alguma coisa para que tu saibas que eu o sou. As palavras são apenas isso, palavras. A experiência, também o é. As pessoas vão e ficam e quando se constata isto, é quase como assumir a carta de despedida. Mas, há que notar aqui uma coisa enorme. Eu não me despeço, eu não relembro, eu não saliento ou sustento qualquer coisa no desespero de justificar. Eu sei-te viajante, eu sei-te tão bem, que sei também que viajaremos juntos pela eternidade. Que temos uns bons anos pela frente a viajar e a contemplar as nossas visões, previsões e debates políticos da maneira que só nós sabemos bem.

O mundo gira sobre uma crença na descrença, o mundo é sustentado com base em nada. A riqueza é definida por um número, seguido de muitos outros zeros. É definida por uma conta bancária, números atribuídos arbitrariamente. Números que não têm qualquer valor ou correspondam a uma possível representação mental, porque é certo que nada existe que possa ser representado mentalmente. Os bancos não têm ouro nos cofres, não têm prata, não têm mar, não têm rio. Têm pessoas apenas, pessoas que dependem desses números para circular e se sentirem seguras, livres e autónomas, pessoas que deixam a sua felicidade depender de números. Eu, que sou tu, juntámo-nos para defender causas e abraçar projectos, para elevar os nossos valores que correspondem com os ideais da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Acordamos Dantas, matamos Obama, falamos com o FMI e fundamos uma nova Oligarquia, a Oligarquia do respeito, tolerância, aceitação e bem-estar. Porque juntos somos nós. Porque acreditamos que não temos que ser o estereótipo um do outro, porque já o somos antes de o ser. Vivemos juntos no mesmo corpo, aceitando os hábitos de cada um.
O mundo cai quando abraça o Capitalismo, o sistema de ensino é uma fraude que o promove. Tu defendes que o Comunismo é uma forma de Capitalismo, como eu gosto e concordo contigo. Ambos sabemos que é urgente um novo sistema político. Que a Democracia é ineficaz e que o Capitalismo está a conduzir a humanidade à maluquice, porque loucos somos nós, loucos somos nós que também sabemos ser lúcidos e um maluco que nunca chegará a ser lúcido. Cultura e incultura, nada interessa. As regras negam as regras, uma norma tem origem no comportamento das massas.  O mundo vai dar uma volta enorme. Nós sabemos, nós acreditamos. Nós, somos livres. E digo-o em voz alta: SOMOS LIVRES! Sim, somos e vamos continuar a ser. Porque não somos vítimas da nossa angústia, do parecer do mundo. Vivemos o nosso, cruzamos linhas entre o tédio e o absurdo. Viajamos a Paris, a Barcelona, a Roma, a Londres, visitamos o mundo sem sair do sítio. Esta não é uma vantagem da Globalização, é uma vantagem da nossa percepção.
Em breve viajaremos juntos pelo mundo, tornando-o palpável, para o poder conceptualizar de novo. Formatamos a realidade e somos uma só realidade.

Somos peças que tocam em conjunto, marionetas que se soltaram para poder viver sem que alguém as controle pela moral, as condene pela ética ou pela razão que é irracional. A Kant o que é de Kant, a Novo o que é de Novo, o que é de Novo é de Ozório.
Eu estou aqui e continuarei a estar. Irei ler-te e escrever-te. Irei pensar contigo e criar. Porque nós somos o exemplo de estudantes universitários. Somos a vanguarda, damos bom nome à geração de 70, à geração do modernismo e a todas as geração de estudantes dinâmicos e proactivos que não se deixaram ser selados e formatados. Que não se deixaram encubar pelo que os outros sabia e diziam, que não tomavam como verdades absolutas as inverdades que o mundo conceptualiza como máximas. Não nos fechamos em salas, fluímos de forma natural, quando temos que ir às aulas, vamos. Quando temos que faltar, faltamos. Porque nós, no Pátio aprendemos mais e fazemos mais que numa sala fechados a receber informação sem a poder contestar ou expor novas. Nós somos o Futuro no Presente.

Obrigado por existir-mos, Platão. Hoje és Platão. E vamos defender a Aristocracia.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Hoje apetece-me foder contigo, Eva.

Desaperta-me os botões com a boca. Voltas atrás, decides começar por me despir a camisa, com a fúria rasgas-me os botões, puxas-me o cabelo. Acalmas-te: lambes-me o mamilo, começas lentamente, arrancas-me as calças. Chegas a mim e depois de me lamberes o corpo todo, fazes-me um broche. Eu não aguento mais, quero que pares para não me vir. Tu insistes em continuar.

Apetece-me espetar-te contra a parede. Encosto-te contra a parede, estás ofegante. Eva, chamo pelo teu nome. Hoje escolheste tratar-me por Miguel. Berras para que te espete com força. Esqueço-me do preservativo. E rezo para que o processo de gestação acelere, que o filho seja feito e nasça exactamente naquele momento. Eva, és linda. As tuas curvas. Eva, quero foder contigo.

Eva, hoje estou desejoso por foder contigo. Eva, quero mesmo foder-te. Hoje fazer amor não está comigo. Quero desfazer-te contra a parede, lisonjear o carnal. Rebentar-te as entranhas, até que chegues ao clímax. Apetece-me foder-te até ao fim. Apetece-me estar todo dentro de ti. Eva, quero foder contigo a toda a hora.

