terça-feira, 29 de novembro de 2011

A liberdade dum poeta.

Que as ruas se encham de poetas
Poetas que trabalham
E poetas sem ofício
Porque há que fazer sacrifício!

É indigno
Um poeta ter que procurar emprego
Seja flora intestinal ou brincadeira do destino
Que o poeta saia ileso

Há quem dite as leis
Que para todos os bordéis
Hajam papeis
Para os magos e Reis

Um poeta é poeta
E não lhe é digno o desemprego
Porque ouro não é dinheiro
E se poesia não vale ouro, Jesus Cristo não foi Profeta

Que todas as palavras façam greve
Para que os humanos sintam de leve
Que é grave.
Um poeta só escreve

Não é digno quererem
Que o poeta suje as mãos
Já sujas de tinta
Enquanto uns dormem

Venham para as ruas os poetas
Porque é tempo de trabalhar
Deixar as rimas
Porque há contas a pagar

Há que pagar casa
E ter emprego
Para comer na brasa
E dormir em sossego

Amigos são amigos
E a amizade ainda não vale dinheiro
Ainda que sorrisos
Não me encham o mealheiro

Eu prefiro ter um amigo
A viver sozinho
Faço pernas ao caminho
E vou arranjar emprego

domingo, 27 de novembro de 2011

Um cigarro de prata.

Um cigarro de prata caminhava na boca de um poeta. O poeta ao sair de casa dera de caras com o tédio e a alegria. O poeta caminhava sob a égide de um poema.
Tinha oitenta e seis poemas para oferecer ao seu primeiro colo que por estranho que possa parecer viria a ser o último deste. O poeta abraçava a glória por não poder conhecer mais coisa nenhuma.

Na primeira parte do dia, o poeta estava acordado para ver o dia nascer. Às sete da manhã deitava-se. Hora em que toda a gente acordava. A rotina nunca fora a sua melhor amiga.
No caminho para casa, o poeta encontrara outro poeta e agora tinha companhia na sua poesia. Que por vezes se fundia de duas numa só.

O cansaço abraçava o segundo poeta. O segundo poeta era mais impulsivo e louco que o primeiro. Dormia dois dias e passava um inteiro acordado. Não sei se por ser louco ou para fazer render o tempo. Era também narcisista, pensava em si a toda a hora e via-se em todo o lado. Muito egocêntrico, mas feliz assim.

O primeiro poeta dormia cinco horas por dia e partia inteiramente para a magia do dia.


Os poetas eram agora um só.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu sou a actualidade.

A geração de 1970/1980 é a contemporaneidade, se eles o são, eu sou actualidade.
Porque os meus textos, fruto do meu narcisismo, haverão de ter cem anos de solidão e continuar a ser actuais.

Morram os poetas, morram os estetas, morram todos que eu sou a actualidade!
Eu sou a actualidade.
Eu sou actual.
Não tenho nada para dizer
Só que sou actual.
Sou actual e é tudo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Os palhaços estão em greve.

O circo fechou porque os palhaços fizeram greve
O palhaço sentia-se mais leve,
Não tinha que carregar o trapézio
Do trapezista José Régio

A Paloma não tinha que guardar os Leões
Do domador Luís de Camões
Os Elefantes não tinham que se exibir
Porque os circenses decidiram fugir

Os poetas apreciaram o circo
Do dia vinte e cinco de Novembro
Não havia greve de que me lembro
O palhaço roubou o arco

No Arco do Triunfo
Brincavam às revoluções
As pessoas eram vulcões
Como um tufo

Os palhaços fizeram greve
E o circo fechou-se
Não havia salário
O povo proletário

Empobreceu e não havia animação
Para apresentar no S.João
Acabou o dia e a greve de palavras
Continuou a fazer-se pelo silêncio

As pessoas não conseguiam comunicar
A greve acabou.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Palavras surdas.

Dois corpos comunicam em convexo.
Um aglomerado de pessoas que se julga
Qualquer coisa
Ainda que inerte

E isso remeta
Para substâncias
Psicotrópicas

Contrariam-se as leis do absurdo
Porque as da física já foram todas contrariadas
Vão palavras em ventos
Secos
De qualquer coisa além de mim

Poesia que nasce em ciclo
De pensamentos
Que nunca cheguei a pensar.

O infinito é uma fonte que também seca.

A amargura é iluminada
Pelas palavras do Futuro
Um porto que parece seguro
Até cessar sobre a calçada

O Infinito é um verso
Esteticamente perverso
Que arranha das entranhas
De todas as façanhas

Para dizer em coro
Que as palavras são uma fonte
Que também pode secar
Onde há namoro
Há quem olhe de fronte
E quem fique a olhar

O infinito é uma glória
De vozes embalsamadas
Por partituras duma fantasia
Em chamas.

O infinito engole-me
Pela garganta
E pede-me para grite o teu nome.

Amor voraz.

