quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

És tudo para mim.

Acordei. Pego no computador. Ligo-te. Digo-te: Amo-Te. Está a chover. Dá-me a mão, vamos rasgar a rua juntos. Vamos a Marte do meu quarto. Quando eu nasci eu descobri a lua por poder ver a tua, sabia que te amava sem nunca o ter sabido. Descobri um dia e depois outro. Nunca cheguei a dizer nada e ia dizendo tudo. As grandes reflexões deixei-as para os filósofos. Viver contigo é simples: Acordo, deito-me e masco uma pastilha elástica, quando está sem sabor, deito-a ao lixo. É isto o nosso amor. É Novembro e do meu quarto eu vejo o sol.
Simulo uma farsa absoluta e finjo gostar de todas as pessoas para que elas não me venha chatear, as pessoas só gostam de quem não gosta delas.

Meu amor, as pessoas são arrogantes.
Meu amor, quero amar-te mais.
Meu amor, estou farto de pessoas.
Meu amor, eu vejo tudo do meu quarto.
Meu amor, eu estou farto de Fernando Pessoa.
Meu amor, comprei oito livros de Gonçalo M. Tavares.
Meu amor és quem eu quero.



Depois de jantar, levantei-me e adormeci. Dei por mim e já lá não estavas, não passaste de um sonho meu.



Meu amor, rompo aos saltos e aos pinotes.
Faço estalar no ar chicotes.
Arranco-te todos os decotes.




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Descobri que te amo.

Estavas sentada no banco em frente ao tribunal, sozinha. Estavas a chorar. Tomei a liberdade de me sentar ao teu lado, deixei-te chorar tudo. Quando te cansaste, limpei-te as lágrimas, puxei-te o cabelo para trás. Peguei no lenço de papel, limpei-te o borratado que tinhas nos olhos. Não te fiz perguntas. Não falei. Ouvi-te apenas. 
Estavas mal porque o teu ex te tinha trocado. 

Fui contigo à loja da frente, comprei-te uma flor de papel. E disse-te: Não quero que isto morra como amor, por isso dou-te uma flor de papel para que dure para sempre. Olhei pela janela, o teu ex passou na rua da frente. Atiraste a flor para o chão, saíste da loja a correr e abraçaste-te a ele a chorar e a pedir-lhe para que ficasse contigo. Ele virou-te costas e tu foste embora. Voltaste para trás, agarraste-te a mim a chorar e pediste-me desculpa por teres saído assim e disseste que não conseguias evitar. Eu ouvi-te e não disse nada. Sabia que a obsessão demorar a passar e que não há amor como o primeiro, por isso é que eu prefiro ser o último. Tive toda a paciência do mundo. Não me importava de te ver com ele. Fui-me começando a apaixonar por ti. 

Tu traíste-me todos os dias, eu traí-te todos os dias também. Troquei-te pelo minha caneta e o papel. Eu sabia que a fidelidade é um conceito e ver-te com outros não me fazia confusão. Estava tranquilo desde que não me chateasses. Amei-te e fiquei contigo para sempre.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Como matar alguém:


Deixar o corpo rolar sobre a valeta e ir embora, começa assim. Decidir ligar para o diabo, perguntar-lhe se está bom e pedir-lhe ajuda. Depois de lhe ligar, esperar uns segundos. E está-se pronto.

Imaginei o mundo e matei-te naquele momento por não ser capaz de te amar nem mais um segundo. O amor é coisa de poetas, pensei eu. Senti-me um imbecil por ser capaz de amar tanto em tão pouco tempo, cedo me apercebi que isso só acontecia porque sempre te quis matar. Imaginei contigo como seria morrer com os meus pulsos cortados sobre os teus, como seria espetar a mesma faca em mim e em ti e esperar a morte. Uma espécie de suicídio colectivo em que a morte é a mais bela forma de amar e jurar-te a eternidade. As minhas facas são os teus olhos, eles cortam-me aos pedaços e entregam-me no talho duas horas depois para ser comercializado. Eu mato-te todos os dias e dissolvo-te em poesia que é servida uns meses depois em livros que as pessoas usam para se distrair.

Quando te conheci fiz uma jura de sangue e prometi amar-te para sempre, como tal... tive que te matar quando começaste a descobrir outras pessoas, para que não te passar a odiar. Não gostavas que eu te tratasse desta forma nem que tornasse a morte tão próxima, fazia-te sentir que eu era assustador e tinhas medo de mim. Eu matei-te no preciso momento em que te disse "Amo-te". Uma bala entrou no teu coração, nunca tinhas sido amada por ninguém e isso era como matar-te, embora não soubesses o que era morrer porque sempre estiveste viva, embora fosses morrendo. 

A tua música era aquela chata que sabe a pastilha-elástica de mentol quando se descobre que é feita de petróleo, é consumida por todos embora no momento em que a estamos a mascar, achemos que só nós o fazemos. A moral naquele momento é um absurdo e o impossível categórico, não há ética que faça falta. A falta de regras é a constante para poderes sobreviver, até ao dia em que tu morres.

Eu optei por matar-te antes de morrer e para isso, decidi lamber os lábios, beijar-te com a língua e dizer-te: Eu amo-te mais que a vida.

Virei costas, fui-me embora e no momento a seguir, tu morreste de amores por mim.
Eu nunca mais voltei porque morri também. Quem eu fui naquele momento, morreu ali e nunca mais te voltei a amar, amei-te naquele momento e tu morreste, eu matei-te.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cocaína mental

Rasgaram-me as insónias, roubaram-lhe o Sépia, deram-lhe cor. Pensei numa maneira de não dizer nada, usando todas as palavras do mundo. Caminhei no Cais, abri a porta do Paraíso, cumprimentei Gabriel, beijei São Miguel Arcanjo e convidei-os para irem comigo visitar o Inferno, aquilo andava muito parado por lá.
Ofereceram-me as asas.

Caminhei e achei estranho, quando acordei, serem dez da manhã. E disse para mim mesmo: Isto não é normal, tu estás a acordar doze horas mais cedo que o habitual. O que se passa contigo? E ao fim de uma hora de pensamento descobri que me roubaram as insónias, já pensei em ir à polícia judiciária. Um crime destes é uma atrocidade! Ninguém rouba as insónias de ninguém, muito menos desta forma.

Quando cheguei à beira do oficial da justiça, disse-lhe: Senhor, queira desculpar-me... mas eu não aguento! Roubaram-me as insónias e que criativas elas eram.

Dei um passeio pelo vale das gramas e encontrei 21 gramas de cocaína, no dia 21 de Dezembro de 2012, isto um dia antes ou um dia depois do fim do mundo, ainda não se sabe bem. No ano em que eu fiz 21 anos. Isto não se faz. Deixar cocaína, à espera de ser consumida, para uma overdose.

Deixei o ridículo e o ambíguo, tinha acabado de acordar. Depois de uma série de sonhos sobrepostos, olhei à minha volta e tudo fazia sentido de nunca nada ter feito sentido. O meu corpo estava curado dos maus espíritos, estava agora no caminho certo. Finalmente! Eu levantei-me e rompi aos saltos e aos pinotes, fiz estalar no ar chicotes, chamei palhaços e acrobatas, bati em latas e fui de burro.

Afinal era dia 12-12-2011 e eu ainda só tinha vinte anos.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Carta de suicídio.

Secaram-me as lágrimas.

Sofro sem dor, as pupilas estão dilatadas pela vontade de chorar lágrimas secas.

Outra vez secas!

Que este seja o último dia de lágrimas secas. Dói-me o sangue.  
Mutilação.Coração.
Corre em mim uma falta de tudo, uma falta de vontade de escrever, falta de vontade de dizer, falta de vontade de dormir, falta de vontade de estar, falta de vontade de viver, falta de vontade de existir.
(Dói-me a alma, sinto-a pesada hoje. Entrego-me à depressão. Entrego-me à saudade, à vontade.) Eu só pedi para que tudo pudesse ser como eu sempre imaginei. Uma sequência de imagens belas, num centralismo puro. Ser criança outra vez, estar num sítio habitado só por mim, sem fantasmas, sem dor, sem amor, sem rancor, sem saudade, sem idade. Ver o mundo só com os meus olhos, sem visões nem sentimentos, nem cultura.
Quem me dera poder viver outra vez, nascer dentro de mim, acordar e ser eu mesmo uma outra coisa que eu não sei bem. Acreditar que sou porque sou alguma coisa, acreditar que estou, porque estou. Poder ter energia para dar e para vender. Poder escrever peças de teatro, poder escrever depressões e textos de diário. Poder escrever poesia, poder escrever ficção e realidade.
Eu só queria uma tela em branco e em alta definição, onde eu pudesse pintar o Terreiro do Paço, o Rio Tejo, as minhas mãos, as tuas, as nossas mãos. Pudesse eu ser qualquer coisa. Pudesse saltar para dentro da tela e dar-lhe vida. A minha vida está cansada de Programação Neurolinguística. Acredito na Física Quântica, na Nova Era. Dói-me o cansaço. Dói-me as horas por dormir, dói-me a realidade, dói-me o absurdo, dói-me a ficção. Hoje quero ser alguma coisa, amanhã não quero ser coisa nenhuma. Estou cansado. Estou tudo e isto é uma catarse. Estou tudo. Estou tudo.
Nas escadas para o céu, abri a porta do inferno, descobri todas as mentiras ditas pela minha boca nos teus lábios. Tu eras só uma mentira, tu eras uma mentirosa. O meu coração rebentou com as entranhas da minha existência. Eu acreditei que podia qualquer coisa. Fiz filmes de amor, levei-te a jantar fora, realizei curtas-metragens no meu quarto. Dei-te presentes, dei-te Fernando Pessoa, dei-te um abraço e nunca te roubei um beijo. Amei-te naquele momento. Platão amou Narciso, Platão amou Baco, Ícaro. Eu dei-te tantas rosas, dei-te tantas tulipas... dei-te tanta coisa e em troca só queria um pedaço do teu amor. Cortei-o às fatias. Servi-o à mesa. Vendi o amor porque sou capitalista.
Não chores, és uma mentirosa!


