quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

És tudo para mim.

Acordei. Pego no computador. Ligo-te. Digo-te: Amo-Te. Está a chover. Dá-me a mão, vamos rasgar a rua juntos. Vamos a Marte do meu quarto. Quando eu nasci eu descobri a lua por poder ver a tua, sabia que te amava sem nunca o ter sabido. Descobri um dia e depois outro. Nunca cheguei a dizer nada e ia dizendo tudo. As grandes reflexões deixei-as para os filósofos. Viver contigo é simples: Acordo, deito-me e masco uma pastilha elástica, quando está sem sabor, deito-a ao lixo. É isto o nosso amor. É Novembro e do meu quarto eu vejo o sol.
Simulo uma farsa absoluta e finjo gostar de todas as pessoas para que elas não me venha chatear, as pessoas só gostam de quem não gosta delas.

Meu amor, as pessoas são arrogantes.
Meu amor, quero amar-te mais.
Meu amor, estou farto de pessoas.
Meu amor, eu vejo tudo do meu quarto.
Meu amor, eu estou farto de Fernando Pessoa.
Meu amor, comprei oito livros de Gonçalo M. Tavares.
Meu amor és quem eu quero.



Depois de jantar, levantei-me e adormeci. Dei por mim e já lá não estavas, não passaste de um sonho meu.



Meu amor, rompo aos saltos e aos pinotes.
Faço estalar no ar chicotes.
Arranco-te todos os decotes.




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Descobri que te amo.

Estavas sentada no banco em frente ao tribunal, sozinha. Estavas a chorar. Tomei a liberdade de me sentar ao teu lado, deixei-te chorar tudo. Quando te cansaste, limpei-te as lágrimas, puxei-te o cabelo para trás. Peguei no lenço de papel, limpei-te o borratado que tinhas nos olhos. Não te fiz perguntas. Não falei. Ouvi-te apenas. 
Estavas mal porque o teu ex te tinha trocado. 

Fui contigo à loja da frente, comprei-te uma flor de papel. E disse-te: Não quero que isto morra como amor, por isso dou-te uma flor de papel para que dure para sempre. Olhei pela janela, o teu ex passou na rua da frente. Atiraste a flor para o chão, saíste da loja a correr e abraçaste-te a ele a chorar e a pedir-lhe para que ficasse contigo. Ele virou-te costas e tu foste embora. Voltaste para trás, agarraste-te a mim a chorar e pediste-me desculpa por teres saído assim e disseste que não conseguias evitar. Eu ouvi-te e não disse nada. Sabia que a obsessão demorar a passar e que não há amor como o primeiro, por isso é que eu prefiro ser o último. Tive toda a paciência do mundo. Não me importava de te ver com ele. Fui-me começando a apaixonar por ti. 

Tu traíste-me todos os dias, eu traí-te todos os dias também. Troquei-te pelo minha caneta e o papel. Eu sabia que a fidelidade é um conceito e ver-te com outros não me fazia confusão. Estava tranquilo desde que não me chateasses. Amei-te e fiquei contigo para sempre.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Como matar alguém:


Deixar o corpo rolar sobre a valeta e ir embora, começa assim. Decidir ligar para o diabo, perguntar-lhe se está bom e pedir-lhe ajuda. Depois de lhe ligar, esperar uns segundos. E está-se pronto.

Imaginei o mundo e matei-te naquele momento por não ser capaz de te amar nem mais um segundo. O amor é coisa de poetas, pensei eu. Senti-me um imbecil por ser capaz de amar tanto em tão pouco tempo, cedo me apercebi que isso só acontecia porque sempre te quis matar. Imaginei contigo como seria morrer com os meus pulsos cortados sobre os teus, como seria espetar a mesma faca em mim e em ti e esperar a morte. Uma espécie de suicídio colectivo em que a morte é a mais bela forma de amar e jurar-te a eternidade. As minhas facas são os teus olhos, eles cortam-me aos pedaços e entregam-me no talho duas horas depois para ser comercializado. Eu mato-te todos os dias e dissolvo-te em poesia que é servida uns meses depois em livros que as pessoas usam para se distrair.

Quando te conheci fiz uma jura de sangue e prometi amar-te para sempre, como tal... tive que te matar quando começaste a descobrir outras pessoas, para que não te passar a odiar. Não gostavas que eu te tratasse desta forma nem que tornasse a morte tão próxima, fazia-te sentir que eu era assustador e tinhas medo de mim. Eu matei-te no preciso momento em que te disse "Amo-te". Uma bala entrou no teu coração, nunca tinhas sido amada por ninguém e isso era como matar-te, embora não soubesses o que era morrer porque sempre estiveste viva, embora fosses morrendo. 

