segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dói-me as entranhas do pensamento.

Todos os títulos de um poema são um poema,
Um poema vence pelo título,
Um poema não tem título,
Que ideia esta de se dar título a um poema

Eu acredito nos poemas como quem crê em Deus,
Mas eu não acredito em Deus,
Acredito em mim mesmo.
Pudesse eu rogar por ti
Como rogas por mim,
Pudesse eu crer nas tuas colinas
E vales que te rodeiam
Para beber do teu sacramento
E ser parte de ti em mim.
Pudesse eu ser teu filho
E acreditar no que acreditas,
Ver o que vês

Para todos os malucos
Que haja loucura
E Terras sem gravidade
Nem pontos de equilíbrio
Para poderem voar e vaguear livres
Como quem se sente inteiro

É sombrio este mundo que vejo
Sem Deus em quem acredite
Sem loucura que me habilite
É triste este Deus que desejo
Porque rezo por ele como se ele rezasse por mim

Que para todos os lúcidos haja um tolo
Que queiram equilibrar
Porque loucos andam os lúcidos
Com a mania que tudo são patologias para curar

Correm cansados os crentes
Sobre os pés de Homero
Porque eu não sou ele
Nem nunca o quis ser
Eu não tenho nada para dizer
Embora o diga
Sem nunca o tentar fazer.

Estou cansado de loucos, de lúcidos, de gravidade, de Deus e de qualquer crença ou não crença.

Para Deus haja um Trapézio,
Uma ideia de dor que nunca sentiu dor nenhuma
E que não chega a doer de tanto doer
Embora nunca tenha doído.
Amarra-me a fome pela vontade de beber dos loucos que andam lúcidos
Porque não há gravidade que os acuse de viver na realidade.
Que todos vivam independentemente da idade.

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