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Hoje apetece-me foder contigo, Eva.

Desaperta-me os botões com a boca. Voltas atrás, decides começar por me despir a camisa, com a fúria rasgas-me os botões, puxas-me o cabelo. Acalmas-te: lambes-me o mamilo, começas lentamente, arrancas-me as calças. Chegas a mim e depois de me lamberes o corpo todo, fazes-me um broche. Eu não aguento mais, quero que pares para não me vir. Tu insistes em continuar. Apetece-me espetar-te contra a parede. Encosto-te contra a parede, estás ofegante. Eva, chamo pelo teu nome. Hoje escolheste tratar-me por Miguel. Berras para que te espete com força. Esqueço-me do preservativo. E rezo para que o processo de gestação acelere, que o filho seja feito e nasça exactamente naquele momento. Eva, és linda. As tuas curvas. Eva, quero foder contigo. Eva, hoje estou desejoso por foder contigo. Eva, quero mesmo foder-te. Hoje fazer amor não está comigo. Quero desfazer-te contra a parede, lisonjear o carnal. Rebentar-te as entranhas, até que chegues ao clímax. Apetece-me foder-te até ao fim. Apetece-...

Espelho.

Distância de um pensamento, de um passo que não vou dar para te poder admirar à distância. Olho-me em ti. Todas as minhas imperfeições são perfeitas em ti. Uma semente que se tornou flor para nunca morrer. Aceitar o destino. Sou verdadeiro compulsivo. Entro num processo de convulsão. A combustão do que sinto. Olheiras a rasgar os olhos sem sono por querer dormir. Criar peças e verdades por ter dificuldade em viver mentiras. Nunca me conheci tão bem como tu me conheces a mim. O legado de duas vidas por só poder ter uma. Coisas que não compreendo por as entender demasiado bem. Um pensamento. Abstracto. Duas metades imperfeitas que se contemplam ao ponto de encaixarem na perfeição. A minha personalidade fica-te tão bem. A minha camisa no teu corpo ganha outra vida. Os meus pecados cometidos por ti são uma dádiva. A perfeição. A beleza cansou de não poder ser mais que beleza. A fénix renasceu. As cinzas são ciclos de vitória. O pó. O pó foi um oposto ao que penso. O pó ergueu-se par...

Acho que sinto a tua falta.

Não sei porquê, mas acho que sinto a tua falta. Talvez eu exista e tu não existas, ou tu existas e eu não exista. Sejamos ambos percepções um do outro, concepções demasiado imperfeitas para poderem estar conectadas. Ouvi a tua voz em palavras mudas. O silêncio da tua voz é magnífico. Brindemos. Eva, sorri, Não vais morrer. Do meu quarto vejo a lua. Está cheia. Estou carregado de livros e memórias. Memórias do que sou. Porque o que fui já foi. Eva, o sistema de ensino é demasiado chato, não achas? Quero dizer tanta coisa e não quero dizer nada. Estou a acabar o livro. A tua prenda que não é uma prenda tua. Abraço tantas causas e projectos que acabam por não passar disso, causas e projectos. Isso é bastante belo. O sonho é bonito enquanto sonho. Mas está na altura de concretizar o sonho. Ainda que deixe de ser sonho e passe à realidade. É tempo. A vida é bonita e tu és linda como ela. Simples. Tudo o que eu quero e não posso ter. Vem comigo ver o rio. O cigarro acabou. Deita-te e...

Amadeus.

UM Lúcia fecha a porta. O João arregala os olhos e despe-a com a subtileza do olhar. É Inverno e a lareira está acesa. Do outro lado, a Marta pega nos Maias e começa a ler. Sente um asno profundo, é a sua primeira sensação ao tocar. Um livros com demasiados caracteres, uma mancha gráfica demasiado acentuada para um olhar ingénuo de dezassete anos. Pelo olhar descobre-se o mundo, pelo olhar cria-se o mundo. A Lúcia acabou de se deitar em cima do João. A cura na procura de um veneno perfeito, tornou-se impossível. A vontade de tocar foi mais forte. O perfume tinha demasiado sabor para poder estar ali. A penetração foi sagaz, o coito tornou-se o odor perfeito na troca de sensações únicas. O João adormeceu. A Lúcia cansou-se de tentar dormir e apoiou-se no parapeito da janela. Era mais uma insónia. Com os cabelos no ar, decide pôr um pé sobre o outro, de forma a manter o equilíbrio. Decide saltar. Caiu de um sétimo andar. DOIS Amadeus entra no carro. Caiu mais uma chamada...

Dorme bem.

Do meu quarto vejo a lua e pego num esquadro. Vou brincar aos traçados geométricos. Ela está cheia, à minha frente vejo Afrodite, à esquerda está o Ícaro e aqui sentado ao meu lado está o Baco. Está calor e frio. Tenho sono. Vou dormir.

Jardim dos charros.

Ócio. Contemplar a beleza que percorre a faculdade, entre palavras amigáveis. À medida que as palavras correm e a viagem acelera, só me lembro de agradecer à faculdade por ter uns azulejos tão assustadores no meio de um jardim tão encantador. Amo-te, charro. Entro na orgia intelectual. E o movimento dos quadrados acelera e faz-me sentir que o meu inconsciente veio ao consciente para criar. Dois dias em beleza porque te amo. Mas, Ofélia... Eu vou ter com o Platão à biblioteca. Desculpa, mas eu, o teu "Persona", vou para a biblioteca ter com o Objecto da minha Paixão. Ofélia, porque me tratas por Persona? Se, "Persona era o nome da máscara que os actores do teatro grego usavam. Sua função era tanto dar ao actor a aparência que o papel exigia, quanto amplificar sua voz , permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores."   Ofélia, eu quero dormir com o Mario de Sá-Carneiro. Artista de circo, eu existo, eu não represento. Deambulo nas tuas entranhas minha qu...

Haxixe.

Já pensaste que o mundo é um complexo de telas sobrepostas que tu pintas? Estou todo pedrado, mas não estou todo pedrado. Não posso estar todo pedrado porque não consumi nada, eu não consumo nada. Para me convencer a mim mesmo que sou puro. O mundo é demasiado ilegal para eu me sentir bem nele. Só me sinto bem no teu, onde te abraço e acordo levado pelo teu abraço. Quero-te aqui sempre. Eu não quero ser como tu, consumir droga. Quero consumir-te a ti. Consumir o amor que tens para me dar. Sabes que te amo.