Dói-me o coração do lado direito, dói-me o teu coração que tenho dentro do meu peito. Dói-me muito. Meu amor, dói-me. Meu amor, deita-te na minha cama, adormece-me. Meu amor, eu amo-te. Meu amor, dói-me a respirar. Esta noite eu projectei-te na tela em frente à minha cama, tu roubaste-me o sono. Não me deixes ir esta noite, não me deixes ir embora esta noite. Dois segundos rebentavam no meu peito como se fossem o teu. Dois minutos rasgaram-me as costas e arrancaram-me a depressão.


Só não queria que te fosses embora esta noite. Dói-me a Eva, Dói-me o Adão.
Estou cansado. Dói-me a respiração. Os meus olhos fechados não descobrem o sono, porque tu mo roubaste. Plantaste ideias e ambições no meu querer. Ideias que não passam de profecias vãs. Hoje matei-me. Suicidei-me.

Amo-te,
Vou morrer no teu amor.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pensamentos dispersos.

O que falta ao mundo.


10 de Dezembro de 2011


Bom dia,

Nunca fui muito bom a pensar sobre o que quer que seja. Sou, por natureza, inconformista. Dou-me a liberdade de expor uma grande parte dos meus pensamentos, ainda que o faça de forma dispersa e sem exagerar na fundamentação.
Começo por onde? Instituições de ensino, médicas ou sociais? Vou começar pelas instituições de ensino. Já pensaram na forma como o
ensino não o é? Os professores, seja em que grau de ensino for, limitam-se a ensinar o que sabem e como é óbvio não o fazem da forma mais adequada, deviam ensinar, em primeiro lugar, como se aprende e a não aceitar o que eles ensinam. Há diversas formas de ver o mesmo tema e não há verdades absolutas no conhecimento, isto porque foi criado e transmitido por humanos. Mas fica bem aceitar e ser cordeiro neste rebanho, ao qual eu não me conformo.
Quanto às instituições médicas, os médicos uma grande parte das vezes tentam arranjar doenças onde elas não existem, só por corresponderem ao padrão. Não há duas doenças iguais, porque não há dois corpos iguais e um determinado medicamento para fazer o verdadeiro efeito, teria que ser administrado de acordo com o peso exacto da pessoa e a altura. Mas também não é muito interessante ligar a isto. Quanto aos psiquiatras e psicólogos, eles seguem esse ramo, porque se querem conhecer a eles mesmos e não por algum interesse em mudar o mundo ou ajudar quem quer que seja. E, vão necessariamente encontrar uma patologia numa pessoa normal. Não acredito que existam doentes mentais. Acredito em pessoas diferentes. E não acredito na cura medicamentosa nem em padrões de diagnóstico. Não aceito que outro humano possa catalogar um ser da mesma espécie, julgando-se superior. E achando estar a ajudar. A maior ajuda que poderia dar, era aceitar a diferença.

Vou fumar um cigarro. Estou viciado? É mau? Não. É o que eu quero! E ninguém tem nada a ver com isso! Sou livre ainda que aceite as consequências de o ser. Faço sempre o que quero. As pessoas vivem numa prisão mental por causa de todas as instituições que nos cercam e por causa da cultura. Os médicos, juízes e políticos, que são o suposto exemplo da sociedade e os que mais julgam os outros, são os que mais drogas consomem, entre elas a cocaína. Mas têm coragem de tentar mudar, mandar prender ou promulgar leis sobre o mal dos outros.

O problema da conceptualização: está nos problemas de consciência que nos pode criar. Por exemplo, a fidelidade há muito que é uma tormenta, não só se o nosso parceiro nos é fiel, mas muito mais o medo e a repressão que nos fazemos para sermos fieis porque não o ser é um acto condenável. Estamos aqui, a negar a nossa essência, apesar de animais culturais, nós não somos animais monogâmicos. Temos necessidades físicas que se sobrepõe à cultura. E, a meu ver, é possível amar uma pessoa sem lhe ser fiel e não há motivo nenhum para ter crises de consciência com a traição. É natural. Na Antiguidade Clássica eram comuns as orgias. Mas por causa das instituições religiosas, esse acto na sociedade ocidental tem vindo a ser condenado. Mal! Porque cada um deve fazer o que quer e não o que os pensamentos o obrigam a fazer, vivendo na sua prisão mental e sendo infeliz.

Tenho muito mais a pensar sobre o mundo. Mas por hoje já chega. Isto é o que o mundo precisa!
"Faz o que queres!"

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Eu.

Eu sou só eu sem nunca ter sido eu, sendo apenas eu
Nunca fui eu, o meu eu sempre foi eu
E nunca foi o meu
Eu sou coisa nenhuma
Eu sou coisa alguma
Eu sou eu.

Organigrama das emoções.

 Que todos os sonhos sejam assim.

8 de Dezembro de 2011

Bom dia Ana,


Estás a acordar e eu adormeço, estás a adormecer na hora em que me levanto. Hoje sonhei contigo, o meu corpo pediu chocolate pela minha manhã que se começava a fazer às dez da madrugada. Sonhei que estava contigo num dos meus sítios de conforto, que te agarrei na cara e te beijei com tremenda intensidade que ainda acordado sinto o coração bombear plenitude.
Sonhei que no lançamento do meu livro não estava quase ninguém, que fiz o lançamento para cerca de dez pessoas. Sinceramente, pouco me interessa. Só quero saber de ti. Neste momento vou escrever neste registo e iniciar um novo livro. Não quero saber de loucura nem de psicologia, não quero saber de micro expressões nem de Programação Neurolinguística. Quero saber se o teu dia correu bem. Quero que os livros da minha mesinha de cabeceira vão para o inferno. Quero que o meu caderno se encha de poemas ao estilo de John Keats num amor reservado ao infinito. Acordei tão bem.

Ainda não comi nada durante todo o dia. O teu amor enche-me a barriga, entra em mim ao estilo de Pedro Paixão, com a excepção de não ser um Amor-portátil. Sabes quando tudo faz sentido? Para mim hoje tudo faz sentido. Se for amores reservados por Platão e dignos de serem apenas Platónicos, que o sejam, eu estou tão bem. Sabes quais são os meus escritores favoritos? Albert Camus, Pedro Paixão, Gonçalo M. Tavares, Fernando Pessoa e claro o meu melhor amigo Rui de Noronha Ozorio.

É quase Natal, quero poder entrar numa loja e procurar uma prenda para ti, passear contigo pelas ruas e ver as luzes de Natal. Poder ir ter contigo dia vinte e quatro e acordar contigo dia vinte e cinco. Quero que seja o que for, quero que seja assim. Parece-me que o meu registo de diário é o que mais te encanta. A minha poesia é excessivamente mal-trabalhada e dispersada. O meu Romance falta-lhe estrutura, se o meu lugar no mundo da literatura tiver que ser apenas de cartas, que o seja.
Bem, vou jantar, espero-te bem. É óptimo saber-te bem.

Dorme bem sonho,
MiguelNovo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sou uma parte tua porque te amo.

O surrealismo dá forma ao pensamento!

 7 de Dezembro de 2011
Bom dia Amélie,
 
São precisos dois momentos para exprimir um coração-dinamite: 1. a emoção; 2. a catarse. Emocionar os olhos com o coração, sentindo o toque ao de leve na brisa de um cabelo solto ao vento; libertar o que se sente para se poder voltar a sentir de novo.
Eu só pedia que um dia pudesse ser dois, viver dos confins da minha memória e realizar profecias, nunca pedi nada a não ser que o meu coração pudesse não ser dinamite. Nunca acreditei em nada, nunca li coisa nenhuma, nunca me quis exprimir como poeta nenhum. Nunca quis ser fatalista ou depressivo, nunca quis fugir. Só sei que te amo. Mas não sei porque te amo. Sei que me quero só a mim. E que prefiro a solidão do meu quarto à companhia do teu.
Sempre quis ser Lewis Carroll para poder viajar no País das maravilhas alucinado, apaixonado e vivo. Sou apenas eu. A vida é um cigarro pousado no cinzeiro e que é consumido pelo ar. A combustão da vida é feita pela sequência de imagens. Logo tudo acalma, tudo acaba. Adivinha-se um fim, para o que começou, breve e letárgico. As palavras amordaçam-me e secam. Eu só pedi para que o tempo conseguisse parar naquele exacto momento em que o teu beijo foi um dos meus. Cai solto no teu abraço e vi o meu fim. As minhas últimas palavras foram proferidas pela tua boca.