Silêncio. As janelas do pensamento fecharam-se.
Um poema é cantado de forma épica
As leis das estética
São nostalgia profética
Em amores sem fim
Que têm fim  à vista, para mim.

Cadência passageira
Da intensidade da luminosidade
Sentar-se à frente da lareira
Com sede de curiosidade

Amores sem fim.
Voraz é a fome
Que escreve o teu nome
Sobre o meu
E me diz ateu
Quando sou crente
Em ti, meu amante

Amores intensos,
Rápidos
E delicados

Sobre palavras
Da tua boca
Ditas pelo silêncio da minha.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O João.

Cena I
O João senta-se no sofá com um cigarro na mão.
-Bom dia Maria!

A Maria a mexer no cabelo. Com unhas pintadas de vermelho.

-Olá meu amor!

Olham um para o outro e beijam-se.

-Amo-te muito! - diz o João enquanto toca nos cabelos da Maria - És linda! Quero-te para sempre
-Meu amor és a melhor coisa da minha vida - grita a Maria, enquanto se dirige para a porta.
Quando se dirige para a porta, derruba um jarro que tinha três rosas e parte-se em cacos. Maria corta os pés sem querer. O João desata a correr para a beira da Maria.

-Meu amor! Meu amor! Estás bem?
-Não. - responde Maria aos soluços - Achas que tenho que ir ao hospital?
-É melhor. Quero-te bem!

O João pega na Maria ao colo e dirige-se para o carro e dirigem-se para o hospital.
(Saem os dois de cena)

Cena II
Entra o Joel a correr pela sala! A ver se a Rita ainda lá está! Cruza-se com ela. Dá-lhe um abraço. E diz:
-Estou a morrer de saudades tuas!
-Eu também Joel - responde Rita, com um sorriso - Ao tempo!
-Eu nunca te esqueci! - Joel
-Como está a correr a tua vida?
- Bem e a tua? Tens novidades?
-Também. Tenho algumas e tu?
-Tenho!!! Nem sabes, vou editar um livro. Tenho escrito muito!

A Rita olha de forma desinteressada. Enquanto o Joel abre o diário para lhe mostrar os textos!

-Este é o início do meu livro.
-(Rita olha cada vez mais desinteressada)
-Fala sobre o absurdo e o Filipe vai casar-se com ele mesmo.

Rita para cortar o tema. Muda de assunto subitamente.

- E as coisas lá por casa, como estão a correr?
- Bem, os teus Pais estão bem?
- Estão óptimos, estão sempre a perguntar por ti! Gostam muito de ti.
- Todos os Pais têm por hábito gostar de mim.
- Pois é... Não queres passar lá por casa?
- Para a semana, pode ser?
-Vem hoje! Os meus Pais iam adorar.
-Está bem! Vou só a casa buscar umas coisas e depois vou.

O João dirige-se para a Direita Alta enquanto a cortina cai. De fundo ouve-se alguém a cantar aos berros uma musica do Carlos Paião.

- Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir. Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.

Juntam mais duas vozes e continuam a cantar a musica.

- Numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar. Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.


A cortina vai subindo e as três pessoas continuam a cantar, e viram-se de costas para a plateia.

- Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...
(Refrão)
Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
Cinderela das histórias, a avivar memórias, a deixar mistério.
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada, ninguém deu por nada, ele até chorou...
(Refrão)
E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."
(Refrão)
(Cinderela)
(Refrão)

Enquanto os três estão de costas, O João volta a entrar em cena com a Maria ao colo.


A verdade é um capítulo em branco

Caminhar no vácuo deixado pelo inferno
Está calor no meu inverno

A realidade contempla as asas do meu caderno
Em branco
Baco brinda às prostitutas
Eu brindo às putas
Das minhas janelas
Que estão fechadas

Ouço o vento,
Ouço o meu alento
Em frases soltas
Da minha cabeça

A mulher fez-se homem ao sétimo dia
Dias passam como comboio para viagens ambulantes
O descrédito ao que sou
A descrença no local para onde vou

Atar mentiras aos desejos
Às verdades
Um caminho rectilíneo
Igual, Estanque
Um livro da minha estante
A cair para o poder ler
Sai
Um amor
Uma passagem
Um desejo
Uma descrença
Uma amizade


Passam dois dias em prosa
Porque a poesia se cansou
O homem fechou a porta
E logo alucinou

Foi para o quarto masturbar-se
A ouvir os gemidos vindos
Do quarto da irmã
Que fodia com o patrão
Do Pai.

Apocalipse num só dia
Porque ao terceiro faz-se magia



Entra uma porta nas docas
Porque os barcos ficaram em casa
Do meu Pai
Que não acredita em magia
Nem tem patrão


Na minha farmácia só entram sapos
E Princesas
Porque duques e duquesas
Só para jogar cartas
Num jogo sem jogos



Cala-se um sapo
Porque não podia ser visto
Pelo Evaristo
Que não tinha cá disto


O Bocage fodeu um pneu
O cromo da orpheu
O meu
O teu
A puta que o pariu
A educação
Da geração
Rasca
Da minha Tasca

Dos dias
São dias
São descargas
São verdades.
São coisa nenhuma.

