Que as ruas se encham de poetas Poetas que trabalham E poetas sem ofício Porque há que fazer sacrifício! É indigno Um poeta ter que procurar emprego Seja flora intestinal ou brincadeira do destino Que o poeta saia ileso Há quem dite as leis Que para todos os bordéis Hajam papeis Para os magos e Reis Um poeta é poeta E não lhe é digno o desemprego Porque ouro não é dinheiro E se poesia não vale ouro, Jesus Cristo não foi Profeta Que todas as palavras façam greve Para que os humanos sintam de leve Que é grave. Um poeta só escreve Não é digno quererem Que o poeta suje as mãos Já sujas de tinta Enquanto uns dormem Venham para as ruas os poetas Porque é tempo de trabalhar Deixar as rimas Porque há contas a pagar Há que pagar casa E ter emprego Para comer na brasa E dormir em sossego Amigos são amigos E a amizade ainda não vale dinheiro Ainda que sorrisos Não me encham o mealheiro Eu prefiro ter um amigo A viver sozinho Faço pernas ao caminho E...
UM Lúcia fecha a porta. O João arregala os olhos e despe-a com a subtileza do olhar. É Inverno e a lareira está acesa. Do outro lado, a Marta pega nos Maias e começa a ler. Sente um asno profundo, é a sua primeira sensação ao tocar. Um livros com demasiados caracteres, uma mancha gráfica demasiado acentuada para um olhar ingénuo de dezassete anos. Pelo olhar descobre-se o mundo, pelo olhar cria-se o mundo. A Lúcia acabou de se deitar em cima do João. A cura na procura de um veneno perfeito, tornou-se impossível. A vontade de tocar foi mais forte. O perfume tinha demasiado sabor para poder estar ali. A penetração foi sagaz, o coito tornou-se o odor perfeito na troca de sensações únicas. O João adormeceu. A Lúcia cansou-se de tentar dormir e apoiou-se no parapeito da janela. Era mais uma insónia. Com os cabelos no ar, decide pôr um pé sobre o outro, de forma a manter o equilíbrio. Decide saltar. Caiu de um sétimo andar. DOIS Amadeus entra no carro. Caiu mais uma chamada...
As regras sociais fogem da regra As regras socias são uma generalização apressada Os estereótipos são falácias. A moda segue a moda A organização social é ilusória Mentiras. Mentiras. Mentiras. Crenças dúbias. Eu acredito em mim. Egocentrismo, finalmente.
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