Eu queria que tu fosses eu, para poder ser tu. Eu queria estar em ti, roubar-te esta parte minha que tu tens. Eu só pedi para que tu conseguisses ser paciente. Eu virei as páginas do meu caderno e lá estavas tu mais uma vez. Será que me podes chegar o cinzeiro? Não queria sujar o cama com cinzas. Gostava de saber a melhor maneira para dizer que te amo sem ter que dizer que te amo. A gramática limita a forma de expressão. A poesia nunca se pode reger pela gramática. Sabes qual é o meu escritor favorito? És tu! Sabes porquê? Porque me escreves. Fazes com que o meu caderno me escreva. Nunca pensei em inserir uma ideia ou tentar formatar uma mente, ser qualquer coisa sem ser coisa nenhuma. Só desejei habitar a realidade, levantar-me todas as manhãs como se fosse o meu primeiro dia, tomar banho, tomar o pequeno-almoço, fumar um cigarro, pegar no carro e ir escrever-te para o Vitória. Ambiciono mais que o que devo, se é que na realidade devo alguma coisa. Tenho a sensação que devo continuar a escrever o Romance e Ensaio Hospício Global e concorrer com ele ao Prémio Vergílio Ferreira. Tenho a sensação que podias estar todos os dias em minha casa, para vestires a minha camisola. Para me abraçares quando o cansaço se sobrepuser à necessidade de trabalhar. Podias ajudar-me a escolher o registo em que mais me gostas de ver a escrever. Para eu continuar a escrever. Podes ler todas as manhãs o meu e-mail? Para veres se a editora já mandou a capa do livro? Eu tenho demasiadas aspirações, as aspirações nunca são em demasia. Quero ter um lugar na literatura europeia, ser conhecido por escrever em registos completamente diferentes e ser extremamente versátil. Se um dia me compararem com Fernando Pessoa na Poesia e com Manuel Arouca no Argumento, dou-te um abraço do tamanho do mundo. Já reparaste neste registo estranho de diário? Como poderei eu ter passado de poesia para uma página de diário? Vou fumar mais um cigarro. Quem te pareço hoje a escrever?

Gostava que o tempo fosse uma partitura mais pequena e menos densa. Gostava de poder consumir o teu tempo com o meu. As minhas palavras já não chegam para as tuas. Sou só tu, sem na verdade ser coisa nenhuma.

Um beijo,
Autor desconhecido.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tenho fome de palavras.

Um poema vagueia no horizonte
Ainda distante
Mostra-se relevante
Pelo tempo que esteve ausente

As palavras contemplam a idade
Do absurdo que eu vi no centro da cidade
Dois dias passam como se só tivesse vivido um
Algum do tempo que sonhei e nunca vi

Estive perdido  no cais, à porta do inferno
Acreditei no mundo
E fugi para as páginas do meu caderno
Onde todo o dia é vivido ao segundo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dói-me as entranhas do pensamento.

Todos os títulos de um poema são um poema,
Um poema vence pelo título,
Um poema não tem título,
Que ideia esta de se dar título a um poema

Eu acredito nos poemas como quem crê em Deus,
Mas eu não acredito em Deus,
Acredito em mim mesmo.
Pudesse eu rogar por ti
Como rogas por mim,
Pudesse eu crer nas tuas colinas
E vales que te rodeiam
Para beber do teu sacramento
E ser parte de ti em mim.
Pudesse eu ser teu filho
E acreditar no que acreditas,
Ver o que vês

Para todos os malucos
Que haja loucura
E Terras sem gravidade
Nem pontos de equilíbrio
Para poderem voar e vaguear livres
Como quem se sente inteiro

É sombrio este mundo que vejo
Sem Deus em quem acredite
Sem loucura que me habilite
É triste este Deus que desejo
Porque rezo por ele como se ele rezasse por mim

Que para todos os lúcidos haja um tolo
Que queiram equilibrar
Porque loucos andam os lúcidos
Com a mania que tudo são patologias para curar

Correm cansados os crentes
Sobre os pés de Homero
Porque eu não sou ele
Nem nunca o quis ser
Eu não tenho nada para dizer
Embora o diga
Sem nunca o tentar fazer.

Estou cansado de loucos, de lúcidos, de gravidade, de Deus e de qualquer crença ou não crença.

Para Deus haja um Trapézio,
Uma ideia de dor que nunca sentiu dor nenhuma
E que não chega a doer de tanto doer
Embora nunca tenha doído.
Amarra-me a fome pela vontade de beber dos loucos que andam lúcidos
Porque não há gravidade que os acuse de viver na realidade.
Que todos vivam independentemente da idade.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A fome aperta a sanidade mental

Dois dias passam como se fossem um
A história é um revés da memória que não posso ter
Em palavras que nunca quis dizer
Por mentir. Por achar uma mentira na verdade
Talvez um poeta não tenha idade
E eu não seja poeta
Embora eu seja poeta

A fidelidade é um conceito ineficaz e facilmente falível
Ainda que eu acredite em impossíveis categóricos
Respeito todos os registos históricos
E peço ao mundo que dele se faça Roma
E que não se mate quem ama
Que para todos os mortos haja uma cama

Os poetas são só poetas por não terem tempo de ser mais nada
Detesto a realidade
Por ser intempestiva
Fruto do absurdo e morrível

Porque ninguém me paga para escrever o que aprendo
Eu escrevo o que crio e não o que não confio
Porque a um poeta cabe criar
E contestar a ordem irreal das coisas
Que são nada
Ainda que sejam alguma coisa

A fidelidade é um conceito vago
E pouco prático
Porque ninguém o é
Ainda que o sejam
Não o são.

A monogamia matou e mal as orgias
Clássicas da Roma
Que pinta o meu lema
Porque em Roma há imperadores
E Gladiadores
Há Putas, Orgias e Oradores

Em Roma há História e memória
De quem faz Glória.

Eu acredito em todas as coisas
Que não são coisa nenhuma
Porque o que nada é
Um dia virá a ser
O que nunca poderia ter sido
Num fragmento distorcido
Como se eu tivesse adormecido
No mais belo hospital do eu
Desarranjo estético
De quem valoriza o que sou.

Porque acreditam demasiado em mim
Para saberem que vou vender
Querem comprar-me mais tarde
Por ainda não me terem estômago para ler

Acredito em mim e vou vender.
Porque a poesia também se vende
As máximas instituídas em todos os ramos
São contestáveis, sejam elas, Ciência, Filosofia
Ou Arte
Sou fã da falsa sorte
A Filosofia é o mal do mundo
Inútil para o avanço
Porque se tem medo de quem a conteste
Todos a abraçam como causa nobre e não
A põe em causa
Aceitam como um Deus no qual são incapazes de acreditar
A Deus o que é de Deus
A filósofos o que é de loucos

Aceito Deus porque ele é mais forte
Do que qualquer crença na Ciência ou filosofia
Porque ele me traz alegria
Em cada dia
Que o vejo no meu abraço.

Acredito e vivo bem pela crença
Porque em Deus há ética
E respeito e cultura
Em Deus há tudo
O que falta ao mundo
Embora incoerências estejam em quem o pratica
E da forma que o praticam
E como chegam a ele

Que se faça luz em cada casa
Onde Deus habita
Porque todas as casas são de Deus
E a Deus não há conceitos
Há amor e energia
Que faz de nós parte dele
Como se todos fossemos um
Que somos e isso compõe a realidade
Embora conceito
E inverdade
Porque nada existe ao mesmo tempo que tudo existe


Só Deus sabe como amo
E amarei e detestarei todas as religiões
Por ser incapaz de as detestar
Todas as ciências que não amo
E não acredito
Todo o cepticismo e todo o dogmatismo
Porque eu acredito no mundo que vejo
No mundo que sinto
Sou filho da emoção
E só a emoção me reserva a poesia
E me esboça a alegria.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A liberdade dum poeta.

Que as ruas se encham de poetas
Poetas que trabalham
E poetas sem ofício
Porque há que fazer sacrifício!

É indigno
Um poeta ter que procurar emprego
Seja flora intestinal ou brincadeira do destino
Que o poeta saia ileso

Há quem dite as leis
Que para todos os bordéis
Hajam papeis
Para os magos e Reis

Um poeta é poeta
E não lhe é digno o desemprego
Porque ouro não é dinheiro
E se poesia não vale ouro, Jesus Cristo não foi Profeta

Que todas as palavras façam greve
Para que os humanos sintam de leve
Que é grave.
Um poeta só escreve

Não é digno quererem
Que o poeta suje as mãos
Já sujas de tinta
Enquanto uns dormem

Venham para as ruas os poetas
Porque é tempo de trabalhar
Deixar as rimas
Porque há contas a pagar

Há que pagar casa
E ter emprego
Para comer na brasa
E dormir em sossego

Amigos são amigos
E a amizade ainda não vale dinheiro
Ainda que sorrisos
Não me encham o mealheiro

Eu prefiro ter um amigo
A viver sozinho
Faço pernas ao caminho
E vou arranjar emprego

domingo, 27 de novembro de 2011

Um cigarro de prata.

Um cigarro de prata caminhava na boca de um poeta. O poeta ao sair de casa dera de caras com o tédio e a alegria. O poeta caminhava sob a égide de um poema.
Tinha oitenta e seis poemas para oferecer ao seu primeiro colo que por estranho que possa parecer viria a ser o último deste. O poeta abraçava a glória por não poder conhecer mais coisa nenhuma.

Na primeira parte do dia, o poeta estava acordado para ver o dia nascer. Às sete da manhã deitava-se. Hora em que toda a gente acordava. A rotina nunca fora a sua melhor amiga.
No caminho para casa, o poeta encontrara outro poeta e agora tinha companhia na sua poesia. Que por vezes se fundia de duas numa só.

O cansaço abraçava o segundo poeta. O segundo poeta era mais impulsivo e louco que o primeiro. Dormia dois dias e passava um inteiro acordado. Não sei se por ser louco ou para fazer render o tempo. Era também narcisista, pensava em si a toda a hora e via-se em todo o lado. Muito egocêntrico, mas feliz assim.

O primeiro poeta dormia cinco horas por dia e partia inteiramente para a magia do dia.


Os poetas eram agora um só.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu sou a actualidade.

A geração de 1970/1980 é a contemporaneidade, se eles o são, eu sou actualidade.
Porque os meus textos, fruto do meu narcisismo, haverão de ter cem anos de solidão e continuar a ser actuais.

Morram os poetas, morram os estetas, morram todos que eu sou a actualidade!
Eu sou a actualidade.
Eu sou actual.
Não tenho nada para dizer
Só que sou actual.
Sou actual e é tudo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Os palhaços estão em greve.