Descarga eléctrica.

Odeio-te
Amo-te
Odeio-te
Amo-te
Odeio-te
Amo-te

"Amo-te tanto meu amor, és lindo."
És um poema
És um poema sem verdade
És um poema sem virtude
Queres o que não tens
Tens o que não queres.

"Tenho saudades tuas. Amo-te"

Passam as horas ao lado do relógio
Na ânsia das tua palavras que o tempo não contempla
Sobre gestos que se esperam e não se tem
Atitudes que se esperam pela tua presença
O que és para mim?
Mudar o mundo para me encaixar melhor nele.
Ódio a contemplar os céus
Por não poder despir todos os véus
Vou à lua para espalhar magia
Rasgos de poesia
Para sorrir
Para vir
De poemas
De poesia
De alegria

"Quero-te sempre."
Viver num mundo isolado pela presença de outros
Para além de mim.
Outros que contemplam inverdades
Irrealidades
Que não a minha
Desejos ardentes no suco dos teus lábios
À espera dalguns que não os meus
Os teus.
Quais teus?
Os meus!

Quais meus? Quais então?
Só sei que nada sei
E que o meu tempo
Não é o meu tempo
Que os meus dias
Não são os meus dias
Que o que eu quero
Não é o que eu quero
Que o que eu tenho
Não é o que eu tenho

A realidade é um verso e um verso é uma mentira
Por não poder ser verdade
A poesia é só poesia
Viva a repetição análoga do eu
Do poema, da Orpheu
Do meu,
Do teu

Da verdade
Da realidade
Da idade
Que eu não tenho
Do comboio
Que eu não venho
Do saloio
Que eu não como
Do amor
Que eu não amo.

Dos dias
Das magias
Das alegrias
Das verdades e idades
Do gelo e do calor
Da felicidade e do amor
Do dia e da manhã que a noite tem
Da minha mãe
Do meu Pai
De tudo o que quero e o que não quero
Porque eu quero nada
Eu quero tudo
Dois dias são um dos meus
Abraçados nos teus
Beijos
Desejos
Ardente poesia
Mentira fonética
Pela realidade estética
Que hoje me quis lembrar que te amo
E te odeio
Como o vento que passa ao lado da minha janela
Por não saber que estás aqui para dizeres que me amas.

Por ver o tempo que gastas a investir em causas
Que não são partes de mim
Nem nada me dizer ou te dizem a ti

Saber o que queres
Por olhar os teus olhos
Que me dizem verdades
Além das tuas mentiras
O ser desejada é um desejo teu.
Eu não desejo mais nada, mais nada meu.

Eu mesmo.

Eu mesmo no meu espelho.
São três da manhã e só tenho raiva
De mim, por mim, para mim.

Amar como quem ama a poesia
Vazio, vago, ilimitado
Negar o prazer
Negar a visão.

Iludir o vago.
Iludir o vazio
Iludir o ilimitado

Raiva! Raiva! Raiva!
Amar a ilusão.
Amar o vago.
Amar o ilimitado.
Próximo passo,
Próximo dia
Sem magia
Sem limite
Sem amor
Sem poesia

Fugir. Seguir.
Correr.
Espero as tuas palavras
Que nunca cheguei a ler.

Sabores da tua boca
Na minha,
Que é tua.
Na minha que é tua.
Raiva.

Esperar,
Não ter.

Limite

A linha que cruza o Tédio
É irmã da Tia Carminda
A Tia Carminda faz bolos
E bebe vinho

Hoje é natal
Abram as latas
E batam nos burros
É Natal!

O Pai chamou o filho
O filho cantou para o Pai
É Natal
E a Dona Carminda come bolo

É Janeiro
Eu monto o cavaleiro
É Inverno
Eu queimo o meu caderno

É Natal
É Portugal
É bem e mal
É Natal!


Escrevam em actas
Comam batatas
Virem as páginas
Rompam aos saltos
E aos pinotes
Que eu quero por força ir de burro
E a um burro nada se recusa!


É Natal!

sábado, 19 de novembro de 2011

Contra-tempos.

Contratempos.
a lógica é lógica porque não podia ser outra coisa
a filosofia é filosofia porque os gregos são gregos
a história é história
a medicina é medicina
a psicologia é psicologia
a sociologia é sociologia

Morra o Pitágoras
Morra o  Dantas
Morra o Platão
Morra o Saramago
Morra o Descartes

Que eu estou farto de morrer por eles
Hoje quero viver
Hoje só quero viver

A vizinha da frente tem umas peúgas amarelas
As minhas cuecas são azuis
Ficavam bem com peúgas amarelas

Viva Portugal!
Viva que ninguém nos leva a mal!

