quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ser Feliz.

Há um tempo para ser feliz,
Eu sou.
Eu vou ser.
Eu continuo a devorar-me.



Nada chega, o que chega,
Nada diz o que diz,
Nada penso.
Sou feliz agora.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Tácito.

Lábios eloquentes
Desejos efémeros
Desejos deprimentes
Lábios eternos

Paladar adormecido
Sonho infame
Sonho esvaecido
Paladar arame

Olhar singular
Olhos desguarnecidos
Olhos a abnegar
Olhar inúmeros sentidos

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Protrair o Futuro.

Memórias de alma,
Apuros de quem finge,
Sinto intelectualmente
A inutilidade do sofrimento;
E sou feliz por sofrer,
Feliz por perder.
Bem com a distância.

A única forma de prolongar
O pedaço de realidade
É sonhando-a.

Não sei quantas mais vezes vou cair,
Estando em pé, erguido e seguro pela base,
Se é que alguma vez cheguei a não estar.

O amor é uma perdição
E eu ganho por o ser.
Ironia, desprezo e desmazelo
De quem nunca foi realmente.
Teci a minha teia e deixei-me enrolar por ela.



Minto se pareço
Sou feliz por sentir a liberdade.

Fechei os olhos e parti:
Sem dor e a sofrer.

Epígrafe.

Rasgo o vento
Que me escorre na face.
Vejo qualquer coisa além,
Para onde não sei
Desconstruo e desalinho
Estar desalinhado é estar.

Repetição do absurdo,
Em surdina vejo.
Dicionário de tentar existir.
Solto e além do escrito estou.
Não estou. Não penso.
Estou sempre a pensar.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Branco.

Olhar desvanece no tempo
Alento, intento o eu.
Ornato de quem não é.

O mundo circula.
Corre.
Estagna.
Palavra,
Chuva delas.

Pensamento não pensado.
Solto.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sacrifício do Ser.


Sento-me na poltrona do meu Ser e encaminhando a verdade dos dias, desenho o meu Ego.
Sei o dia que me toca, o timbre de me ouvir pensar, escuto o meu sonho e pensamento como verdade absoluta, em que a única verdade é a de que não há verdade nenhuma.
Nunca me preocupei muito em pensar alguma coisa, o meu Ser fá-lo por mim, algo presente para além do que nunca esteve, ganha vida o que nunca a teve – sonho a realidade, tenho peças dentro de mim.
Absurdo, inconsciente libertado ao seu cume, assassina o dito Ser, para dar vida ao que é verdadeiro em mim. Sou mais lobo menos homem, mais outro menos eu. Eu sou eu e os outros, dentro de mim tenho-me a mim – ter-me, se é que realmente tenho alguma coisa, é ter os outros.
Faço deles minhas marionetas e descubro-lhes um destino, não o deles, mas o que lhes quero dar.
Putas transbordam beleza, são sinceras, são artistas – ser puta é ser artista entregando o corpo em desmazelo do mesmo e da emoção, focando-se no sentimento de ter dinheiro – é a arte de se possuir a si mesmo, a arte do Ser.
O dito artista, recria, emociona-se e vive o belo, o horrível, o belo horrendo e julga-se pensante! Desengane-se! Não é artista e tão pouco pensa.
Ser artista é não ser coisa nenhuma digna desse nome. É saber estar, sem estar catalogado. Não há artistas que o são em segredo, não há artistas simplesmente.