O circo fechou porque os palhaços fizeram greve
O palhaço sentia-se mais leve,
Não tinha que carregar o trapézio
Do trapezista José Régio

A Paloma não tinha que guardar os Leões
Do domador Luís de Camões
Os Elefantes não tinham que se exibir
Porque os circenses decidiram fugir

Os poetas apreciaram o circo
Do dia vinte e cinco de Novembro
Não havia greve de que me lembro
O palhaço roubou o arco

No Arco do Triunfo
Brincavam às revoluções
As pessoas eram vulcões
Como um tufo

Os palhaços fizeram greve
E o circo fechou-se
Não havia salário
O povo proletário

Empobreceu e não havia animação
Para apresentar no S.João
Acabou o dia e a greve de palavras
Continuou a fazer-se pelo silêncio

As pessoas não conseguiam comunicar
A greve acabou.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Palavras surdas.

Dois corpos comunicam em convexo.
Um aglomerado de pessoas que se julga
Qualquer coisa
Ainda que inerte

E isso remeta
Para substâncias
Psicotrópicas

Contrariam-se as leis do absurdo
Porque as da física já foram todas contrariadas
Vão palavras em ventos
Secos
De qualquer coisa além de mim

Poesia que nasce em ciclo
De pensamentos
Que nunca cheguei a pensar.

O infinito é uma fonte que também seca.

A amargura é iluminada
Pelas palavras do Futuro
Um porto que parece seguro
Até cessar sobre a calçada

O Infinito é um verso
Esteticamente perverso
Que arranha das entranhas
De todas as façanhas

Para dizer em coro
Que as palavras são uma fonte
Que também pode secar
Onde há namoro
Há quem olhe de fronte
E quem fique a olhar

O infinito é uma glória
De vozes embalsamadas
Por partituras duma fantasia
Em chamas.

O infinito engole-me
Pela garganta
E pede-me para grite o teu nome.

Amor voraz.

Silêncio. As janelas do pensamento fecharam-se.
Um poema é cantado de forma épica
As leis das estética
São nostalgia profética
Em amores sem fim
Que têm fim  à vista, para mim.

Cadência passageira
Da intensidade da luminosidade
Sentar-se à frente da lareira
Com sede de curiosidade

Amores sem fim.
Voraz é a fome
Que escreve o teu nome
Sobre o meu
E me diz ateu
Quando sou crente
Em ti, meu amante

Amores intensos,
Rápidos
E delicados

Sobre palavras
Da tua boca
Ditas pelo silêncio da minha.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O João.

Cena I
O João senta-se no sofá com um cigarro na mão.
-Bom dia Maria!

A Maria a mexer no cabelo. Com unhas pintadas de vermelho.

-Olá meu amor!

Olham um para o outro e beijam-se.

-Amo-te muito! - diz o João enquanto toca nos cabelos da Maria - És linda! Quero-te para sempre
-Meu amor és a melhor coisa da minha vida - grita a Maria, enquanto se dirige para a porta.
Quando se dirige para a porta, derruba um jarro que tinha três rosas e parte-se em cacos. Maria corta os pés sem querer. O João desata a correr para a beira da Maria.

-Meu amor! Meu amor! Estás bem?
-Não. - responde Maria aos soluços - Achas que tenho que ir ao hospital?
-É melhor. Quero-te bem!

O João pega na Maria ao colo e dirige-se para o carro e dirigem-se para o hospital.
(Saem os dois de cena)

Cena II
Entra o Joel a correr pela sala! A ver se a Rita ainda lá está! Cruza-se com ela. Dá-lhe um abraço. E diz:
-Estou a morrer de saudades tuas!
-Eu também Joel - responde Rita, com um sorriso - Ao tempo!
-Eu nunca te esqueci! - Joel
-Como está a correr a tua vida?
- Bem e a tua? Tens novidades?
-Também. Tenho algumas e tu?
-Tenho!!! Nem sabes, vou editar um livro. Tenho escrito muito!

A Rita olha de forma desinteressada. Enquanto o Joel abre o diário para lhe mostrar os textos!

-Este é o início do meu livro.
-(Rita olha cada vez mais desinteressada)
-Fala sobre o absurdo e o Filipe vai casar-se com ele mesmo.

Rita para cortar o tema. Muda de assunto subitamente.

- E as coisas lá por casa, como estão a correr?
- Bem, os teus Pais estão bem?
- Estão óptimos, estão sempre a perguntar por ti! Gostam muito de ti.
- Todos os Pais têm por hábito gostar de mim.
- Pois é... Não queres passar lá por casa?
- Para a semana, pode ser?
-Vem hoje! Os meus Pais iam adorar.
-Está bem! Vou só a casa buscar umas coisas e depois vou.

O João dirige-se para a Direita Alta enquanto a cortina cai. De fundo ouve-se alguém a cantar aos berros uma musica do Carlos Paião.

- Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir. Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.

Juntam mais duas vozes e continuam a cantar a musica.

- Numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar. Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.


A cortina vai subindo e as três pessoas continuam a cantar, e viram-se de costas para a plateia.

- Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...
(Refrão)
Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
Cinderela das histórias, a avivar memórias, a deixar mistério.
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada, ninguém deu por nada, ele até chorou...
(Refrão)
E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."
(Refrão)
(Cinderela)
(Refrão)

Enquanto os três estão de costas, O João volta a entrar em cena com a Maria ao colo.


A verdade é um capítulo em branco

Caminhar no vácuo deixado pelo inferno
Está calor no meu inverno

A realidade contempla as asas do meu caderno
Em branco
Baco brinda às prostitutas
Eu brindo às putas
Das minhas janelas
Que estão fechadas

Ouço o vento,
Ouço o meu alento
Em frases soltas
Da minha cabeça

A mulher fez-se homem ao sétimo dia
Dias passam como comboio para viagens ambulantes
O descrédito ao que sou
A descrença no local para onde vou

Atar mentiras aos desejos
Às verdades
Um caminho rectilíneo
Igual, Estanque
Um livro da minha estante
A cair para o poder ler
Sai
Um amor
Uma passagem
Um desejo
Uma descrença
Uma amizade


Passam dois dias em prosa
Porque a poesia se cansou
O homem fechou a porta
E logo alucinou

Foi para o quarto masturbar-se
A ouvir os gemidos vindos
Do quarto da irmã
Que fodia com o patrão
Do Pai.

Apocalipse num só dia
Porque ao terceiro faz-se magia



Entra uma porta nas docas
Porque os barcos ficaram em casa
Do meu Pai
Que não acredita em magia
Nem tem patrão


Na minha farmácia só entram sapos
E Princesas
Porque duques e duquesas
Só para jogar cartas
Num jogo sem jogos



Cala-se um sapo
Porque não podia ser visto
Pelo Evaristo
Que não tinha cá disto


O Bocage fodeu um pneu
O cromo da orpheu
O meu
O teu
A puta que o pariu
A educação
Da geração
Rasca
Da minha Tasca

Dos dias
São dias
São descargas
São verdades.
São coisa nenhuma.

Descarga eléctrica.

Odeio-te
Amo-te
Odeio-te
Amo-te
Odeio-te
Amo-te

"Amo-te tanto meu amor, és lindo."
És um poema
És um poema sem verdade
És um poema sem virtude
Queres o que não tens
Tens o que não queres.

"Tenho saudades tuas. Amo-te"

Passam as horas ao lado do relógio
Na ânsia das tua palavras que o tempo não contempla
Sobre gestos que se esperam e não se tem
Atitudes que se esperam pela tua presença
O que és para mim?
Mudar o mundo para me encaixar melhor nele.
Ódio a contemplar os céus
Por não poder despir todos os véus
Vou à lua para espalhar magia
Rasgos de poesia
Para sorrir
Para vir
De poemas
De poesia
De alegria

"Quero-te sempre."
Viver num mundo isolado pela presença de outros
Para além de mim.
Outros que contemplam inverdades
Irrealidades
Que não a minha
Desejos ardentes no suco dos teus lábios
À espera dalguns que não os meus
Os teus.
Quais teus?
Os meus!

Quais meus? Quais então?
Só sei que nada sei
E que o meu tempo
Não é o meu tempo
Que os meus dias
Não são os meus dias
Que o que eu quero
Não é o que eu quero
Que o que eu tenho
Não é o que eu tenho

A realidade é um verso e um verso é uma mentira
Por não poder ser verdade
A poesia é só poesia
Viva a repetição análoga do eu
Do poema, da Orpheu
Do meu,
Do teu

Da verdade
Da realidade
Da idade
Que eu não tenho
Do comboio
Que eu não venho
Do saloio
Que eu não como
Do amor
Que eu não amo.

Dos dias
Das magias
Das alegrias
Das verdades e idades
Do gelo e do calor
Da felicidade e do amor
Do dia e da manhã que a noite tem
Da minha mãe
Do meu Pai
De tudo o que quero e o que não quero
Porque eu quero nada
Eu quero tudo
Dois dias são um dos meus
Abraçados nos teus
Beijos
Desejos
Ardente poesia
Mentira fonética
Pela realidade estética
Que hoje me quis lembrar que te amo
E te odeio
Como o vento que passa ao lado da minha janela
Por não saber que estás aqui para dizeres que me amas.

Por ver o tempo que gastas a investir em causas
Que não são partes de mim
Nem nada me dizer ou te dizem a ti

Saber o que queres
Por olhar os teus olhos
Que me dizem verdades
Além das tuas mentiras
O ser desejada é um desejo teu.
Eu não desejo mais nada, mais nada meu.

Eu mesmo.

Eu mesmo no meu espelho.
São três da manhã e só tenho raiva
De mim, por mim, para mim.

Amar como quem ama a poesia
Vazio, vago, ilimitado
Negar o prazer
Negar a visão.