Mas hoje é o dia em que me apetece mesmo foder contigo.

Dorme bem. Eu fodo-te e guio-te.

Espelho.

Distância de um pensamento, de um passo que não vou dar para te poder admirar à distância. Olho-me em ti. Todas as minhas imperfeições são perfeitas em ti.


Uma semente que se tornou flor para nunca morrer. Aceitar o destino. Sou verdadeiro compulsivo. Entro num processo de convulsão. A combustão do que sinto. Olheiras a rasgar os olhos sem sono por querer dormir. Criar peças e verdades por ter dificuldade em viver mentiras. Nunca me conheci tão bem como tu me conheces a mim. O legado de duas vidas por só poder ter uma.

Coisas que não compreendo por as entender demasiado bem. Um pensamento. Abstracto. Duas metades imperfeitas que se contemplam ao ponto de encaixarem na perfeição. A minha personalidade fica-te tão bem. A minha camisa no teu corpo ganha outra vida. Os meus pecados cometidos por ti são uma dádiva. A perfeição.

A beleza cansou de não poder ser mais que beleza. A fénix renasceu. As cinzas são ciclos de vitória. O pó. O pó foi um oposto ao que penso. O pó ergueu-se para prevalecer infinito. Estou aqui para te dar um beijo de boa noite.

Dorme bem. Boa noite.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Acho que sinto a tua falta.

Não sei porquê, mas acho que sinto a tua falta. Talvez eu exista e tu não existas, ou tu existas e eu não exista. Sejamos ambos percepções um do outro, concepções demasiado imperfeitas para poderem estar conectadas.
Ouvi a tua voz em palavras mudas. O silêncio da tua voz é magnífico. Brindemos.

Eva, sorri, Não vais morrer. Do meu quarto vejo a lua. Está cheia. Estou carregado de livros e memórias. Memórias do que sou. Porque o que fui já foi. Eva, o sistema de ensino é demasiado chato, não achas?
Quero dizer tanta coisa e não quero dizer nada. Estou a acabar o livro. A tua prenda que não é uma prenda tua.

Abraço tantas causas e projectos que acabam por não passar disso, causas e projectos. Isso é bastante belo. O sonho é bonito enquanto sonho. Mas está na altura de concretizar o sonho. Ainda que deixe de ser sonho e passe à realidade. É tempo. A vida é bonita e tu és linda como ela. Simples. Tudo o que eu quero e não posso ter. Vem comigo ver o rio. O cigarro acabou.

Deita-te e dorme bem.
Eu guio-te. Boa noite.

Amadeus.

UM


Lúcia fecha a porta. O João arregala os olhos e despe-a com a subtileza do olhar. É Inverno e a lareira está acesa.

Do outro lado, a Marta pega nos Maias e começa a ler. Sente um asno profundo, é a sua primeira sensação ao tocar. Um livros com demasiados caracteres, uma mancha gráfica demasiado acentuada para um olhar ingénuo de dezassete anos. Pelo olhar descobre-se o mundo, pelo olhar cria-se o mundo.

A Lúcia acabou de se deitar em cima do João. A cura na procura de um veneno perfeito, tornou-se impossível. A vontade de tocar foi mais forte. O perfume tinha demasiado sabor para poder estar ali. A penetração foi sagaz, o coito tornou-se o odor perfeito na troca de sensações únicas. O João adormeceu. A Lúcia cansou-se de tentar dormir e apoiou-se no parapeito da janela. Era mais uma insónia. Com os cabelos no ar, decide pôr um pé sobre o outro, de forma a manter o equilíbrio. Decide saltar. Caiu de um sétimo andar.


DOIS


Amadeus entra no carro. Caiu mais uma chamada de emergência. A vida de bombeiro é amarga. Quando chega ao locar, já o corpo não evidenciava sinais de vida. 
- Mais um para a morgue - disse em voz alta.

domingo, 9 de outubro de 2011

Dorme bem.

Do meu quarto vejo a lua e pego num esquadro. Vou brincar aos traçados geométricos. Ela está cheia, à minha frente vejo Afrodite, à esquerda está o Ícaro e aqui sentado ao meu lado está o Baco.

Está calor e frio. Tenho sono.
Vou dormir.

sábado, 1 de outubro de 2011

Jardim dos charros.

Ócio. Contemplar a beleza que percorre a faculdade, entre palavras amigáveis. À medida que as palavras correm e a viagem acelera, só me lembro de agradecer à faculdade por ter uns azulejos tão assustadores no meio de um jardim tão encantador. Amo-te, charro.

Entro na orgia intelectual. E o movimento dos quadrados acelera e faz-me sentir que o meu inconsciente veio ao consciente para criar. Dois dias em beleza porque te amo.

Mas, Ofélia... Eu vou ter com o Platão à biblioteca. Desculpa, mas eu, o teu "Persona", vou para a biblioteca ter com o Objecto da minha Paixão. Ofélia, porque me tratas por Persona? Se, "Persona era o nome da máscara que os actores do teatro grego usavam. Sua função era tanto dar ao actor a aparência que o papel exigia, quanto amplificar sua voz, permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores." 

Ofélia, eu quero dormir com o Mario de Sá-Carneiro. Artista de circo, eu existo, eu não represento.

Deambulo nas tuas entranhas minha querida. Porque sou teu filho e eterno amado.

Hoje lembrei-me que te amo, Ofélia.