sábado, 28 de janeiro de 2012

Sinto uma dor e choro


Rasguei o teu ventre com palavras gastas.
O sono cessou a vontade de dormir,
Expressão é uma indulgência
Demência

Dói-me a racionalidade
Sinto no pré-frontal
Toda a cultura pelos
Erros cartesianos

Arranjo estético
Dois cumprimentos
Pela falta de ética
Estou vencido pelo cansaço
Estou vencido pela falta.

Estou cansado.
Estou cansado.

Os meus olhos morreram naquele momento
As palavras foram gastas
Estou cansado.
Estou cansado.

Pudesse eu compreender
Todas as coisas do mundo
Sem ter que as sentir
Pudesse eu deitar-me à beira-mar
E ver o vento com o tacto


Expresso tudo o que está para haver
Entre mim e o absurdo
Para não ser nada
Ninguém
Nem coisa nenhuma

Matar todos os chocolates
Com a carência
Matar todas as carências
Com água e da benta

Acordar dois dias depois e já não sentir nada

Ter dificuldade em compreender o normal andamento das coisas
Porque sinto e sentir de forma hiperbólica
É uma patologia condenável e um acto insaciável
Morro naquele momento em que já não sei o que dizer.

Dois beijos soltam-se e morro,
Porque quero ter. Abrigo-me da chuva
Não que tenha medo
Mas gosto de evitar os riscos
Não por cobardia
Mas por negligência

Remeto para o Futuro porque o Futuro é sempre mais fácil
Quero todos os momentos do mundo.

Quero acordar e ter do meu lado,
A caixa de música com uma bailarina
Tocar e entrar na caixa

Não pela banalidade ou acto carnal
Porque de prazeres físicos está o mundo cheio

Eu quero ter um porto, estacionar
Abrigar-me. E saber que as minhas palavras não são laivos,
Vícios ou banalidades
Rapo em mim todos os movimentos do mundo.

As lágrimas que estão para caiar,
Os dias que estão para vir.

Uma sensibilidade de quem quer dormir e não pode
Porque pensar demasiado é anormal,
Mas... um dia...; quando eu for poeta,
Saberão o meu nome
E serão rasgadas páginas com o meu nome
Haverá um louco que me tente interpretar
E ainda mais, o louco que me queira compreender.

O consumo é coisa mundana e doente.
A boémia é coisa dos poetas,
Por isso é que nunca fui poeta.

Dói-me tudo por poder pensar e não chegar a pensar em nada.
Dói-me tudo por dentro.
Um poema que penso
São dias resguardado no teu abraço

Beijar, bocejar, querer, poder.
Jogos de cintura; Não faz parte de mim!
Não querer e quando não valorizo tenho.
Que todas as mulheres se cansem do meu nome
Que a única que amo foi a que me deu o ventre para eu nascer
Poderá ser fatalista, ser um devaneio,
Ser o que for.

Podem passar dois dias em arranjos poéticos,
Uma métrica de descargas emocionais
Podem passar três meses,
Podem chorar três nadas
E eu o único que quero é uma casa,
Rio e plenitude,
Irei retirar-me de tudo o que for dos mortais

Eu só quero poder ter,
Nunca fui de possuir
Mas gosto da certeza de me poder sentir inteiramente
Parte integrante dalguém que existe
E posso tocar, olhar, sentir
Mais que beijar, possuir e expelir
Mais que qualquer tipo de sexo ou vontade
Porque as tenho mas eu não quero isso.

Se eu soubesse quem sou,
Talvez fosse menos Fernando e mais Pessoa.

Se eu soubesse criar,
Fosse mais certeza e menos insegurança.

Cai um prato em ovos moles
O meu corpo é um doce de limão,
O meu corpo é um pedaço de chá
O meu corpo é a tua voz que se divide
Pela amargura da minha

Passo na tua porte e sinto que me vês
Resguardo qualquer palavras
E vendo o meu nome,
Vendo tudo.

Fecho os olhos e espero que a inquietação
Seja vendida nos saldos,
Vou fechar o meu nome em palavras seladas
E despedir-me assim deste estilo de vida,
Destas pessoas que nunca chegaram a saber quem eu sou
Relembrando sempre quem fui
Destas pessoas passageiras,
Com emoções recatadas
Pelo pensar qualquer coisa
Sentir sem saber

Despeço-me e vou ser alguém.
Eu sou.

Fechei os olhos e adormeci, pleno, num banho de imersão. Fugi para os braços de quem me quer pelo que sou, de quem me quer: fugi para os meus braços.

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