UM Lúcia fecha a porta. O João arregala os olhos e despe-a com a subtileza do olhar. É Inverno e a lareira está acesa. Do outro lado, a Marta pega nos Maias e começa a ler. Sente um asno profundo, é a sua primeira sensação ao tocar. Um livros com demasiados caracteres, uma mancha gráfica demasiado acentuada para um olhar ingénuo de dezassete anos. Pelo olhar descobre-se o mundo, pelo olhar cria-se o mundo. A Lúcia acabou de se deitar em cima do João. A cura na procura de um veneno perfeito, tornou-se impossível. A vontade de tocar foi mais forte. O perfume tinha demasiado sabor para poder estar ali. A penetração foi sagaz, o coito tornou-se o odor perfeito na troca de sensações únicas. O João adormeceu. A Lúcia cansou-se de tentar dormir e apoiou-se no parapeito da janela. Era mais uma insónia. Com os cabelos no ar, decide pôr um pé sobre o outro, de forma a manter o equilíbrio. Decide saltar. Caiu de um sétimo andar. DOIS Amadeus entra no carro. Caiu mais uma chamada...
Desaperta-me os botões com a boca. Voltas atrás, decides começar por me despir a camisa, com a fúria rasgas-me os botões, puxas-me o cabelo. Acalmas-te: lambes-me o mamilo, começas lentamente, arrancas-me as calças. Chegas a mim e depois de me lamberes o corpo todo, fazes-me um broche. Eu não aguento mais, quero que pares para não me vir. Tu insistes em continuar. Apetece-me espetar-te contra a parede. Encosto-te contra a parede, estás ofegante. Eva, chamo pelo teu nome. Hoje escolheste tratar-me por Miguel. Berras para que te espete com força. Esqueço-me do preservativo. E rezo para que o processo de gestação acelere, que o filho seja feito e nasça exactamente naquele momento. Eva, és linda. As tuas curvas. Eva, quero foder contigo. Eva, hoje estou desejoso por foder contigo. Eva, quero mesmo foder-te. Hoje fazer amor não está comigo. Quero desfazer-te contra a parede, lisonjear o carnal. Rebentar-te as entranhas, até que chegues ao clímax. Apetece-me foder-te até ao fim. Apetece-...
Não é preciso ser muito inteligente para se dizer o que quer que seja. É simplesmente útil ser-se ignorante. Porque para quem sabe e sofre, nada precisará de saber, haverá somente de se continuar a sentir inútil e sozinho porque sabe, sabe que nada sabe. Nem sempre quem diz alguma coisa, atrai multidões pela sua capacidade de persuasão, sabe efetivamente alguma coisa. Admiro solenemente quem sabe alguma coisa, pois eu ainda estou à procura das que sei. Não tenho completa nem incompleta certeza nenhuma, reservo-me somente todas as incertezas do mundo. Se tiver que ser ignorante, que o seja, pois não vou querer saber nada. Posso até cair no ridículo de mim mesmo, de escrever de forma rude e calão, de parecer abraçar movimentos vanguardistas mas eu serei sempre uma indefinição que parece, por vezes, fácil de definir. Gosto de ouvir os outros a falar, porque os construo e construí-los é escutá-los. Posso ouvi-los, senti-los, tocá-los, virar o odor de todos eles como páginas gastas da...
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