A tua música era aquela chata que sabe a pastilha-elástica de mentol quando se descobre que é feita de petróleo, é consumida por todos embora no momento em que a estamos a mascar, achemos que só nós o fazemos. A moral naquele momento é um absurdo e o impossível categórico, não há ética que faça falta. A falta de regras é a constante para poderes sobreviver, até ao dia em que tu morres.

Eu optei por matar-te antes de morrer e para isso, decidi lamber os lábios, beijar-te com a língua e dizer-te: Eu amo-te mais que a vida.

Virei costas, fui-me embora e no momento a seguir, tu morreste de amores por mim.
Eu nunca mais voltei porque morri também. Quem eu fui naquele momento, morreu ali e nunca mais te voltei a amar, amei-te naquele momento e tu morreste, eu matei-te.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cocaína mental

Rasgaram-me as insónias, roubaram-lhe o Sépia, deram-lhe cor. Pensei numa maneira de não dizer nada, usando todas as palavras do mundo. Caminhei no Cais, abri a porta do Paraíso, cumprimentei Gabriel, beijei São Miguel Arcanjo e convidei-os para irem comigo visitar o Inferno, aquilo andava muito parado por lá.
Ofereceram-me as asas.

Caminhei e achei estranho, quando acordei, serem dez da manhã. E disse para mim mesmo: Isto não é normal, tu estás a acordar doze horas mais cedo que o habitual. O que se passa contigo? E ao fim de uma hora de pensamento descobri que me roubaram as insónias, já pensei em ir à polícia judiciária. Um crime destes é uma atrocidade! Ninguém rouba as insónias de ninguém, muito menos desta forma.

Quando cheguei à beira do oficial da justiça, disse-lhe: Senhor, queira desculpar-me... mas eu não aguento! Roubaram-me as insónias e que criativas elas eram.

Dei um passeio pelo vale das gramas e encontrei 21 gramas de cocaína, no dia 21 de Dezembro de 2012, isto um dia antes ou um dia depois do fim do mundo, ainda não se sabe bem. No ano em que eu fiz 21 anos. Isto não se faz. Deixar cocaína, à espera de ser consumida, para uma overdose.

Deixei o ridículo e o ambíguo, tinha acabado de acordar. Depois de uma série de sonhos sobrepostos, olhei à minha volta e tudo fazia sentido de nunca nada ter feito sentido. O meu corpo estava curado dos maus espíritos, estava agora no caminho certo. Finalmente! Eu levantei-me e rompi aos saltos e aos pinotes, fiz estalar no ar chicotes, chamei palhaços e acrobatas, bati em latas e fui de burro.

Afinal era dia 12-12-2011 e eu ainda só tinha vinte anos.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Carta de suicídio.

Secaram-me as lágrimas.

Sofro sem dor, as pupilas estão dilatadas pela vontade de chorar lágrimas secas.

Outra vez secas!

Que este seja o último dia de lágrimas secas. Dói-me o sangue.  
Mutilação.Coração.
Corre em mim uma falta de tudo, uma falta de vontade de escrever, falta de vontade de dizer, falta de vontade de dormir, falta de vontade de estar, falta de vontade de viver, falta de vontade de existir.
(Dói-me a alma, sinto-a pesada hoje. Entrego-me à depressão. Entrego-me à saudade, à vontade.) Eu só pedi para que tudo pudesse ser como eu sempre imaginei. Uma sequência de imagens belas, num centralismo puro. Ser criança outra vez, estar num sítio habitado só por mim, sem fantasmas, sem dor, sem amor, sem rancor, sem saudade, sem idade. Ver o mundo só com os meus olhos, sem visões nem sentimentos, nem cultura.
Quem me dera poder viver outra vez, nascer dentro de mim, acordar e ser eu mesmo uma outra coisa que eu não sei bem. Acreditar que sou porque sou alguma coisa, acreditar que estou, porque estou. Poder ter energia para dar e para vender. Poder escrever peças de teatro, poder escrever depressões e textos de diário. Poder escrever poesia, poder escrever ficção e realidade.
Eu só queria uma tela em branco e em alta definição, onde eu pudesse pintar o Terreiro do Paço, o Rio Tejo, as minhas mãos, as tuas, as nossas mãos. Pudesse eu ser qualquer coisa. Pudesse saltar para dentro da tela e dar-lhe vida. A minha vida está cansada de Programação Neurolinguística. Acredito na Física Quântica, na Nova Era. Dói-me o cansaço. Dói-me as horas por dormir, dói-me a realidade, dói-me o absurdo, dói-me a ficção. Hoje quero ser alguma coisa, amanhã não quero ser coisa nenhuma. Estou cansado. Estou tudo e isto é uma catarse. Estou tudo. Estou tudo.
Nas escadas para o céu, abri a porta do inferno, descobri todas as mentiras ditas pela minha boca nos teus lábios. Tu eras só uma mentira, tu eras uma mentirosa. O meu coração rebentou com as entranhas da minha existência. Eu acreditei que podia qualquer coisa. Fiz filmes de amor, levei-te a jantar fora, realizei curtas-metragens no meu quarto. Dei-te presentes, dei-te Fernando Pessoa, dei-te um abraço e nunca te roubei um beijo. Amei-te naquele momento. Platão amou Narciso, Platão amou Baco, Ícaro. Eu dei-te tantas rosas, dei-te tantas tulipas... dei-te tanta coisa e em troca só queria um pedaço do teu amor. Cortei-o às fatias. Servi-o à mesa. Vendi o amor porque sou capitalista.
Não chores, és uma mentirosa!