É poesia! É arte!
É Pop! É rock!
É Bernardo Soares:

"Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz."

  1. Não sou poeta
  2. Sou obstetra
  3. Não escrevo nem leio
  4. Escrevo-me e leio-me
  5. É tudo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Roubar ideias é umar arte.

Hoje vou roubar uma ideia!
Vou roubar uma ideia de Platão.
A ver se ele me processa por plágio.

Com sorte consigo ser processado por calúnia
Ou difamação.

Como os nossos advogados são fracos
Só sou processado por "doses ilícitas de Amor"

As palavras são vorazes,
Mas eu não sei o que é que isso quer dizer.
Talvez a vizinha da frente saiba.
Gosto de sofrer por amor,
Se for platónico então...
É uma delicia.

O humor é como um filme de Terror.
Se roubar uma ideia de alguém morto
Fico famoso e vou para os tribunais
Dissuadir juízes
O Advogado faltou às aulas de Retórica
O Juiz é Juiz porque não tinha mais tempo
Para ser outra coisa qualquer.


Roubo uma ideia e vou vendê-la,
Com sorte ainda ganho dinheiro
Para cobrir as despesas do processo.

Tenho saudades da Ofélia
E de quando eu era Fernando Pessoa.
Escrevia poesia e fechava-me no quarto
Por ter medo de sair à Rua.
Ia para o café com o Santa-Rita Pintor
E bebia absinto.

Eram vinte para as quatro e ia comprar tabaco
À Tabacaria do Álvaro
Dos campos voltava para o café
Consumia ópio para as dores de dentes,
A morfina alivia-me a dor do sentir
Por vezes tinha diarreia e o meu fígado sentia-se mal
Com o excesso de sémen que engolia
Da Ofélia.

Bati à porta,
Eram quatro da manhã,
O nininho devia estar a dormir
A Íbis do Íbis masturbava-se
A pensar no Platão
E no dia seguinte eu não trabalhava.
Como bom poeta, dormia três dias por semana
Trabalha em part-time, para as despesas,
Dormia num quarto alugado
Traduzia textos para português
E vendia livros na Solipso
Fui à falência porque não
Tinha jeito para vender.

Agora. Todos me estudam e adoram.
Antes, só o Dantas gostava de mim de verdade.


Vou roubar uma ideia ao Picasso,
Ele era a gaja mais boa do tempo dele
Hoje... boa... só a....
Essa mesmo!


Um poema nem sempre
Tem que ser um poema.

A porta da frente está fechada e a vizinha esqueceu-se
De ir dormir, hoje fica acordada para me ver passar.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Congratular o Apocalipse.

Fechar os olhos e divagar, porque tudo o que começa tem necessariamente que ter um fim. Pensam os humanos. A existência parte do princípio de que para se existir, vai ter que deixar de se existir. As palavras preservam-me a eternidade e congratulam-me no Passado, Presente e Futuro. As palavras mordem-me os lábios num desejo de quem ama, de quem odeia, de quem vive.
Ainda que eu exista, eu congratulo o fim. Porque o fim é sempre mais belo. É mais coerente.

Bebo. Fecho e adormeço.

Poesia da discordância

As regras sociais fogem da regra
As regras socias são uma generalização apressada
Os estereótipos são falácias.

A moda segue a moda
A organização social é ilusória
Mentiras. Mentiras. Mentiras.

Crenças dúbias.
Eu acredito em mim.
Egocentrismo, finalmente.

sábado, 12 de novembro de 2011

Longevidade.

As palavras mordem-me os lábios,
O desejo é atroz,
O beijo é veloz

A intensidade pede longevidade
São trocadas emoções
Sensações pedem para que dure
Promessas na ânsia de não serem vãs
São beijos nas tuas maçãs

Um rasgo de prazer
Sob a égide do teu beijo
O odor do teu corpo
A abraçar o meu

Sobre palavras que eu podia dizer
Sobre palavras que tenho guardadas
Sobre cansaço que pede que fiques para sempre
A lucidez amarga o meu ser.
Se é que sou alguma coisa.

Crença convalescente
De que o Amor é desejo ardente
Que o amor é evidente

O teu corpo veste o nu
Para tocar no meu já despido
Tenho lido
O teu rosto
Tenho lido a tua alma.


Acredito que a mancha vermelha
Que marquei em ti,
Seja um sinal de eternidade
Quero longevidade
E ser eterno em mim
Já que em ti ficarei para sempre


Só prendo as palavras porque não posso
Dar-tas mais.

Quero amar-te mais.
Quero que estejas sempre aqui.
Acredito em nós.
Acredito, pois.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Olhar angelical

Freud sentou-se à mesa:
Você não sabe nada - Exclamou Platão.
Sócrates disse bem alto: Só sei que nada sei!
O Descartes levanta-se e diz,
Amigos, eu descobri! Eu penso, logo existo.
Sócrates responde.
Só sei que nada sei.

