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Oração do Poeta

Gato morre cão Pássaro morre sapo Homem morre não Humano vive não Poema sabe sim Poema soube não A luz da minha aldeia Sabe a dores de garganta Os olhos fecham abertos As aldeias morrem naturais Os poemas são surreais Que vivam os Pais Os pássaros estão loucos Cantam às quatro da manhã Ainda não é manhã Estou louco, bêbedo E ainda não álcool Estou embebido pelos meus olhos Que de lágrimas se cuidam Em poemas descuidados De verdades doentes Este é o poema Este é o poema Que se levante o Aleixo E não parta o queixo Com as coisas que vos deixo Passe a Pessoa E vos deixe à toa Como o rebanho do Caeiro Que queria cagar E não tinha como limpar o cagueiro O Bocage é o Rei Pena não ser Gay O A-berto ia gostar O Sá-Carneiro a cagar Com um cu por limpar Deve ao Fernando A poesia de quem vai andando Não escrevo mais nenhum poema Porque sou uma fonte de inspiração E para isso liguem a televisão Já pensei em escrever sobre o leitor ignorante Mas esse já não iria avante Porque uns escrevem Rap Outr...

Está tudo bem

Está tudo bem O pior já passou A memória é traiçoeira As pessoas invejam a tua beleza Invejam o teu sucesso Está tudo bem, estou aqui Vou estar aqui, está tudo bem Vem, vem, vem É difícil perceberes quem te quer bem, Estou aqui! A novidade é interessante Tens vinte números novos no telemóvel, Não sabes de quem são Agarraste duzentas pessoas, Não as conheces Eu posso fazer melhor, Estou aqui Está tudo bem Podes ouvir Não há nada Eu levo-te à saída Estou aqui Está tudo bem Estou aqui Fecha os olhos Está tudo bem O resto não passou de um sonho mau Estou aqui

Paz.

As pessoas estão na rua As pessoas estão aos saltos A noite entra pela janela Do meu quarto, As memórias do passado começam a surgir Intempestivamente; Cores, muitas cores Pessoas, muitas pessoas Muitas pessoas Muitas pessoas A noite corre demasiado depressa A única lembrança é a do acordar Está bom tempo É madrugada Os pássaros às cinco da manhã começam a encantar Restam as memórias Os momentos para contar histórias As pessoas são bonitas Apetece-me abraçar toda a gente

Solidão.

As pessoas passam despercebidas Na rua ninguém sabe quem são As pessoas estão carentes As pessoas eram contentes Sozinhas, livres, leves, vazias, Sozinhas.

Abismo

Ao longe uma parede, um tiro certeiro que vai em direcção ao escuro, o vago é agora a certeza absoluta de um espaço melhor para se viver. Uma bailarina caminha em direcção a um espelho. O espelho é banhado a ouro, um espelho é diferente dos outros espelhos. O espelho está a cerca de trinta centímetros. A bailarina desmaia. Fica a sensação de que o espelho não sabe o que fazer. Sobressaltado, decide atirar-se para cima da bailarina e desmaiar também. Descrição holística   A bailarina tinha dezassete anos de idade, duas irmãs, vivia nos arredores de Veneza, trabalhava durante o dia numa Academia, era boa aluna, os Pais haviam falecido num acidente de carro, morava com os tios, gostava de flores, dançava para se esquecer do desgosto de ter perdido dos pais. A mãe tinha sido bailarina profissional. Para ter a mãe presente na vida dela, usava um colar de pérolas que a bisavó ofereceu à mãe antes de morrer. A mãe gostava de cavalos, de música clássica e de balé, nos tempos livres...

Dispersão

Estou doente de amores Estou louco e ciente Estou consciente Estou cheio de lamurias e louvores A espada penetra-me a face esquerda do coração O tempo é linear O espaço é ar Fecho um poema ao pensar Estou louco e doente de amores Pela consciência de mim mesmo Que tenho ao saber quem sou Estou eu, estou tu, estou nada Estou tudo, tudo e no fim não sou nada Estou eu, estás tu, nós e nunca foi mais nada.

Uma questão de estilo

Estilo do vira Estilo do pinote Estilo do pequenote Estilo do chicote Estilo da lata Esquilo das latas Esquilo sem patas Poemas sem facas Poemas sem poesia Melancolia Devaneio Chovem estrelas Palavras Poemas Palavras Poemas Palavras Emoção Sensação Emoção Emoção Emoção Emoção João Poema Meu Irmão Teu DELES nosso DOS OUTROS DOS MEUS DOS TEUS DOS QUE SÃO NOSSOS POEMAS TEUS MEUS MEUS E TEUS E TEUS E MEUS E MEUS E TEUS E TEUS E MEUS E TEUS E MEUS E MEUS E TEUS E pratos e latas e gatos e gatas e latas e gatas e patas e facas Que são poemas e latas.