Dói-me o coração do lado direito, dói-me o teu coração que tenho dentro do meu peito. Dói-me muito. Meu amor, dói-me. Meu amor, deita-te na minha cama, adormece-me. Meu amor, eu amo-te. Meu amor, dói-me a respirar. Esta noite eu projectei-te na tela em frente à minha cama, tu roubaste-me o sono. Não me deixes ir esta noite, não me deixes ir embora esta noite. Dois segundos rebentavam no meu peito como se fossem o teu. Dois minutos rasgaram-me as costas e arrancaram-me a depressão.


Só não queria que te fosses embora esta noite. Dói-me a Eva, Dói-me o Adão.
Estou cansado. Dói-me a respiração. Os meus olhos fechados não descobrem o sono, porque tu mo roubaste. Plantaste ideias e ambições no meu querer. Ideias que não passam de profecias vãs. Hoje matei-me. Suicidei-me.

Amo-te,
Vou morrer no teu amor.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pensamentos dispersos.

O que falta ao mundo.


10 de Dezembro de 2011


Bom dia,

Nunca fui muito bom a pensar sobre o que quer que seja. Sou, por natureza, inconformista. Dou-me a liberdade de expor uma grande parte dos meus pensamentos, ainda que o faça de forma dispersa e sem exagerar na fundamentação.
Começo por onde? Instituições de ensino, médicas ou sociais? Vou começar pelas instituições de ensino. Já pensaram na forma como o
ensino não o é? Os professores, seja em que grau de ensino for, limitam-se a ensinar o que sabem e como é óbvio não o fazem da forma mais adequada, deviam ensinar, em primeiro lugar, como se aprende e a não aceitar o que eles ensinam. Há diversas formas de ver o mesmo tema e não há verdades absolutas no conhecimento, isto porque foi criado e transmitido por humanos. Mas fica bem aceitar e ser cordeiro neste rebanho, ao qual eu não me conformo.
Quanto às instituições médicas, os médicos uma grande parte das vezes tentam arranjar doenças onde elas não existem, só por corresponderem ao padrão. Não há duas doenças iguais, porque não há dois corpos iguais e um determinado medicamento para fazer o verdadeiro efeito, teria que ser administrado de acordo com o peso exacto da pessoa e a altura. Mas também não é muito interessante ligar a isto. Quanto aos psiquiatras e psicólogos, eles seguem esse ramo, porque se querem conhecer a eles mesmos e não por algum interesse em mudar o mundo ou ajudar quem quer que seja. E, vão necessariamente encontrar uma patologia numa pessoa normal. Não acredito que existam doentes mentais. Acredito em pessoas diferentes. E não acredito na cura medicamentosa nem em padrões de diagnóstico. Não aceito que outro humano possa catalogar um ser da mesma espécie, julgando-se superior. E achando estar a ajudar. A maior ajuda que poderia dar, era aceitar a diferença.