Vem o António Damásio
E exclama: Não basta pensares para existir,
Tens que ser consciente da consciência

Senta-se Agostinho da Silva
E fuma um cigarro.

Almada Negreiros olha em vão.
Vergílio Ferreira reflecte sobre a sua existência.
Sartre come com ele.

Albert Camus vai para o café
E abraça os amigos.

Manuel Arouca chora em vão.
Na mesa em frente está Fernando Pessoa
A ver sentado a seu lado Mário de Sá-Carneiro
Santa-Rita Pintor levanta-se e berra:
SOMOS A ORPHEU.
Manuel Arouca - mas o que importa sou eu.

José Saramago diz: Avante Camarada.

Os fantoches saem de cena
E volto eu ao palco.
Fantasias e brinquedos estão à minha volta
Eu dou beijos às palavras e fantasio
Com as frases.

Sento-me sozinho e deambulo nos meus pensamentos
Sento-me e esqueço
Entro em catarse.
Sabias que eu existo?
Eu existo!
Eu existo!
Eu existo!
Se eu não penso, logo existo.

Sentei-me no chão e brinquei mais uma vez com as palavras
Hoje quero a companhia de um amigo imaginário
Para brincar com ele
Sou novo outra vez.

Estou no centralismo
E Piaget observa-me
Pois eu tenho vinte e cinco anos
E ainda estou no Egocentrismo
E passou o Centralismo para me abraçar


Freud diz que eu resolvi mal o estado fálico
Eu acho que foi o oral
O estádio anal resolvo todos os dias quando vou à casa de banho.
E brinco com as minhas companhias imaginárias.
Brinco porque é bom brincar.

Sinto-me mais leve agora que posso brincar.



A infância outra vez.

Mãos dadas,
Olhar de respeito.
Ele procura uma mãe,
Ela procura um pai,
Dizem-lhe que é o Complexo de Édipo,
Dizem-lhe que é o Complexo de Electra.

Ele olha para ela à espera que ela lhe dê as mãos,
Ela olha para ele à espera que ele pegue nela.
Ela procura segurança,
Ele procura amor.

Dão as mãos:
Ele convida-a a sentar no baloiço
Ela senta-se e olha para ele
Ele empurra o baloiço com cuidado
No movimento para cima e para baixo,
Ela sorri muito.
Ele repara em como o baloiço representa o humor
Quando em cima, os momentos altos;
Quando em baixo, os momentos baixo.

Ela ri e corre para os braços dele.
Ele chora sem que ela veja, para poder ser o Pai.
Ela sorri.
Ele chora e volta a chorar.

Pudesse eu amar como uma criança,
Pudesse eu ser ingénuo
Pudesse eu amar como um cego,
Pudesse eu amar sem ouvir.

O ciúme é amor.
A presença é dor.

Têm treze anos outra vez.
São jovens de novo.
Choram como quem ri
E riem como quem chora.

É amor?
É amor!
Amam apenas.

Sinto o vento. Sinto a luz e amo assim.

É infância outra vez.

O homem vivo que estava morto

Morto de mim.
Morto de ti.
Apagaram as luzes e as velas acenderam
Para orar.

Rezava eu, ele,
Rezávamos nós.

Andava de braços dados consigo mesmo,
Não sentia,
Era indiferente ao mundo,
Não pensava.
Estava morto.

Estava morto há dois anos.
Não sabia o que era amar.
Não sabia o que era errar.
Não sabia nada mais.

Rezava ele:
Pai nosso que estais no céu....
E um anjo gritou-lhe ao ouvido;
Pára! Vive!
Tens que viver! A vida é tua e é linda
Deixa os conceitos e vive!

O tempo passou...
A gnoseologia apagou-se
E cessou o olhar dos desconhecidos.
Cessou o tempo porque não penso
E nada parou para pensar.


Eu sou eu
E somente eu.

Reza,
Porque eu não sei nada
Acredita,
Porque eu acho que não sei nada.
Finge,
Porque eu sei que não sei  nada.


Haverá alguma coisa que eu possa dizer?
Se houvesse realmente alguma
Já a haveria dito
Dir-me-às o que dizer
Ou saber

Fingirei
Porque te amo
Fingirei
Porque não te posso possuir


O homem vivo estava morto.

Eu morri apenas,
Porque viver cansa.


O vício da dor.

Dói na primeira pessoa.
Vou refugiar-me sozinho.
Tenho saudades
Tenho ciúmes
Tenho dor
Tenho amor
Tenho dor
E dói
Dói muito
Dói porque te amo
Dói porque te amo

Dói muito no peito
Dói muito porque tu não compreendes
Que eu te amo
E amar-te é sentir as coisas assim
Só queria que conseguisses compreender.
Que me amasses a mim.

Dói muito.
Vou fechar-me no quarto.
Dói muito.
Dói muito!

