terça-feira, 31 de janeiro de 2012

As paredes são areia movediça, os meus desejos são o absurdo, as minhas barreiras são todos os medos do mundo. A segurança é para os fracos. Saltei de cabeça.
Vou tomar banho. Fazes-me falta.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sinto uma dor e choro


Rasguei o teu ventre com palavras gastas.
O sono cessou a vontade de dormir,
Expressão é uma indulgência
Demência

Dói-me a racionalidade
Sinto no pré-frontal
Toda a cultura pelos
Erros cartesianos

Arranjo estético
Dois cumprimentos
Pela falta de ética
Estou vencido pelo cansaço
Estou vencido pela falta.

Estou cansado.
Estou cansado.

Os meus olhos morreram naquele momento
As palavras foram gastas
Estou cansado.
Estou cansado.

Pudesse eu compreender
Todas as coisas do mundo
Sem ter que as sentir
Pudesse eu deitar-me à beira-mar
E ver o vento com o tacto


Expresso tudo o que está para haver
Entre mim e o absurdo
Para não ser nada
Ninguém
Nem coisa nenhuma

Matar todos os chocolates
Com a carência
Matar todas as carências
Com água e da benta

Acordar dois dias depois e já não sentir nada

Ter dificuldade em compreender o normal andamento das coisas
Porque sinto e sentir de forma hiperbólica
É uma patologia condenável e um acto insaciável
Morro naquele momento em que já não sei o que dizer.

Dois beijos soltam-se e morro,
Porque quero ter. Abrigo-me da chuva
Não que tenha medo
Mas gosto de evitar os riscos
Não por cobardia
Mas por negligência

Remeto para o Futuro porque o Futuro é sempre mais fácil
Quero todos os momentos do mundo.

Quero acordar e ter do meu lado,
A caixa de música com uma bailarina
Tocar e entrar na caixa

Não pela banalidade ou acto carnal
Porque de prazeres físicos está o mundo cheio

Eu quero ter um porto, estacionar
Abrigar-me. E saber que as minhas palavras não são laivos,
Vícios ou banalidades
Rapo em mim todos os movimentos do mundo.

As lágrimas que estão para caiar,
Os dias que estão para vir.

Uma sensibilidade de quem quer dormir e não pode
Porque pensar demasiado é anormal,
Mas... um dia...; quando eu for poeta,
Saberão o meu nome
E serão rasgadas páginas com o meu nome
Haverá um louco que me tente interpretar
E ainda mais, o louco que me queira compreender.

O consumo é coisa mundana e doente.
A boémia é coisa dos poetas,
Por isso é que nunca fui poeta.

Dói-me tudo por poder pensar e não chegar a pensar em nada.
Dói-me tudo por dentro.
Um poema que penso
São dias resguardado no teu abraço

Beijar, bocejar, querer, poder.
Jogos de cintura; Não faz parte de mim!
Não querer e quando não valorizo tenho.
Que todas as mulheres se cansem do meu nome
Que a única que amo foi a que me deu o ventre para eu nascer
Poderá ser fatalista, ser um devaneio,
Ser o que for.

Podem passar dois dias em arranjos poéticos,
Uma métrica de descargas emocionais
Podem passar três meses,
Podem chorar três nadas
E eu o único que quero é uma casa,
Rio e plenitude,
Irei retirar-me de tudo o que for dos mortais

Eu só quero poder ter,
Nunca fui de possuir
Mas gosto da certeza de me poder sentir inteiramente
Parte integrante dalguém que existe
E posso tocar, olhar, sentir
Mais que beijar, possuir e expelir
Mais que qualquer tipo de sexo ou vontade
Porque as tenho mas eu não quero isso.

Se eu soubesse quem sou,
Talvez fosse menos Fernando e mais Pessoa.

Se eu soubesse criar,
Fosse mais certeza e menos insegurança.

Cai um prato em ovos moles
O meu corpo é um doce de limão,
O meu corpo é um pedaço de chá
O meu corpo é a tua voz que se divide
Pela amargura da minha

Passo na tua porte e sinto que me vês
Resguardo qualquer palavras
E vendo o meu nome,
Vendo tudo.

