sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Descobri que te amo.

Estavas sentada no banco em frente ao tribunal, sozinha. Estavas a chorar. Tomei a liberdade de me sentar ao teu lado, deixei-te chorar tudo. Quando te cansaste, limpei-te as lágrimas, puxei-te o cabelo para trás. Peguei no lenço de papel, limpei-te o borratado que tinhas nos olhos. Não te fiz perguntas. Não falei. Ouvi-te apenas. 
Estavas mal porque o teu ex te tinha trocado. 

Fui contigo à loja da frente, comprei-te uma flor de papel. E disse-te: Não quero que isto morra como amor, por isso dou-te uma flor de papel para que dure para sempre. Olhei pela janela, o teu ex passou na rua da frente. Atiraste a flor para o chão, saíste da loja a correr e abraçaste-te a ele a chorar e a pedir-lhe para que ficasse contigo. Ele virou-te costas e tu foste embora. Voltaste para trás, agarraste-te a mim a chorar e pediste-me desculpa por teres saído assim e disseste que não conseguias evitar. Eu ouvi-te e não disse nada. Sabia que a obsessão demorar a passar e que não há amor como o primeiro, por isso é que eu prefiro ser o último. Tive toda a paciência do mundo. Não me importava de te ver com ele. Fui-me começando a apaixonar por ti. 

Tu traíste-me todos os dias, eu traí-te todos os dias também. Troquei-te pelo minha caneta e o papel. Eu sabia que a fidelidade é um conceito e ver-te com outros não me fazia confusão. Estava tranquilo desde que não me chateasses. Amei-te e fiquei contigo para sempre.

1 comentário:

  1. Escreves espantosamente bem. Continua assim.
    Mal posso esperar para ler "Hoje lembrei-me que te amo".
    Parabéns.

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