Iludir o vago.
Iludir o vazio
Iludir o ilimitado

Raiva! Raiva! Raiva!
Amar a ilusão.
Amar o vago.
Amar o ilimitado.
Próximo passo,
Próximo dia
Sem magia
Sem limite
Sem amor
Sem poesia

Fugir. Seguir.
Correr.
Espero as tuas palavras
Que nunca cheguei a ler.

Sabores da tua boca
Na minha,
Que é tua.
Na minha que é tua.
Raiva.

Esperar,
Não ter.

Limite

A linha que cruza o Tédio
É irmã da Tia Carminda
A Tia Carminda faz bolos
E bebe vinho

Hoje é natal
Abram as latas
E batam nos burros
É Natal!

O Pai chamou o filho
O filho cantou para o Pai
É Natal
E a Dona Carminda come bolo

É Janeiro
Eu monto o cavaleiro
É Inverno
Eu queimo o meu caderno

É Natal
É Portugal
É bem e mal
É Natal!


Escrevam em actas
Comam batatas
Virem as páginas
Rompam aos saltos
E aos pinotes
Que eu quero por força ir de burro
E a um burro nada se recusa!


É Natal!

sábado, 19 de novembro de 2011

Contra-tempos.

Contratempos.
a lógica é lógica porque não podia ser outra coisa
a filosofia é filosofia porque os gregos são gregos
a história é história
a medicina é medicina
a psicologia é psicologia
a sociologia é sociologia

Morra o Pitágoras
Morra o  Dantas
Morra o Platão
Morra o Saramago
Morra o Descartes

Que eu estou farto de morrer por eles
Hoje quero viver
Hoje só quero viver

A vizinha da frente tem umas peúgas amarelas
As minhas cuecas são azuis
Ficavam bem com peúgas amarelas

Viva Portugal!
Viva que ninguém nos leva a mal!

É poesia! É arte!
É Pop! É rock!
É Bernardo Soares:

"Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz."

  1. Não sou poeta
  2. Sou obstetra
  3. Não escrevo nem leio
  4. Escrevo-me e leio-me
  5. É tudo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Roubar ideias é umar arte.

Hoje vou roubar uma ideia!
Vou roubar uma ideia de Platão.
A ver se ele me processa por plágio.

Com sorte consigo ser processado por calúnia
Ou difamação.

Como os nossos advogados são fracos
Só sou processado por "doses ilícitas de Amor"

As palavras são vorazes,
Mas eu não sei o que é que isso quer dizer.
Talvez a vizinha da frente saiba.
Gosto de sofrer por amor,
Se for platónico então...
É uma delicia.

O humor é como um filme de Terror.
Se roubar uma ideia de alguém morto
Fico famoso e vou para os tribunais
Dissuadir juízes
O Advogado faltou às aulas de Retórica
O Juiz é Juiz porque não tinha mais tempo
Para ser outra coisa qualquer.


Roubo uma ideia e vou vendê-la,
Com sorte ainda ganho dinheiro
Para cobrir as despesas do processo.

Tenho saudades da Ofélia
E de quando eu era Fernando Pessoa.
Escrevia poesia e fechava-me no quarto
Por ter medo de sair à Rua.
Ia para o café com o Santa-Rita Pintor
E bebia absinto.

Eram vinte para as quatro e ia comprar tabaco
À Tabacaria do Álvaro
Dos campos voltava para o café
Consumia ópio para as dores de dentes,
A morfina alivia-me a dor do sentir
Por vezes tinha diarreia e o meu fígado sentia-se mal
Com o excesso de sémen que engolia
Da Ofélia.

Bati à porta,
Eram quatro da manhã,
O nininho devia estar a dormir
A Íbis do Íbis masturbava-se
A pensar no Platão
E no dia seguinte eu não trabalhava.
Como bom poeta, dormia três dias por semana
Trabalha em part-time, para as despesas,
Dormia num quarto alugado
Traduzia textos para português
E vendia livros na Solipso
Fui à falência porque não
Tinha jeito para vender.

Agora. Todos me estudam e adoram.
Antes, só o Dantas gostava de mim de verdade.


Vou roubar uma ideia ao Picasso,
Ele era a gaja mais boa do tempo dele
Hoje... boa... só a....
Essa mesmo!


Um poema nem sempre
Tem que ser um poema.

A porta da frente está fechada e a vizinha esqueceu-se
De ir dormir, hoje fica acordada para me ver passar.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Congratular o Apocalipse.

Fechar os olhos e divagar, porque tudo o que começa tem necessariamente que ter um fim. Pensam os humanos. A existência parte do princípio de que para se existir, vai ter que deixar de se existir. As palavras preservam-me a eternidade e congratulam-me no Passado, Presente e Futuro. As palavras mordem-me os lábios num desejo de quem ama, de quem odeia, de quem vive.
Ainda que eu exista, eu congratulo o fim. Porque o fim é sempre mais belo. É mais coerente.

Bebo. Fecho e adormeço.

Poesia da discordância

As regras sociais fogem da regra
As regras socias são uma generalização apressada
Os estereótipos são falácias.

A moda segue a moda
A organização social é ilusória
Mentiras. Mentiras. Mentiras.

Crenças dúbias.
Eu acredito em mim.
Egocentrismo, finalmente.

sábado, 12 de novembro de 2011

Longevidade.

As palavras mordem-me os lábios,
O desejo é atroz,
O beijo é veloz

A intensidade pede longevidade
São trocadas emoções
Sensações pedem para que dure
Promessas na ânsia de não serem vãs
São beijos nas tuas maçãs

Um rasgo de prazer
Sob a égide do teu beijo
O odor do teu corpo
A abraçar o meu

Sobre palavras que eu podia dizer
Sobre palavras que tenho guardadas
Sobre cansaço que pede que fiques para sempre
A lucidez amarga o meu ser.
Se é que sou alguma coisa.

Crença convalescente
De que o Amor é desejo ardente
Que o amor é evidente

O teu corpo veste o nu
Para tocar no meu já despido
Tenho lido
O teu rosto
Tenho lido a tua alma.


Acredito que a mancha vermelha
Que marquei em ti,
Seja um sinal de eternidade
Quero longevidade
E ser eterno em mim
Já que em ti ficarei para sempre


Só prendo as palavras porque não posso
Dar-tas mais.

Quero amar-te mais.
Quero que estejas sempre aqui.
Acredito em nós.
Acredito, pois.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Olhar angelical

Freud sentou-se à mesa:
Você não sabe nada - Exclamou Platão.
Sócrates disse bem alto: Só sei que nada sei!
O Descartes levanta-se e diz,
Amigos, eu descobri! Eu penso, logo existo.
Sócrates responde.
Só sei que nada sei.

Vem o António Damásio
E exclama: Não basta pensares para existir,
Tens que ser consciente da consciência

Senta-se Agostinho da Silva
E fuma um cigarro.

Almada Negreiros olha em vão.
Vergílio Ferreira reflecte sobre a sua existência.
Sartre come com ele.

Albert Camus vai para o café
E abraça os amigos.

Manuel Arouca chora em vão.
Na mesa em frente está Fernando Pessoa
A ver sentado a seu lado Mário de Sá-Carneiro
Santa-Rita Pintor levanta-se e berra:
SOMOS A ORPHEU.
Manuel Arouca - mas o que importa sou eu.

José Saramago diz: Avante Camarada.

Os fantoches saem de cena
E volto eu ao palco.
Fantasias e brinquedos estão à minha volta
Eu dou beijos às palavras e fantasio
Com as frases.

Sento-me sozinho e deambulo nos meus pensamentos
Sento-me e esqueço
Entro em catarse.
Sabias que eu existo?
Eu existo!
Eu existo!
Eu existo!
Se eu não penso, logo existo.

Sentei-me no chão e brinquei mais uma vez com as palavras
Hoje quero a companhia de um amigo imaginário
Para brincar com ele
Sou novo outra vez.

Estou no centralismo
E Piaget observa-me
Pois eu tenho vinte e cinco anos
E ainda estou no Egocentrismo
E passou o Centralismo para me abraçar


Freud diz que eu resolvi mal o estado fálico
Eu acho que foi o oral
O estádio anal resolvo todos os dias quando vou à casa de banho.
E brinco com as minhas companhias imaginárias.
Brinco porque é bom brincar.

Sinto-me mais leve agora que posso brincar.



A infância outra vez.

Mãos dadas,
Olhar de respeito.
Ele procura uma mãe,
Ela procura um pai,
Dizem-lhe que é o Complexo de Édipo,
Dizem-lhe que é o Complexo de Electra.

Ele olha para ela à espera que ela lhe dê as mãos,
Ela olha para ele à espera que ele pegue nela.
Ela procura segurança,
Ele procura amor.

Dão as mãos:
Ele convida-a a sentar no baloiço
Ela senta-se e olha para ele
Ele empurra o baloiço com cuidado
No movimento para cima e para baixo,
Ela sorri muito.
Ele repara em como o baloiço representa o humor
Quando em cima, os momentos altos;
Quando em baixo, os momentos baixo.

Ela ri e corre para os braços dele.
Ele chora sem que ela veja, para poder ser o Pai.
Ela sorri.
Ele chora e volta a chorar.

Pudesse eu amar como uma criança,
Pudesse eu ser ingénuo
Pudesse eu amar como um cego,
Pudesse eu amar sem ouvir.

O ciúme é amor.
A presença é dor.

Têm treze anos outra vez.
São jovens de novo.
Choram como quem ri
E riem como quem chora.

É amor?
É amor!
Amam apenas.

Sinto o vento. Sinto a luz e amo assim.

É infância outra vez.

O homem vivo que estava morto

Morto de mim.
Morto de ti.
Apagaram as luzes e as velas acenderam
Para orar.

Rezava eu, ele,
Rezávamos nós.

Andava de braços dados consigo mesmo,
Não sentia,
Era indiferente ao mundo,
Não pensava.
Estava morto.

