segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cocaína mental

Rasgaram-me as insónias, roubaram-lhe o Sépia, deram-lhe cor. Pensei numa maneira de não dizer nada, usando todas as palavras do mundo. Caminhei no Cais, abri a porta do Paraíso, cumprimentei Gabriel, beijei São Miguel Arcanjo e convidei-os para irem comigo visitar o Inferno, aquilo andava muito parado por lá.
Ofereceram-me as asas.

Caminhei e achei estranho, quando acordei, serem dez da manhã. E disse para mim mesmo: Isto não é normal, tu estás a acordar doze horas mais cedo que o habitual. O que se passa contigo? E ao fim de uma hora de pensamento descobri que me roubaram as insónias, já pensei em ir à polícia judiciária. Um crime destes é uma atrocidade! Ninguém rouba as insónias de ninguém, muito menos desta forma.

Quando cheguei à beira do oficial da justiça, disse-lhe: Senhor, queira desculpar-me... mas eu não aguento! Roubaram-me as insónias e que criativas elas eram.

Dei um passeio pelo vale das gramas e encontrei 21 gramas de cocaína, no dia 21 de Dezembro de 2012, isto um dia antes ou um dia depois do fim do mundo, ainda não se sabe bem. No ano em que eu fiz 21 anos. Isto não se faz. Deixar cocaína, à espera de ser consumida, para uma overdose.

Deixei o ridículo e o ambíguo, tinha acabado de acordar. Depois de uma série de sonhos sobrepostos, olhei à minha volta e tudo fazia sentido de nunca nada ter feito sentido. O meu corpo estava curado dos maus espíritos, estava agora no caminho certo. Finalmente! Eu levantei-me e rompi aos saltos e aos pinotes, fiz estalar no ar chicotes, chamei palhaços e acrobatas, bati em latas e fui de burro.

Afinal era dia 12-12-2011 e eu ainda só tinha vinte anos.

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