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Plenitude.

A vida é um caminho íngreme onde a serenidade é um estado possível, eu abraço-a todos os dias. Afastei as minhas lacunas, para poder viver tranquilo, poder viver comigo mesmo. Sinto-me bem por existir, por ser quem sou.

Fronteira.

Há sempre uma fronteira entre o Passado e o Presente. Há sempre uma fronteira entre o Presente e o Futuro, por vezes temos que saber fazer um refresh ao que nos rodeia. Nós somos o que nos rodeia. O lixo faz de nós lixo. Hoje filtro o meu Passado e guardo o que me convém. A vida é simples e eu sei que o meu caminho está traçado, vou beijar a glória que me espera. Sou grande, sou inteiro. Eu estou a conseguir ser quem quero, não há ninguém melhor que eu. As palavras vão contemplar o caminho que tracei, onde pessoas vão querer beijar-me os pés, para que o relógio dê umas pequenas voltas para trás. Hoje é o primeiro e o mais belo dia da minha  vida. Descobri quem e o que sou. Obrigado Deus, Obrigado. Acordei. Comecei.

Anti-estático.

Berros mudos na ânsia de serem ouvidos. Pessoas corrompem o que impele estabilidade. Pessoas gostam de flirtar. Cai na minha cabeça uma voz que não tenho, um pensamento que não penso. Cai no meu estado de humor a apologia da solidão, o abandono dos que amo. Ninguém quer nada, toda a gente tudo. A insatisfação e a ingratidão são comuns. Rendo-me por esta noite, rendo-me por esta noite. Só por esta noite, tiro as barreiras. E fico sozinho, num sítio onde sou intocável.

Geração Neoplatónica.

Geração que se toca no teclado, geração que ouve no telemóvel, geração inteligível. Geração afísica, geração quase assexual. Tudo com que Platão sonhou, somos nós. O amor de Platão está no século XXI. Geração pura, geração amoral, geração pedestal. Platão, eu existo. Não acredito em nada disto. Ler Damásio, ser dissuadido pela loucura. Ler Pessoa, ser eu mesmo. Ler Sá-Carneiro, atestar ao suicídio. Ler João Negreiros, comprar um Renault 5 pelo preço dum Bentley. Ser puro, sem deixar o social exacerbar a existência. Não ser comedido nas palavras, porque elas não se gastam, são um recurso finito que gera frases infinitas. Casaria com Karl Marx, mas sou capitalista. Casaria com a bandeira americana, mas mijava-lhe em cima. Teria os olhos rasgados e seria a economia asiática, mas sou pobre. Ouvir musica, cuspir cultura. Intelectuais falhados, que usam e abusam da cultura, comportam-se em estereótipo, rejeitam o natural, rejeitam o conhecimento sobre o conhecimento. Pobres...

Conversas informais.

Divaga o fumo do absurdo. Encaminho o desejo e o ensaio do pensamento. Fecho as portas, abro a cortina, cancelo a viagem, pego na trela, ato-a ao pescoço e sufoco. Curiosidade e auto-mutilação, em busca de uma dor que nunca foi minha. ... Os vidros à minha volta quebram em flecha. Corrompo o quotidiano, Sentir nunca foi pensar o sentimento. Pré-frontal das minhas mágoas, Culpas distantes na dificuldade em as assumir. Trabalho árduo. Caminho íngreme E distância de ser alguma coisa. Tédio e náusea, Plágio e originalidade.

Barco do Amor.

Ardem as chamas do Inferno que em mim corre como se nada fosse, Ardem as chamas do Inferno que em mim corre como se nada fosse, Ardem as chamas do Inferno que em mim corre como se nada fosse! O Tempo que corre, nunca chegou a correr, ... Porque morre, morre, morre em mim e morre só, Eu nunca pensei, eu nunca sonhei. Eu nunca quis ler, eu nunca quis pensar ou sonhar sequer. Em mim tão pouco corre alguma coisa, Para além de vozes altas, elevadas ao seu máximo, Em que decibéis explodem com os meus tímpanos, Corre, porque nunca chegou a correr nada. Sinto, porque nunca cheguei a sentir sequer alguma coisa, A voz, alta, lido, quando sinto que nunca senti nada Para além de um vazio que não pode ser considerado sentir. Uma representação de peças sobrepostas como se em mim nada houvesse para além de uma simples representação, Não há mais nada! Nunca houve nada! Para quê dedicar alguma coisa e investir em nada!? Basta! Basta de mentir! Basta de fingir! De compactuar com ...

Surrealismo

O silêncio do vazio de uma mente é uma metáfora. Entra em mim um cigarro que penso, Por sons repetitivos que me purgam. Há metaliguagem em saber o vazio. Palavras bonitas não passam de palavras bonitas, Verdades são insaciáveis ao ser alguma coisa. O pensamento é demasiado livre para reflectir sobre ele. Escrever é para os loucos, pensar que escrever pode querer dizer alguma coisa É para os loucos que não se crêem como loucos. Liberdade é sentir que em mim zela O que não zelará nunca.