Mensagens

Conversas informais.

Divaga o fumo do absurdo. Encaminho o desejo e o ensaio do pensamento. Fecho as portas, abro a cortina, cancelo a viagem, pego na trela, ato-a ao pescoço e sufoco. Curiosidade e auto-mutilação, em busca de uma dor que nunca foi minha. ... Os vidros à minha volta quebram em flecha. Corrompo o quotidiano, Sentir nunca foi pensar o sentimento. Pré-frontal das minhas mágoas, Culpas distantes na dificuldade em as assumir. Trabalho árduo. Caminho íngreme E distância de ser alguma coisa. Tédio e náusea, Plágio e originalidade.

Barco do Amor.

Ardem as chamas do Inferno que em mim corre como se nada fosse, Ardem as chamas do Inferno que em mim corre como se nada fosse, Ardem as chamas do Inferno que em mim corre como se nada fosse! O Tempo que corre, nunca chegou a correr, ... Porque morre, morre, morre em mim e morre só, Eu nunca pensei, eu nunca sonhei. Eu nunca quis ler, eu nunca quis pensar ou sonhar sequer. Em mim tão pouco corre alguma coisa, Para além de vozes altas, elevadas ao seu máximo, Em que decibéis explodem com os meus tímpanos, Corre, porque nunca chegou a correr nada. Sinto, porque nunca cheguei a sentir sequer alguma coisa, A voz, alta, lido, quando sinto que nunca senti nada Para além de um vazio que não pode ser considerado sentir. Uma representação de peças sobrepostas como se em mim nada houvesse para além de uma simples representação, Não há mais nada! Nunca houve nada! Para quê dedicar alguma coisa e investir em nada!? Basta! Basta de mentir! Basta de fingir! De compactuar com ...

Surrealismo

O silêncio do vazio de uma mente é uma metáfora. Entra em mim um cigarro que penso, Por sons repetitivos que me purgam. Há metaliguagem em saber o vazio. Palavras bonitas não passam de palavras bonitas, Verdades são insaciáveis ao ser alguma coisa. O pensamento é demasiado livre para reflectir sobre ele. Escrever é para os loucos, pensar que escrever pode querer dizer alguma coisa É para os loucos que não se crêem como loucos. Liberdade é sentir que em mim zela O que não zelará nunca.

Medo.

Vozes em quebra-cabeças: O mar é só mar. O ar é só ar. O céu é só céu. A terra é só terra. Não se questiona o que sabe, O medo surge da questão dele mesmo. O pensamento não pensa, É apenas pensamento.

A Filosofia é uma falácia.

A vida é um pedaço demasiado pequeno para me dar liberdade para pensar que o amanhã será diferente. Uma lógica toca, como marcha fúnebre, na minha cabeça. Tenho vozes na cabeça que me dizem coisas, que pensam por mim, Que me dizem o que sou, O que devo ser. Tenho vozes na cabeça Que parecem macacos Ou rolos de papel sem fim Tenho cenas que remontam e tocam um Futuro poético Há uma estranha e devastadora sensação em querer ser alguma coisa, Uma completa falta de sensibilidade e de articulação, Sonho e concretização não andam a par, A não ser que se torne o sonho objectivo, O que faz como que este deixe de ser sonho. Ler ou não ler, é algo completamente irrelevante, Ler dá-nos informação, Mas não nos diz nada. Para passar o tempo a fazer uma coisa por fazer, Prefiro dormir e ser contaminado pelas vozes da minha cabeça, Ou por não dormir quando as ouço em mim e elas me impedem de dormir Conduzindo-me a uma insónia severa e profunda Que quase me leva ao auge d...

Obscenidade.

Obsceno é a falta de verdade, A fuga ao que somos e ao que queremos. Obscena é a fome que tenho, É o desfoque que tenho nos olhos quando vejo. Mentira é o que corre e não alcança, É a valsa que construo, Há um jogo e uma falsa vontade nas imagens criadas E nas imagens que correspondem a uma suposta realidade. Uma mentira tem muito mais proveito que algo que É verdadeiro, Não há criação, Há coisas que o não são. Jogo fora o cansaço e penso a realidade. Penso realmente? Estou cansado e é tudo, Há um cansaço imenso em querer penetrar os meus ouvidos Com verdades fúteis, mesquinhas que o não são. Uma doença imensa em que dói, Mas não me consegue doer, Só tenho dó, Dó de ouvir, Dó de por vezes fazer parte de um jogo que não escolhi jogar. Pessoas são absurdo, Ou o não são. Mas jogam e laqueiam em si a verdade. Desconstrução, do que está por construir, algo absurdo, Assente em qualquer coisa. Pessoas mentem, vozes caem em saco roto, Só ouvem as ...

Múltiplo.

Há um Sol imenso Em não ver Sol nenhum. Não sei se falo, Não sei se digo, Não se sei se penso. O tempo, ainda que parado, Continua a contar. Reviro e desenho a imagem do tempo em mim. Conceptualizo o vago, Já não penso. Corro e rasgos de areia entranham-se na Verdade, Na Verdade que há em não haver Verdade nenhuma. Represento peças e múltiplos Universos recrio a Verdade. Não sei o que digo, Não sei a liberdade, Não sei a Verdade. Despojo de sensações, Há Verdade e não verdade, Ou talvez não haja nada disso. Realidade e irrealidade, Não as há em mim.