Não quero mais isto.
Hoje sou tulipas,
Sou absinto,
Sou labirinto
Sou ópio.
Sou eu próprio!

Ser ou não ser, eis a questão
Não sei se cão
Se outra coisa qualquer
Se homem, se mulher
Se Deus, se Lúcifer

Sou eu e eu apenas.
O eu cansou-se de ser outro.

Outrora Reis e rainhas,
Agora proletariado e amores sem fim
Porque não sei se para mim
Chega a existir alguma coisa
Que não seja coisa nenhuma
Quantas coisas são alguma

Percepção e realidade
Mentira e verdade
Eu minto. Minto.

As lágrimas não me escorrem pela cara.

As lágrimas não me escorrem pela cara,
Choro por dentro.
Não sei o porquê de chorar
Mas hoje choro

Só choro porque choro
Choro e choro e choro

Pensamento oblíquo
De quem não pensa em nada

Emoções são só emoções
E no meio disto eu não sou nada

Apenas tentei ser qualquer coisa
Na verdade não cheguei a ser.

Amo porque amar é doença
E eu sou louco.

Sou louco porque a lucidez cansa
Cansa, cansa, cansa!

Estou em mim porque não posso estar em ti.

Estou aqui a pensar e a sentir coisas
Que não sei descrever

Se são ciúmes vou fugir para o egocentrismo
E vou amar-me apenas a mim
Porque Amo, amo, amo, amo, amo, amo.


Amo-me a mim.
Amo-me a mim.
Amo-me a mim.



Apologia do mentir
Minto, minto, minto.

Hoje sai de mim, para estar de fora
A contemplar-me.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"O Teu Poema"

Eram três da madrugada e a biblioteca que outrora era fruto de Adão e Eva
Haveria sido substituída por bancos cómodos com computadores sem livros.

Lia-te e lias-me de forma doce.
As passagens que te conto em trabalhos meus que nos fazemos
São virtudes incansáveis.

Porque o nos trazes a este lago. A este mar de prazeres e luxúria
Onde vinho tinto escorre pelas nossas suaves bocas.

Cigarros são trocados e consumidos apocalipticamente
Palavras que não existem são consumidas e atadas aos cálices servidos.

Brindemos, Brindemos porque hoje somos nós um.
Nenhumas palavras preencheria qualquer da nossa cumplicidade.
Morre Dalila, vive a Emília.
Os poetas cruzavam o Tejo, cruzavam o Douro
E a poesia escorria de forma suave.

Onde somos teu.

Teu porque seremos únicos.

A realidade e dissonâncias cognitivas
Assim como dilemas existências
Estavam de lado no nosso caminho
Porque o nosso valor está no que somos
Enquanto esperamos uma suave aprovação de quem nos lê.


Poesia. Poesia é isso mesmo. A Arte está na moda.
Mas não está na moda ser Artista, está na moda tentar ser artista

E como artistas que somos abraçamos as nossas causas e projectos
Orpheus e Novos para ficar.

Noronhas que te deixo ao descer o rio.
Na companhia do meu ser.


Serei alguma coisa? Sou toda a coisa!

Dilemas são dilemas.

domingo, 6 de novembro de 2011

O Platão deixou o sexo tântrico.

O Platão despiu-a. Vestiu-lhe o nu. Escreveu-lhe cartas para as quais não obteve resposta, achou-se Platão, perdeu-se o sexo tântrico.O Platão sentiu ciúmes, o Platão ficou obsessivo e chorou sem lágrimas.
A vida avança, nesta balança sem peso nem medida. Onde palavras são secas pela sede.
Platão nunca pensou poder apaixonar-se assim. Platão obsessivo compulsivo. Platão assexuado. Chorou. Lágrimas. Tédio. Chorou em seco.

A dor corrompe-lhe o coração porque a terceira pessoa devia estar a escrever na primeira. Platão cansei-me de escrever-te na terceira pessoa. Estou perdida de amores por ti. Nesta fusão de alma que temos em nós. Platão isto que sinto por ti é só desejo sexual. Platão, eu sou Platão. Platão ambos queremos que isto dure para sempre. Platão podias acreditar por mim. Hoje tenho medo do escuro e sou uma criança de sete anos. Platão hoje estou frágil. Platão isto que digo não significa coisa alguma.

Estou cansada de tudo isto. Estou cansada de não te poder beijar e ser penetrada por ti neste amasso que somos um. Estou cansada. Estou derrotada.

Eu, Platão. Estou farto disto porque ainda não deixei o sexo tântrico. Porque ainda não tornei as minhas fantasias realidade. Porque ainda não entendi se isto entre nós, meu caro colega Platão. É jogo ou amor. É atracção física, paixão ou coisa alguma. Sei que te amo e que o resto me parece insignificante como peças de encaixes diferentes que se encaixam na perfeição. Um dominó sem partes iguais. Um xadrez sem bispo nem diagonais. Um amor cansado e com garra. Porque o ciúme também se sente, ainda que o respeito seja mais forte. Será amor? Será jogo? Será fogo a pegar? Será vingança?