Fecho os olhos e espero que a inquietação
Seja vendida nos saldos,
Vou fechar o meu nome em palavras seladas
E despedir-me assim deste estilo de vida,
Destas pessoas que nunca chegaram a saber quem eu sou
Relembrando sempre quem fui
Destas pessoas passageiras,
Com emoções recatadas
Pelo pensar qualquer coisa
Sentir sem saber

Despeço-me e vou ser alguém.
Eu sou.

Fechei os olhos e adormeci, pleno, num banho de imersão. Fugi para os braços de quem me quer pelo que sou, de quem me quer: fugi para os meus braços.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Hoje

As palavras ameaçaram. Morderam-me os lábios. Respiraram todo o meu respeito. As palavras cansaram-me o tédio. As palavras sorriram-me nos lábios. As palavras acordaram.
Hoje.
Lembrei-me.
Amo-te.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fecha os olhos, és linda.

Quando as palavras não me saem, fecho os olhos, respiro fundo e construo a realidade. Coloco à minha direita  todas as canetas do mundo, à minha esquerda folhas em branco e no centro flores.

Quando eu pinto realidades com os olhos, quando as tuas chamadas caiem no vazio do meu telemóvel, eu lembro-me que te amo. Mensagens vagueiam e eu não as abro. Este amor impossível que nos separa, pela sede de te ver vencer.

Meu amor, fecha os olhos. A melhor coisa que me pode acontecer, é receber uma mensagem tua, é saber que estás bem. Gosto de passear na baixa, gosto de saber que andas a rasgar o mundo com os teus olhos. Dá-me as mãos, vou mostrar-te o mundo: Olha para o globo! Hoje parece quadrado. Estás a ver isto aqui? Esta coisa redonda? O mundo não é nada disto! O mundo é bem mais simples que qualquer representação esférica do Planeta!
Esquece isto. Não há nada de interessante que eu tenha para te dizer sobre o mundo. Descobre-o pelos teus olhos. Eu estou aqui ao teu lado, quero ver-te crescer e descobrir, a criar a realidade.

Gosto de ti.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Eu e eu e eu e eu e eu e eu e eu

Viagem imperfeita.
Caminhos vagos.
Vácuo do Inferno.
Caderno.

As tuas palavras
Cegam os meus olhos
Todos os meus desejos
São amores sem fim

De lagos de sorte
Onde a morte
É um início para mim

Acreditei o tempo
Corrompo
Todos os princípios
De todos os precipícios

Salto à primeira chamada
Porque esta é a minha chegada
De mãos no ar
Sem fôlego para respirar

Desejo o que estou para desejar
Vejo o que estou para ver
Digo o que estou para dizer
Lembro-me que é o dia para começar

Os dias assinam o fim
De páginas em branco
De tanto em pouco
Ventos em poupa

Tanques a lavar a roupa
Toda a louça a partir
Como a minha mãe  a parir
De hoje em diante

Eu não vou avante
Carrego políticas
De sorte, estáticas
Morra Dante

A fome é um soluço
E eu aumento o preço
Do meu desejo ardente
Que antevejo a poente

Nunca acreditei em nada
Nunca vesti Prada
Estou assim, entre a lama e o nada
O prazer é coisa nenhuma que é igual a nada

Dias passam afim de mim
Os dias são nada
Eu sou nada
A poesia é nada

Nunca li um poema
Nunca estive num dilema
Nunca recebi um telefonema
Nunca tive eczema

Nunca fui coisa nenhuma
Nunca sofri de coisa alguma
Sou todos os desejos do mundo
Sou todas as paixões reduzidas ao segundo

Vejo, das janelas do meu quarto,
Todo o mundo
Sinto todas as realidades
Tenho todas as idades

Profetizo todos os poemas
Canto todos esquemas
Sou todos os poetas
Vivo todos os dilemas

Repetição do absurdo, eu sou só eu e sou só eu e sou só eu e sou só eu e sou só eu e sou só eu e sou só eu.