domingo, 4 de dezembro de 2011

A fome aperta a sanidade mental

Dois dias passam como se fossem um
A história é um revés da memória que não posso ter
Em palavras que nunca quis dizer
Por mentir. Por achar uma mentira na verdade
Talvez um poeta não tenha idade
E eu não seja poeta
Embora eu seja poeta

A fidelidade é um conceito ineficaz e facilmente falível
Ainda que eu acredite em impossíveis categóricos
Respeito todos os registos históricos
E peço ao mundo que dele se faça Roma
E que não se mate quem ama
Que para todos os mortos haja uma cama

Os poetas são só poetas por não terem tempo de ser mais nada
Detesto a realidade
Por ser intempestiva
Fruto do absurdo e morrível

Porque ninguém me paga para escrever o que aprendo
Eu escrevo o que crio e não o que não confio
Porque a um poeta cabe criar
E contestar a ordem irreal das coisas
Que são nada
Ainda que sejam alguma coisa

A fidelidade é um conceito vago
E pouco prático
Porque ninguém o é
Ainda que o sejam
Não o são.

A monogamia matou e mal as orgias
Clássicas da Roma
Que pinta o meu lema
Porque em Roma há imperadores
E Gladiadores
Há Putas, Orgias e Oradores

Em Roma há História e memória
De quem faz Glória.

Eu acredito em todas as coisas
Que não são coisa nenhuma
Porque o que nada é
Um dia virá a ser
O que nunca poderia ter sido
Num fragmento distorcido
Como se eu tivesse adormecido
No mais belo hospital do eu
Desarranjo estético
De quem valoriza o que sou.

Porque acreditam demasiado em mim
Para saberem que vou vender
Querem comprar-me mais tarde
Por ainda não me terem estômago para ler

Acredito em mim e vou vender.
Porque a poesia também se vende
As máximas instituídas em todos os ramos
São contestáveis, sejam elas, Ciência, Filosofia
Ou Arte
Sou fã da falsa sorte
A Filosofia é o mal do mundo
Inútil para o avanço
Porque se tem medo de quem a conteste
Todos a abraçam como causa nobre e não
A põe em causa
Aceitam como um Deus no qual são incapazes de acreditar
A Deus o que é de Deus
A filósofos o que é de loucos

Aceito Deus porque ele é mais forte
Do que qualquer crença na Ciência ou filosofia
Porque ele me traz alegria
Em cada dia
Que o vejo no meu abraço.

Acredito e vivo bem pela crença
Porque em Deus há ética
E respeito e cultura
Em Deus há tudo
O que falta ao mundo
Embora incoerências estejam em quem o pratica
E da forma que o praticam
E como chegam a ele

Que se faça luz em cada casa
Onde Deus habita
Porque todas as casas são de Deus
E a Deus não há conceitos
Há amor e energia
Que faz de nós parte dele
Como se todos fossemos um
Que somos e isso compõe a realidade
Embora conceito
E inverdade
Porque nada existe ao mesmo tempo que tudo existe


Só Deus sabe como amo
E amarei e detestarei todas as religiões
Por ser incapaz de as detestar
Todas as ciências que não amo
E não acredito
Todo o cepticismo e todo o dogmatismo
Porque eu acredito no mundo que vejo
No mundo que sinto
Sou filho da emoção
E só a emoção me reserva a poesia
E me esboça a alegria.

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