Não sei se é vingança, meu caro Platão. Sei que hoje sou uma miúda frágil, completamente desprotegida, mas que sabe o que quer. Sei que estou cansada e que a ingenuidade me cai na perfeição. Hoje sou tua.


Hoje sou teu.

sábado, 5 de novembro de 2011

O problema de saber tudo está na dimensão.

Prever o momento a seguir porque humanos funcionam como peças de encaixe perfeito. Saber tudo é um problema. Saber o que o outro está a pensar e a sentir, saber o que vai acontecer a seguir, sem tentar antecipar o acontecimento. Apesar de saber tudo, respeitar o mundo e o ritmo dele, com uma certa indiferença.
A plenitude está na indiferença. A postura rotula a percentagem de felicidade. Quando se sabe mais que o suposto não se deve mostrar porque assusta.
Saber que a namorada do Afonso o trai, só por olhar para ela. Saber que o teu Pai vai às prostitutas. Saber que a tua namorada diz-se fiel e te anda a trair com o padeiro. Saber que o teu médico te receita anti-depressivos e está a passar por uma depressão. Saber que o juiz tirou a pena ao criminoso porque faz amor com a prostituta. Saber que o presidente da junta de freguesia trafica cocaína. Saber que o teu psiquiatra é viciado em cocaína. Saber que a tua mãe acabou de abrir as pernas na secretária do patrão. Saber que o teu irmão, que se diz heterossexual está neste momento a dar quatro patas ao melhor amigo e a levar por trás. Saber que a tua mãe e o teu Pai são viciados no casino e estouraram a fortuna da família no casino. Estão na penúria. Saber que as leis são impossíveis categóricos. Fingir que não sabes de nada. Cerrar os olhos. Ignorar. Indiferente, fingir. Tratar as pessoas com ingenuidade para o mundo parecer belo. Isto tudo porque a vida é bela.
Saber tudo não é um problema. No mundo não há problemas. Há pontos de vista. O dinheiro são números, as pessoas são rebanhos acostumadas a que tomam as decisões por elas e que o mundo corra em torno delas. Fingem sentir a crise porque na televisão anunciam medidas de austeridade. O mundo dá voltas, o relógio avança sobre uma concepção de tempo que não existe.
Uma Constituição em falácia. O tempo avança, a história globaliza-se, o globo industrializa-se. Os supostos problemas de hoje são os mesmos de há dez séculos atrás. Estão na dificuldade em aceitar que o poder e submeter-se aos poderosos. Querer um líder, porque ser líder de ti próprio cansa.
Escritores, pensamentos, filosofias. Cansa. Tudo cansa. Nada
e verdade.

O tempo parou porque nunca chegou a existir.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tempestade poética.

Sensacionismo bucólico,
Futurismo

Falta dele.

Futurismo.

Poesia.
Poesia.
Chuva.
Chuva.
Está a chover no meu quintal.
O meu mundo tem paredes.

O meu mundo é surreal.
Bim bim. Bum bum pau.
Pum pum pim pim
Zááááááááááááás.

O mundo é controverso.
Eu escrevo em verso.
O mundo é dicção.
P-O-R-T-U-G-A-L.


O Poema é uma tempestade.
Um poema é ciúme.
O poema é realista,
Um poema é neo-realista,
Um poema é fantástico.
Um poema é merda nenhuma.

Bum bum bum bum pau.

Bum bum bum bum bum bum pau. Pim pim pim pim
Não me fodas a cabeça a mim.


Pum pum pau.
O bocage era um calhau.

Záaáááás.
Zááááááááááás!!!!

Záááááááááááááááááááááás!


BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM
BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM
BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

Que se foda a Orpheu.
Que se foda o Caralho do Bartolomeu.
Que se foda a puta que o pareu
Porque a que o pariu
Fugiu
Comigo,
Meu amigo.

Meu caro Watson, elementar:
Eu estou com vontade de cagar.
A poesia é foda, é coito,
É biscoito, é oito,
É viva e é roda.
É a rosa peixeira,
A fazer um broxe na algibeira.

É o Ary a foder os santos,
O Fernando a dar no cu da Pessoa,
O Sá-Carneiro a broxar nos bancos.
O A-Berto lunário
A levar no cu do vigário.
É o Shakespear a comer o William.


É uma orgia, é a puta que os pariu.
É roma, é a antiguidade clássica.
É a prática
A dar no cu, a levar nele.
A comer à mesa com a cocaína,
Da tia adelina.
É Felizmina
Que prostituta,
Porque ser puta tá caro
É um escarro.
É um sapato rasgado.
Um colhão apertado.
O sémen a deitar para fora.
A ejeculação pelo cu.
A levar a próstata
Ao doutor Casa.
E a puta que o pariu.