Vou fumar um cigarro. Estou viciado? É mau? Não. É o que eu quero! E ninguém tem nada a ver com isso! Sou livre ainda que aceite as consequências de o ser. Faço sempre o que quero. As pessoas vivem numa prisão mental por causa de todas as instituições que nos cercam e por causa da cultura. Os médicos, juízes e políticos, que são o suposto exemplo da sociedade e os que mais julgam os outros, são os que mais drogas consomem, entre elas a cocaína. Mas têm coragem de tentar mudar, mandar prender ou promulgar leis sobre o mal dos outros.

O problema da conceptualização: está nos problemas de consciência que nos pode criar. Por exemplo, a fidelidade há muito que é uma tormenta, não só se o nosso parceiro nos é fiel, mas muito mais o medo e a repressão que nos fazemos para sermos fieis porque não o ser é um acto condenável. Estamos aqui, a negar a nossa essência, apesar de animais culturais, nós não somos animais monogâmicos. Temos necessidades físicas que se sobrepõe à cultura. E, a meu ver, é possível amar uma pessoa sem lhe ser fiel e não há motivo nenhum para ter crises de consciência com a traição. É natural. Na Antiguidade Clássica eram comuns as orgias. Mas por causa das instituições religiosas, esse acto na sociedade ocidental tem vindo a ser condenado. Mal! Porque cada um deve fazer o que quer e não o que os pensamentos o obrigam a fazer, vivendo na sua prisão mental e sendo infeliz.

Tenho muito mais a pensar sobre o mundo. Mas por hoje já chega. Isto é o que o mundo precisa!
"Faz o que queres!"

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Eu.

Eu sou só eu sem nunca ter sido eu, sendo apenas eu
Nunca fui eu, o meu eu sempre foi eu
E nunca foi o meu
Eu sou coisa nenhuma
Eu sou coisa alguma
Eu sou eu.

Organigrama das emoções.

 Que todos os sonhos sejam assim.

8 de Dezembro de 2011

Bom dia Ana,


Estás a acordar e eu adormeço, estás a adormecer na hora em que me levanto. Hoje sonhei contigo, o meu corpo pediu chocolate pela minha manhã que se começava a fazer às dez da madrugada. Sonhei que estava contigo num dos meus sítios de conforto, que te agarrei na cara e te beijei com tremenda intensidade que ainda acordado sinto o coração bombear plenitude.
Sonhei que no lançamento do meu livro não estava quase ninguém, que fiz o lançamento para cerca de dez pessoas. Sinceramente, pouco me interessa. Só quero saber de ti. Neste momento vou escrever neste registo e iniciar um novo livro. Não quero saber de loucura nem de psicologia, não quero saber de micro expressões nem de Programação Neurolinguística. Quero saber se o teu dia correu bem. Quero que os livros da minha mesinha de cabeceira vão para o inferno. Quero que o meu caderno se encha de poemas ao estilo de John Keats num amor reservado ao infinito. Acordei tão bem.

Ainda não comi nada durante todo o dia. O teu amor enche-me a barriga, entra em mim ao estilo de Pedro Paixão, com a excepção de não ser um Amor-portátil. Sabes quando tudo faz sentido? Para mim hoje tudo faz sentido. Se for amores reservados por Platão e dignos de serem apenas Platónicos, que o sejam, eu estou tão bem. Sabes quais são os meus escritores favoritos? Albert Camus, Pedro Paixão, Gonçalo M. Tavares, Fernando Pessoa e claro o meu melhor amigo Rui de Noronha Ozorio.

É quase Natal, quero poder entrar numa loja e procurar uma prenda para ti, passear contigo pelas ruas e ver as luzes de Natal. Poder ir ter contigo dia vinte e quatro e acordar contigo dia vinte e cinco. Quero que seja o que for, quero que seja assim. Parece-me que o meu registo de diário é o que mais te encanta. A minha poesia é excessivamente mal-trabalhada e dispersada. O meu Romance falta-lhe estrutura, se o meu lugar no mundo da literatura tiver que ser apenas de cartas, que o seja.
Bem, vou jantar, espero-te bem. É óptimo saber-te bem.

Dorme bem sonho,
MiguelNovo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sou uma parte tua porque te amo.

O surrealismo dá forma ao pensamento!