Estava morto há dois anos.
Não sabia o que era amar.
Não sabia o que era errar.
Não sabia nada mais.

Rezava ele:
Pai nosso que estais no céu....
E um anjo gritou-lhe ao ouvido;
Pára! Vive!
Tens que viver! A vida é tua e é linda
Deixa os conceitos e vive!

O tempo passou...
A gnoseologia apagou-se
E cessou o olhar dos desconhecidos.
Cessou o tempo porque não penso
E nada parou para pensar.


Eu sou eu
E somente eu.

Reza,
Porque eu não sei nada
Acredita,
Porque eu acho que não sei nada.
Finge,
Porque eu sei que não sei  nada.


Haverá alguma coisa que eu possa dizer?
Se houvesse realmente alguma
Já a haveria dito
Dir-me-às o que dizer
Ou saber

Fingirei
Porque te amo
Fingirei
Porque não te posso possuir


O homem vivo estava morto.

Eu morri apenas,
Porque viver cansa.


O vício da dor.

Dói na primeira pessoa.
Vou refugiar-me sozinho.
Tenho saudades
Tenho ciúmes
Tenho dor
Tenho amor
Tenho dor
E dói
Dói muito
Dói porque te amo
Dói porque te amo

Dói muito no peito
Dói muito porque tu não compreendes
Que eu te amo
E amar-te é sentir as coisas assim
Só queria que conseguisses compreender.
Que me amasses a mim.

Dói muito.
Vou fechar-me no quarto.
Dói muito.
Dói muito!

Não quero mais isto.
Hoje sou tulipas,
Sou absinto,
Sou labirinto
Sou ópio.
Sou eu próprio!

Ser ou não ser, eis a questão
Não sei se cão
Se outra coisa qualquer
Se homem, se mulher
Se Deus, se Lúcifer

Sou eu e eu apenas.
O eu cansou-se de ser outro.

Outrora Reis e rainhas,
Agora proletariado e amores sem fim
Porque não sei se para mim
Chega a existir alguma coisa
Que não seja coisa nenhuma
Quantas coisas são alguma

Percepção e realidade
Mentira e verdade
Eu minto. Minto.

As lágrimas não me escorrem pela cara.

As lágrimas não me escorrem pela cara,
Choro por dentro.
Não sei o porquê de chorar
Mas hoje choro

Só choro porque choro
Choro e choro e choro

Pensamento oblíquo
De quem não pensa em nada

Emoções são só emoções
E no meio disto eu não sou nada

Apenas tentei ser qualquer coisa
Na verdade não cheguei a ser.

Amo porque amar é doença
E eu sou louco.

Sou louco porque a lucidez cansa
Cansa, cansa, cansa!

Estou em mim porque não posso estar em ti.

Estou aqui a pensar e a sentir coisas
Que não sei descrever

Se são ciúmes vou fugir para o egocentrismo
E vou amar-me apenas a mim
Porque Amo, amo, amo, amo, amo, amo.


Amo-me a mim.
Amo-me a mim.
Amo-me a mim.



Apologia do mentir
Minto, minto, minto.

Hoje sai de mim, para estar de fora
A contemplar-me.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"O Teu Poema"

Eram três da madrugada e a biblioteca que outrora era fruto de Adão e Eva
Haveria sido substituída por bancos cómodos com computadores sem livros.

Lia-te e lias-me de forma doce.
As passagens que te conto em trabalhos meus que nos fazemos
São virtudes incansáveis.

Porque o nos trazes a este lago. A este mar de prazeres e luxúria
Onde vinho tinto escorre pelas nossas suaves bocas.

Cigarros são trocados e consumidos apocalipticamente
Palavras que não existem são consumidas e atadas aos cálices servidos.

Brindemos, Brindemos porque hoje somos nós um.
Nenhumas palavras preencheria qualquer da nossa cumplicidade.
Morre Dalila, vive a Emília.
Os poetas cruzavam o Tejo, cruzavam o Douro
E a poesia escorria de forma suave.

Onde somos teu.

Teu porque seremos únicos.

A realidade e dissonâncias cognitivas
Assim como dilemas existências
Estavam de lado no nosso caminho
Porque o nosso valor está no que somos
Enquanto esperamos uma suave aprovação de quem nos lê.


Poesia. Poesia é isso mesmo. A Arte está na moda.
Mas não está na moda ser Artista, está na moda tentar ser artista

E como artistas que somos abraçamos as nossas causas e projectos
Orpheus e Novos para ficar.

Noronhas que te deixo ao descer o rio.
Na companhia do meu ser.


Serei alguma coisa? Sou toda a coisa!

Dilemas são dilemas.

domingo, 6 de novembro de 2011

O Platão deixou o sexo tântrico.

O Platão despiu-a. Vestiu-lhe o nu. Escreveu-lhe cartas para as quais não obteve resposta, achou-se Platão, perdeu-se o sexo tântrico.O Platão sentiu ciúmes, o Platão ficou obsessivo e chorou sem lágrimas.
A vida avança, nesta balança sem peso nem medida. Onde palavras são secas pela sede.
Platão nunca pensou poder apaixonar-se assim. Platão obsessivo compulsivo. Platão assexuado. Chorou. Lágrimas. Tédio. Chorou em seco.

A dor corrompe-lhe o coração porque a terceira pessoa devia estar a escrever na primeira. Platão cansei-me de escrever-te na terceira pessoa. Estou perdida de amores por ti. Nesta fusão de alma que temos em nós. Platão isto que sinto por ti é só desejo sexual. Platão, eu sou Platão. Platão ambos queremos que isto dure para sempre. Platão podias acreditar por mim. Hoje tenho medo do escuro e sou uma criança de sete anos. Platão hoje estou frágil. Platão isto que digo não significa coisa alguma.

Estou cansada de tudo isto. Estou cansada de não te poder beijar e ser penetrada por ti neste amasso que somos um. Estou cansada. Estou derrotada.

Eu, Platão. Estou farto disto porque ainda não deixei o sexo tântrico. Porque ainda não tornei as minhas fantasias realidade. Porque ainda não entendi se isto entre nós, meu caro colega Platão. É jogo ou amor. É atracção física, paixão ou coisa alguma. Sei que te amo e que o resto me parece insignificante como peças de encaixes diferentes que se encaixam na perfeição. Um dominó sem partes iguais. Um xadrez sem bispo nem diagonais. Um amor cansado e com garra. Porque o ciúme também se sente, ainda que o respeito seja mais forte. Será amor? Será jogo? Será fogo a pegar? Será vingança?


Não sei se é vingança, meu caro Platão. Sei que hoje sou uma miúda frágil, completamente desprotegida, mas que sabe o que quer. Sei que estou cansada e que a ingenuidade me cai na perfeição. Hoje sou tua.


Hoje sou teu.

sábado, 5 de novembro de 2011

O problema de saber tudo está na dimensão.

Prever o momento a seguir porque humanos funcionam como peças de encaixe perfeito. Saber tudo é um problema. Saber o que o outro está a pensar e a sentir, saber o que vai acontecer a seguir, sem tentar antecipar o acontecimento. Apesar de saber tudo, respeitar o mundo e o ritmo dele, com uma certa indiferença.
A plenitude está na indiferença. A postura rotula a percentagem de felicidade. Quando se sabe mais que o suposto não se deve mostrar porque assusta.
Saber que a namorada do Afonso o trai, só por olhar para ela. Saber que o teu Pai vai às prostitutas. Saber que a tua namorada diz-se fiel e te anda a trair com o padeiro. Saber que o teu médico te receita anti-depressivos e está a passar por uma depressão. Saber que o juiz tirou a pena ao criminoso porque faz amor com a prostituta. Saber que o presidente da junta de freguesia trafica cocaína. Saber que o teu psiquiatra é viciado em cocaína. Saber que a tua mãe acabou de abrir as pernas na secretária do patrão. Saber que o teu irmão, que se diz heterossexual está neste momento a dar quatro patas ao melhor amigo e a levar por trás. Saber que a tua mãe e o teu Pai são viciados no casino e estouraram a fortuna da família no casino. Estão na penúria. Saber que as leis são impossíveis categóricos. Fingir que não sabes de nada. Cerrar os olhos. Ignorar. Indiferente, fingir. Tratar as pessoas com ingenuidade para o mundo parecer belo. Isto tudo porque a vida é bela.
Saber tudo não é um problema. No mundo não há problemas. Há pontos de vista. O dinheiro são números, as pessoas são rebanhos acostumadas a que tomam as decisões por elas e que o mundo corra em torno delas. Fingem sentir a crise porque na televisão anunciam medidas de austeridade. O mundo dá voltas, o relógio avança sobre uma concepção de tempo que não existe.
Uma Constituição em falácia. O tempo avança, a história globaliza-se, o globo industrializa-se. Os supostos problemas de hoje são os mesmos de há dez séculos atrás. Estão na dificuldade em aceitar que o poder e submeter-se aos poderosos. Querer um líder, porque ser líder de ti próprio cansa.
Escritores, pensamentos, filosofias. Cansa. Tudo cansa. Nada
e verdade.

O tempo parou porque nunca chegou a existir.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tempestade poética.

Sensacionismo bucólico,
Futurismo

Falta dele.

Futurismo.

Poesia.
Poesia.
Chuva.
Chuva.
Está a chover no meu quintal.
O meu mundo tem paredes.

O meu mundo é surreal.
Bim bim. Bum bum pau.
Pum pum pim pim
Zááááááááááááás.

O mundo é controverso.
Eu escrevo em verso.
O mundo é dicção.
P-O-R-T-U-G-A-L.


O Poema é uma tempestade.
Um poema é ciúme.
O poema é realista,
Um poema é neo-realista,
Um poema é fantástico.
Um poema é merda nenhuma.