Fode no cu. Fode. Fode. Já fodeu.
No cu, já foram tantas, que desta vez não doeu.

Que se foda a poesia.
Que se fodam os aplausos.
Que se fodam vocês e eu também.
Porque não há ninguém.
Que se foda tudo.
Não há revolta.
Que se foda a revolução francesa.
Que se foda o Danton,
Que se foda o Robespierre
Que se foda a mulher,
Que se rebente no cu a poesia
Em todos os paneleiros.
Porque do mundo está ele cheio.

Eles rodam e comem no cu,
Os heteros dizem que não gostam
Mas vão as putas pedir que lhes enfiem o vibrador no cu.

As mulheres em casa, são santas,
Fora dela. Comem os patrões.
Ninguém come o que tem.
Porque almoçar fora é mais barato
E é melhor para esvaziar os fluídos vaginais
E rectais.

Que se foda toda a gente.
Porque toda a gente mente!
Toda a gente ama!
Toda gente trai
Toda a gente finge não trair.
Toda a gente que se foda! Que se foda toda a gente!

Mentirosos!
Criminosos! Falsos moralistas!
Falsos estadistas!
Falsos intelectuais!
Que se acham mais
E nada! E nada! E nada são!
Todos a coçar a prostáta.
Heteros de merda!
Paneleiros de merda!
Putas de merda!

Anos de merda.
Fantasias.
Alegrias.
Masturbação.
Mentira.

Bum Bum pau
Puta que chupou.
Puta que pariu e eu vou.

O Amor é Poesia.

Amar como quem ama o vento,
Amar como quem ama a tempestade,
Amar como quem ama a velha idade,
Amar como quem ama um rebento.

O amor é um conceito artístico,
O amor move a arte, vontades;
O amor é um jogo de interesses:
Não dos que eu tenho,
Dos que eu gostava que tivesses.

O amor é acomodar-se à conceptualização
Dele mesmo; Para assim mover montanhas.
O amor pode ser beijar como pessoas estranhas,
Pode ser sensação, emoção,
Ou falta delas.
Há em mim uma tempestade poética:
Que cruza a linha do absurdo com a ética.
Construo um poema sem estética,
É a emoção pragmática.

Circulos convexos,
Como universos disconexos
Sobre uma utopia do eu,
Não do meu, do teu.

Palavras tempestuosas
Que desconstróiem a acção,
Que mostram a liberdade.
O livre-arbítrio não existe,
Com ou sem Erasmo de Roterdão.
É uma questão
De conceitos. A liberdade, se existe,
Não se faz de conceitos.

Eu penso um poema,
Eu penso uma pessoa,
Eu construo o mundo.
Eu escrevo o mundo.

A imagem é a semelhança de Deus,
Deus, se existe, está em mim.
Nada mais há para além dum pensamento.

Deus virou as costas ao mundo.


Eu penso, eu delibero.
Eu eugenizo o mundo.

Não sei o que pensar,
Penso eu mesmo!
Palavras e letras.
Letras e palavras,
Ai! Como eu estou farto delas.
Como eu estou cansado delas.

Dói-me a alma. Mas ela já não está cá.

Foi com Deus.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Poesia do três.

São três horas,
Tenho três casas
Cada uma tem três quartos.

O meu triângulo tem três pontas
Estou a ler três livros.

O vazio é contemplativo,
Porque na realidade eu não quero dizer nada.

Se eu pensasse em dizer alguma coisa,
Certamente não chegaria a dizer coisa nenhuma.

Já pensei em muitas coisas,
Mas nenhuma delas foi efectivamente pensada.

A melancolia é solitária como as bichas.
Batem de leve na minha porta,
Porque eu estou a dormir e têm medo que acorde.
São duas dúzias de pensamentos,
Porque o resto no mercado não se vende.


Eu não sei o que digo, porque nunca pensei muito em tentar dizer alguma coisa.
O Eurico beija-flores, eu beijo a mulheres.
Mas se o Fernando for Pessoa, eu sou gente. Eu tenho calor.
E se o Mario sabe a Carneiro, eu prefiro comer a Ophélia.

As putas e o vinho verde, porque o vermelho está caro.
Todas as mulheres são putas menos a minha,
Toda a alma tem prisão de ventre, menos a minha.
Todo o tédio tem uma luz, menos o do Fernando Pessoa.

Todo o Wilde tem um Oscar,
Todo o Socrates é imoral.
Todo o racionício é inválido.

E toda a loucura é sagaz.

Jogam as palavras na minha casa.
Jogam as palavras na minha casa.
Jogam as palavras na minha casa, porque a do vizinho está ocupada.

A piada não tem piada,
A piada não tem piada.


Eu não tenho piada,
Eu não quero ter piada.
Eu quero-me rir,
Eu tenho sono.
Eu tenho sono.
Eu sou louco.
Porquê? Porque sou louco.


Eu durmo. Eu durmo. Eu já dormi.