 7 de Dezembro de 2011
Bom dia Amélie,
 
São precisos dois momentos para exprimir um coração-dinamite: 1. a emoção; 2. a catarse. Emocionar os olhos com o coração, sentindo o toque ao de leve na brisa de um cabelo solto ao vento; libertar o que se sente para se poder voltar a sentir de novo.
Eu só pedia que um dia pudesse ser dois, viver dos confins da minha memória e realizar profecias, nunca pedi nada a não ser que o meu coração pudesse não ser dinamite. Nunca acreditei em nada, nunca li coisa nenhuma, nunca me quis exprimir como poeta nenhum. Nunca quis ser fatalista ou depressivo, nunca quis fugir. Só sei que te amo. Mas não sei porque te amo. Sei que me quero só a mim. E que prefiro a solidão do meu quarto à companhia do teu.
Sempre quis ser Lewis Carroll para poder viajar no País das maravilhas alucinado, apaixonado e vivo. Sou apenas eu. A vida é um cigarro pousado no cinzeiro e que é consumido pelo ar. A combustão da vida é feita pela sequência de imagens. Logo tudo acalma, tudo acaba. Adivinha-se um fim, para o que começou, breve e letárgico. As palavras amordaçam-me e secam. Eu só pedi para que o tempo conseguisse parar naquele exacto momento em que o teu beijo foi um dos meus. Cai solto no teu abraço e vi o meu fim. As minhas últimas palavras foram proferidas pela tua boca.

Eu queria que tu fosses eu, para poder ser tu. Eu queria estar em ti, roubar-te esta parte minha que tu tens. Eu só pedi para que tu conseguisses ser paciente. Eu virei as páginas do meu caderno e lá estavas tu mais uma vez. Será que me podes chegar o cinzeiro? Não queria sujar o cama com cinzas. Gostava de saber a melhor maneira para dizer que te amo sem ter que dizer que te amo. A gramática limita a forma de expressão. A poesia nunca se pode reger pela gramática. Sabes qual é o meu escritor favorito? És tu! Sabes porquê? Porque me escreves. Fazes com que o meu caderno me escreva. Nunca pensei em inserir uma ideia ou tentar formatar uma mente, ser qualquer coisa sem ser coisa nenhuma. Só desejei habitar a realidade, levantar-me todas as manhãs como se fosse o meu primeiro dia, tomar banho, tomar o pequeno-almoço, fumar um cigarro, pegar no carro e ir escrever-te para o Vitória. Ambiciono mais que o que devo, se é que na realidade devo alguma coisa. Tenho a sensação que devo continuar a escrever o Romance e Ensaio Hospício Global e concorrer com ele ao Prémio Vergílio Ferreira. Tenho a sensação que podias estar todos os dias em minha casa, para vestires a minha camisola. Para me abraçares quando o cansaço se sobrepuser à necessidade de trabalhar. Podias ajudar-me a escolher o registo em que mais me gostas de ver a escrever. Para eu continuar a escrever. Podes ler todas as manhãs o meu e-mail? Para veres se a editora já mandou a capa do livro? Eu tenho demasiadas aspirações, as aspirações nunca são em demasia. Quero ter um lugar na literatura europeia, ser conhecido por escrever em registos completamente diferentes e ser extremamente versátil. Se um dia me compararem com Fernando Pessoa na Poesia e com Manuel Arouca no Argumento, dou-te um abraço do tamanho do mundo. Já reparaste neste registo estranho de diário? Como poderei eu ter passado de poesia para uma página de diário? Vou fumar mais um cigarro. Quem te pareço hoje a escrever?

Gostava que o tempo fosse uma partitura mais pequena e menos densa. Gostava de poder consumir o teu tempo com o meu. As minhas palavras já não chegam para as tuas. Sou só tu, sem na verdade ser coisa nenhuma.

Um beijo,
Autor desconhecido.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tenho fome de palavras.

Um poema vagueia no horizonte
Ainda distante
Mostra-se relevante
Pelo tempo que esteve ausente

As palavras contemplam a idade
Do absurdo que eu vi no centro da cidade
Dois dias passam como se só tivesse vivido um
Algum do tempo que sonhei e nunca vi

Estive perdido  no cais, à porta do inferno
Acreditei no mundo
E fugi para as páginas do meu caderno
Onde todo o dia é vivido ao segundo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dói-me as entranhas do pensamento.