Bum bum bum bum pau.

Bum bum bum bum bum bum pau. Pim pim pim pim
Não me fodas a cabeça a mim.


Pum pum pau.
O bocage era um calhau.

Záaáááás.
Zááááááááááás!!!!

Záááááááááááááááááááááás!


BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM
BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM
BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

Que se foda a Orpheu.
Que se foda o Caralho do Bartolomeu.
Que se foda a puta que o pareu
Porque a que o pariu
Fugiu
Comigo,
Meu amigo.

Meu caro Watson, elementar:
Eu estou com vontade de cagar.
A poesia é foda, é coito,
É biscoito, é oito,
É viva e é roda.
É a rosa peixeira,
A fazer um broxe na algibeira.

É o Ary a foder os santos,
O Fernando a dar no cu da Pessoa,
O Sá-Carneiro a broxar nos bancos.
O A-Berto lunário
A levar no cu do vigário.
É o Shakespear a comer o William.


É uma orgia, é a puta que os pariu.
É roma, é a antiguidade clássica.
É a prática
A dar no cu, a levar nele.
A comer à mesa com a cocaína,
Da tia adelina.
É Felizmina
Que prostituta,
Porque ser puta tá caro
É um escarro.
É um sapato rasgado.
Um colhão apertado.
O sémen a deitar para fora.
A ejeculação pelo cu.
A levar a próstata
Ao doutor Casa.
E a puta que o pariu.

Fode no cu. Fode. Fode. Já fodeu.
No cu, já foram tantas, que desta vez não doeu.

Que se foda a poesia.
Que se fodam os aplausos.
Que se fodam vocês e eu também.
Porque não há ninguém.
Que se foda tudo.
Não há revolta.
Que se foda a revolução francesa.
Que se foda o Danton,
Que se foda o Robespierre
Que se foda a mulher,
Que se rebente no cu a poesia
Em todos os paneleiros.
Porque do mundo está ele cheio.

Eles rodam e comem no cu,
Os heteros dizem que não gostam
Mas vão as putas pedir que lhes enfiem o vibrador no cu.

As mulheres em casa, são santas,
Fora dela. Comem os patrões.
Ninguém come o que tem.
Porque almoçar fora é mais barato
E é melhor para esvaziar os fluídos vaginais
E rectais.

Que se foda toda a gente.
Porque toda a gente mente!
Toda a gente ama!
Toda gente trai
Toda a gente finge não trair.
Toda a gente que se foda! Que se foda toda a gente!

Mentirosos!
Criminosos! Falsos moralistas!
Falsos estadistas!
Falsos intelectuais!
Que se acham mais
E nada! E nada! E nada são!
Todos a coçar a prostáta.
Heteros de merda!
Paneleiros de merda!
Putas de merda!

Anos de merda.
Fantasias.
Alegrias.
Masturbação.
Mentira.

Bum Bum pau
Puta que chupou.
Puta que pariu e eu vou.

O Amor é Poesia.

Amar como quem ama o vento,
Amar como quem ama a tempestade,
Amar como quem ama a velha idade,
Amar como quem ama um rebento.

O amor é um conceito artístico,
O amor move a arte, vontades;
O amor é um jogo de interesses:
Não dos que eu tenho,
Dos que eu gostava que tivesses.

O amor é acomodar-se à conceptualização
Dele mesmo; Para assim mover montanhas.
O amor pode ser beijar como pessoas estranhas,
Pode ser sensação, emoção,
Ou falta delas.
Há em mim uma tempestade poética:
Que cruza a linha do absurdo com a ética.
Construo um poema sem estética,
É a emoção pragmática.

Circulos convexos,
Como universos disconexos
Sobre uma utopia do eu,
Não do meu, do teu.

Palavras tempestuosas
Que desconstróiem a acção,
Que mostram a liberdade.
O livre-arbítrio não existe,
Com ou sem Erasmo de Roterdão.
É uma questão
De conceitos. A liberdade, se existe,
Não se faz de conceitos.

Eu penso um poema,
Eu penso uma pessoa,
Eu construo o mundo.
Eu escrevo o mundo.

A imagem é a semelhança de Deus,
Deus, se existe, está em mim.
Nada mais há para além dum pensamento.

Deus virou as costas ao mundo.


Eu penso, eu delibero.
Eu eugenizo o mundo.

Não sei o que pensar,
Penso eu mesmo!
Palavras e letras.
Letras e palavras,
Ai! Como eu estou farto delas.
Como eu estou cansado delas.

Dói-me a alma. Mas ela já não está cá.

Foi com Deus.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Poesia do três.

São três horas,
Tenho três casas
Cada uma tem três quartos.

O meu triângulo tem três pontas
Estou a ler três livros.

O vazio é contemplativo,
Porque na realidade eu não quero dizer nada.

Se eu pensasse em dizer alguma coisa,
Certamente não chegaria a dizer coisa nenhuma.

Já pensei em muitas coisas,
Mas nenhuma delas foi efectivamente pensada.

A melancolia é solitária como as bichas.
Batem de leve na minha porta,
Porque eu estou a dormir e têm medo que acorde.
São duas dúzias de pensamentos,
Porque o resto no mercado não se vende.


Eu não sei o que digo, porque nunca pensei muito em tentar dizer alguma coisa.
O Eurico beija-flores, eu beijo a mulheres.
Mas se o Fernando for Pessoa, eu sou gente. Eu tenho calor.
E se o Mario sabe a Carneiro, eu prefiro comer a Ophélia.

As putas e o vinho verde, porque o vermelho está caro.
Todas as mulheres são putas menos a minha,
Toda a alma tem prisão de ventre, menos a minha.
Todo o tédio tem uma luz, menos o do Fernando Pessoa.

Todo o Wilde tem um Oscar,
Todo o Socrates é imoral.
Todo o racionício é inválido.

E toda a loucura é sagaz.

Jogam as palavras na minha casa.
Jogam as palavras na minha casa.
Jogam as palavras na minha casa, porque a do vizinho está ocupada.

A piada não tem piada,
A piada não tem piada.


Eu não tenho piada,
Eu não quero ter piada.
Eu quero-me rir,
Eu tenho sono.
Eu tenho sono.
Eu sou louco.
Porquê? Porque sou louco.


Eu durmo. Eu durmo. Eu já dormi.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Três minutos de arte.

Um cigarro a consumir o tédio,
O tecto a pedir mais chuva para poder cair,
O Sol escondido e a brilhar para o outro hemisfério.

Estás de férias, acordas.
Hoje está a chover,
Consome a poesia,
Lê-me, lê-nos.
Brinda.
Brindemos.

Em três,
Passagens intemporais.
De poetas
Que eu não sou.
Que eu serei.
Jamais pensarei
No mundo,
Ignorância de cantar.
Serei um ignorante, feliz e incosciente.

Serei a pobre ceifeira,
Serei feliz. Sou feliz.
Em três minutos sou o ser mais feliz do planeta.
A felicidade em plenitude, eu abraço-a

Um banho chama por mim.
Uma água benta das nuvens.
Ruma à vida, eu vagueio.

Rumo à vida, eu penso.
Chuva: hoje estás molhada.
Até já chuva,
Até já chuva,
Até já chuva!

domingo, 23 de outubro de 2011

Intermitências de arte.

Riscar um poema.
Riscar um dogma.
Riscar um fonema.
Riscar um paradigma.

Um poeta canta em coro,
Um verbo pede socorro.
Uma frase por construir,
O poeta a bulir.

Dois dias passam a correr,
Uns tentam dizer,
Outros conseguem escrever
Um poema para ler.

Ciência de existir,
Não do que se sabe,
Do que está para se saber.
Não do que vem,
Do que está para vir.

Correr, como quem cansa.
Porque o peso oscila na balança
De quem contempla
Uma rima em paleontologia
Porque existir é uma antologia.
Uma antologia estética,
Poética,
Sem ética.

Escrever é uma apóstrofe
Sem paradigmas,
Sem esquemas ou linhas.
Porque rectas ou curvas,
Ambas são traços degenerativos
Da memória dos vivos.

Uns insultam, contestam
E acarretam a cruz às costas
Como se fosse Cristo,
Mas eu não tenho cá disto,
Evaristo.

Outros continuam correntes,
Uns avançam, outros contestam.

Uns são poetas de intervenção,
Outros de canção.
E todos abraçam causas e fundos sem causas
Porque com ventos vêm as chuvas,
Tempestade ou não.
Seja poema, ou não.
O coro é em vão.

Bertrand Russel,
E o caracol em carrossel.
Uns trabalham outros pensam.
Simetrias e assimetrias de existir.

Nostalgias de um bem perdido,
Antologias do suicídio.
Filosofias e cadeiras barométricas
Que medem o estado do pensamento.
Um alento sem causas para efeitos.

O medicamento do tédio,
A pastilha e o remédio
Santo.
A descrença na crença em Deus.
A necessidade da Ciência,
Teologia avança,
Pessoa balança,
Saramago dança.

Acreditar em Deus,
Acreditar em ateus,
Acreditar nos meus.

Tédio e filosofias ao desbarato.
Informação e contestação
Social.
Reflectir em Portugal,
Sobreviver no Senegal.

Comer na Polónia,
Subsistir na Somália.

Povos abraçam causas económicas,
De quem vivem a somar e subtrair
Nas contas
Públicas.


Ligar à frequência,
A lei da atracção a chamar os frutos
Dos nossos pensamentos.

Conseguir, querer e crer
Não em Deus,
Nos meus.

Crer em Deus também,
Crer em Deus por ele mesmo,
Não pela necessidade de que ele exista.
Depois de passar a Bíblia em revista.


Acreditar, saber, aceitar.

Aceitar o vão,
Aceitar o vago,
Aceitar a Eva, o Adão, o Pão.
Tolerar o estrago.

Viver sem contestar,
Concordar,
Aceitar,
Não chatear.

Pensar,
Reflectir,
Conseguir.

Absolutismo régio do eu.

Porque o que quero é o meu.

O meu ser, que sou, que nunca fui.
Onde estive, onde quis, onde vou estar.
Nunca pensei no mundo, sou o mundo.
A percepção desligada de outras percepções.
Porque a minha realidade haverá sempre de ser percebida
E nunca entendida.

Nunca acreditei em nenhum Deus,
Acredito em Deus.
Não um em especial,
Acredito no meu.

Vem o Passado, o Presente, o Futuro
E a prova em contrário de uma matriz programada
Ou por programar,
Viver a representar ou assumir a responsabilidade de viver
Com o que temos e viver, porque o comando está nas mãos
De quem tem, de quem quer ter.
O comando foge das mãos de quem acha que não pode ter.

Querer, um bem querer, porque eu me quero a mim.
Seja em chuva, sol, granizo ou no meu pedestal
Com chuva, sol, granizo e paraíso.
Eu estarei comigo, estarei comigo a dividir o meu espaço
Porque conquiste a lua ou Marte,
O meu espaço é na arte.


Acredito em Deus,
Acredito na estética,
Acredito na arte.

sábado, 22 de outubro de 2011

Tédio, Políticos e Lágrimas

Um poema caminha no vácuo,
Um coração aperta uma frase
A psicologia nasce sem Catarse
Gregos, Romanos e Troianos
A abraçarem Políticos.

Apocalíptico saber
Que me tenta conhecer.
César Augusto
A preparar as castanhas para o magusto.

Brindam loucos,
Como se fossem poetas:
Morre Kadhafi, aplaudem os turcos.
Cantam palavras,
Como se fossem humanos:
- O mundo está em crise.

Economia libertina
Que já levou tantos à guilhotina.
Números sem ouro,
Que não cobrem rasgos de louro.
Reserva Federal a emitir notas
As vacas a ficarem loucas,
Os frangos com gripe
Das aves que voam tortas.

É a SIDA,
É o apito de partida.
É a televisão,
É a Candidíase
E a comichão.
É a homeostase.

Vem o Coelho a contar os Passos,
O Paulo a fechar as Portas
Os submarinos a entrar nas docas,
Os cortes feitos aos soluços.
Vem o Sousa, Jerónimo a foder o juízo,
O Francisco a partir a Louça para fazer o jazigo.
Chega o Jardim do João do cu Aberto
E lá entra tudo, entram milhares de euros,
Mas como no coito, tudo o que entra sai.
Do Cu do Alberto João Jardim sai tudo,
O Maremoto vem, e centro comercial cai.
É o Gladiador do cu aberto a segurar o escudo.

O Euro e o dólar,
O Obama e o Kadhafi.
Tinham os dois cheiro de preto,
O melhor é nem chegar perto.
Um está morto,
O outro cheira a esgoto.
Os Unidos dos Estados
Espremem os testículos aos Europeus
Desde as guerras mundiais.
O Estados Unidos fodem tudo:
-Fodem a arte, fodem no cu, fodem com o cu
Fodem o juízo, fodem a paciência.
Fodem a bomba atómica com a Ciência.
Fodem o Japão,
Fodem Hiroshima
Fodem com o cu para cima.
Que se fodam os Estados Unidos,
Que farto de ser fodido por eles já eu estou.
É o Sebastião que fugiu e nunca mais voltou.

Viva! Viva! Viva!
Vivam as putas e os charlatães
Vivam Os Americanos e os Alemães
Vivam os Anteros e os Quintais
Vivam as crianças e os cabrões dos Pais.
Aplaudam os Portugueses
Mercantis e os Portugueses Burqueses.
Batam palmas os Gregos e os Fariseus
Batam, batam, batam que os colhões são meus.

É o Bocage a abrir a boca e em vez de mosca
Entra caralho. É o Camões e a moça tosca
E a puta da alegria. A puta da alegria.
Que no cu também comia.

Vivam os Portugueses! Viva! Viva!
Viva que aqui também sobe o Iva!
Irra! Irra! Que o Passos coelho Espirra
E os Salários crescem em dívida.

Brindemos aos Portugueses,
Aos Alemães, à Europa
E acima de tudo aos Estados Unidos.
Aos Estados Unidos por foderem tudo!
E foderem com tudo!
V-IVA!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O SISTEMA DE ENSINO É UMA BULA DE INDULGÊNCIA.


Juntos desenhamos o mundo: estamos com Platão, Ofélia, Antero de Quental, Mário Cesariny. Juntos somos a Arca de Noé. Conservamos experiências, contemplamos mundos claros e obscuros. De noite vivemos para abraçar poesia e criar, porque chegamos à conclusão que a experiência vale mais que a vida.
Juntos somos droga na ânsia de ser consumida.
Vejo-te abraçar os louros da tua coroa. Para dizeres ao mundo tudo o que sempre quiseste, mas nunca te deixaram dizer. Para mostrares ao mundo que vives sobre a égide da ideologia Francesa: Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Acordas Danton e Robespierre, Girondinos e Montanheses, tiras o Louis, o Rei XVI, da forca. Levantas a Marie Antoinette, dás-lhe uma vida e ela segue-a sem se aperceber, é uma percepção nossa e representa-a na perfeição. Tu, escritor de nome, vais ser um dos maiores poeta do século XXI ao me lado. Teremos o nosso amparo, juntos. Não vivemos em Esquizofrenias que contemplamos ou tentamos desambiguar para ser qualquer coisa. Nascemos no mesmo berço, em tempos diferentes, já Siameses, sentias que eu existia em ti, antes de eu existir.
Ler-te faz-me saborear o prazer de saber quem és, antes de o seres. Sem precisar de ser alguma coisa para que tu saibas que eu o sou. As palavras são apenas isso, palavras. A experiência, também o é. As pessoas vão e ficam e quando se constata isto, é quase como assumir a carta de despedida. Mas, há que notar aqui uma coisa enorme. Eu não me despeço, eu não relembro, eu não saliento ou sustento qualquer coisa no desespero de justificar. Eu sei-te viajante, eu sei-te tão bem, que sei também que viajaremos juntos pela eternidade. Que temos uns bons anos pela frente a viajar e a contemplar as nossas visões, previsões e debates políticos da maneira que só nós sabemos bem.

O mundo gira sobre uma crença na descrença, o mundo é sustentado com base em nada. A riqueza é definida por um número, seguido de muitos outros zeros. É definida por uma conta bancária, números atribuídos arbitrariamente. Números que não têm qualquer valor ou correspondam a uma possível representação mental, porque é certo que nada existe que possa ser representado mentalmente. Os bancos não têm ouro nos cofres, não têm prata, não têm mar, não têm rio. Têm pessoas apenas, pessoas que dependem desses números para circular e se sentirem seguras, livres e autónomas, pessoas que deixam a sua felicidade depender de números. Eu, que sou tu, juntámo-nos para defender causas e abraçar projectos, para elevar os nossos valores que correspondem com os ideais da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Acordamos Dantas, matamos Obama, falamos com o FMI e fundamos uma nova Oligarquia, a Oligarquia do respeito, tolerância, aceitação e bem-estar. Porque juntos somos nós. Porque acreditamos que não temos que ser o estereótipo um do outro, porque já o somos antes de o ser. Vivemos juntos no mesmo corpo, aceitando os hábitos de cada um.
O mundo cai quando abraça o Capitalismo, o sistema de ensino é uma fraude que o promove. Tu defendes que o Comunismo é uma forma de Capitalismo, como eu gosto e concordo contigo. Ambos sabemos que é urgente um novo sistema político. Que a Democracia é ineficaz e que o Capitalismo está a conduzir a humanidade à maluquice, porque loucos somos nós, loucos somos nós que também sabemos ser lúcidos e um maluco que nunca chegará a ser lúcido. Cultura e incultura, nada interessa. As regras negam as regras, uma norma tem origem no comportamento das massas.  O mundo vai dar uma volta enorme. Nós sabemos, nós acreditamos. Nós, somos livres. E digo-o em voz alta: SOMOS LIVRES! Sim, somos e vamos continuar a ser. Porque não somos vítimas da nossa angústia, do parecer do mundo. Vivemos o nosso, cruzamos linhas entre o tédio e o absurdo. Viajamos a Paris, a Barcelona, a Roma, a Londres, visitamos o mundo sem sair do sítio. Esta não é uma vantagem da Globalização, é uma vantagem da nossa percepção.
Em breve viajaremos juntos pelo mundo, tornando-o palpável, para o poder conceptualizar de novo. Formatamos a realidade e somos uma só realidade.

Somos peças que tocam em conjunto, marionetas que se soltaram para poder viver sem que alguém as controle pela moral, as condene pela ética ou pela razão que é irracional. A Kant o que é de Kant, a Novo o que é de Novo, o que é de Novo é de Ozório.
Eu estou aqui e continuarei a estar. Irei ler-te e escrever-te. Irei pensar contigo e criar. Porque nós somos o exemplo de estudantes universitários. Somos a vanguarda, damos bom nome à geração de 70, à geração do modernismo e a todas as geração de estudantes dinâmicos e proactivos que não se deixaram ser selados e formatados. Que não se deixaram encubar pelo que os outros sabia e diziam, que não tomavam como verdades absolutas as inverdades que o mundo conceptualiza como máximas. Não nos fechamos em salas, fluímos de forma natural, quando temos que ir às aulas, vamos. Quando temos que faltar, faltamos. Porque nós, no Pátio aprendemos mais e fazemos mais que numa sala fechados a receber informação sem a poder contestar ou expor novas. Nós somos o Futuro no Presente.

Obrigado por existir-mos, Platão. Hoje és Platão. E vamos defender a Aristocracia.