Todos os títulos de um poema são um poema,
Um poema vence pelo título,
Um poema não tem título,
Que ideia esta de se dar título a um poema

Eu acredito nos poemas como quem crê em Deus,
Mas eu não acredito em Deus,
Acredito em mim mesmo.
Pudesse eu rogar por ti
Como rogas por mim,
Pudesse eu crer nas tuas colinas
E vales que te rodeiam
Para beber do teu sacramento
E ser parte de ti em mim.
Pudesse eu ser teu filho
E acreditar no que acreditas,
Ver o que vês

Para todos os malucos
Que haja loucura
E Terras sem gravidade
Nem pontos de equilíbrio
Para poderem voar e vaguear livres
Como quem se sente inteiro

É sombrio este mundo que vejo
Sem Deus em quem acredite
Sem loucura que me habilite
É triste este Deus que desejo
Porque rezo por ele como se ele rezasse por mim

Que para todos os lúcidos haja um tolo
Que queiram equilibrar
Porque loucos andam os lúcidos
Com a mania que tudo são patologias para curar

Correm cansados os crentes
Sobre os pés de Homero
Porque eu não sou ele
Nem nunca o quis ser
Eu não tenho nada para dizer
Embora o diga
Sem nunca o tentar fazer.

Estou cansado de loucos, de lúcidos, de gravidade, de Deus e de qualquer crença ou não crença.

Para Deus haja um Trapézio,
Uma ideia de dor que nunca sentiu dor nenhuma
E que não chega a doer de tanto doer
Embora nunca tenha doído.
Amarra-me a fome pela vontade de beber dos loucos que andam lúcidos
Porque não há gravidade que os acuse de viver na realidade.
Que todos vivam independentemente da idade.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A fome aperta a sanidade mental

Dois dias passam como se fossem um
A história é um revés da memória que não posso ter
Em palavras que nunca quis dizer
Por mentir. Por achar uma mentira na verdade
Talvez um poeta não tenha idade
E eu não seja poeta
Embora eu seja poeta

A fidelidade é um conceito ineficaz e facilmente falível
Ainda que eu acredite em impossíveis categóricos
Respeito todos os registos históricos
E peço ao mundo que dele se faça Roma
E que não se mate quem ama
Que para todos os mortos haja uma cama

Os poetas são só poetas por não terem tempo de ser mais nada
Detesto a realidade
Por ser intempestiva
Fruto do absurdo e morrível

Porque ninguém me paga para escrever o que aprendo
Eu escrevo o que crio e não o que não confio
Porque a um poeta cabe criar
E contestar a ordem irreal das coisas
Que são nada
Ainda que sejam alguma coisa

A fidelidade é um conceito vago
E pouco prático
Porque ninguém o é
Ainda que o sejam
Não o são.

A monogamia matou e mal as orgias
Clássicas da Roma
Que pinta o meu lema
Porque em Roma há imperadores
E Gladiadores
Há Putas, Orgias e Oradores

Em Roma há História e memória
De quem faz Glória.

Eu acredito em todas as coisas
Que não são coisa nenhuma
Porque o que nada é
Um dia virá a ser
O que nunca poderia ter sido
Num fragmento distorcido
Como se eu tivesse adormecido
No mais belo hospital do eu
Desarranjo estético
De quem valoriza o que sou.

Porque acreditam demasiado em mim
Para saberem que vou vender
Querem comprar-me mais tarde
Por ainda não me terem estômago para ler

Acredito em mim e vou vender.
Porque a poesia também se vende
As máximas instituídas em todos os ramos
São contestáveis, sejam elas, Ciência, Filosofia
Ou Arte
Sou fã da falsa sorte
A Filosofia é o mal do mundo
Inútil para o avanço
Porque se tem medo de quem a conteste
Todos a abraçam como causa nobre e não
A põe em causa
Aceitam como um Deus no qual são incapazes de acreditar
A Deus o que é de Deus
A filósofos o que é de loucos

Aceito Deus porque ele é mais forte
Do que qualquer crença na Ciência ou filosofia
Porque ele me traz alegria
Em cada dia
Que o vejo no meu abraço.

Acredito e vivo bem pela crença
Porque em Deus há ética
E respeito e cultura
Em Deus há tudo
O que falta ao mundo
Embora incoerências estejam em quem o pratica
E da forma que o praticam
E como chegam a ele

Que se faça luz em cada casa
Onde Deus habita
Porque todas as casas são de Deus
E a Deus não há conceitos
Há amor e energia
Que faz de nós parte dele
Como se todos fossemos um
Que somos e isso compõe a realidade
Embora conceito
E inverdade
Porque nada existe ao mesmo tempo que tudo existe


Só Deus sabe como amo
E amarei e detestarei todas as religiões
Por ser incapaz de as detestar
Todas as ciências que não amo
E não acredito
Todo o cepticismo e todo o dogmatismo
Porque eu acredito no mundo que vejo
No mundo que sinto
Sou filho da emoção
E só a emoção me reserva a poesia
E me esboça a alegria.