quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Roubar ideias é umar arte.

Hoje vou roubar uma ideia!
Vou roubar uma ideia de Platão.
A ver se ele me processa por plágio.

Com sorte consigo ser processado por calúnia
Ou difamação.

Como os nossos advogados são fracos
Só sou processado por "doses ilícitas de Amor"

As palavras são vorazes,
Mas eu não sei o que é que isso quer dizer.
Talvez a vizinha da frente saiba.
Gosto de sofrer por amor,
Se for platónico então...
É uma delicia.

O humor é como um filme de Terror.
Se roubar uma ideia de alguém morto
Fico famoso e vou para os tribunais
Dissuadir juízes
O Advogado faltou às aulas de Retórica
O Juiz é Juiz porque não tinha mais tempo
Para ser outra coisa qualquer.


Roubo uma ideia e vou vendê-la,
Com sorte ainda ganho dinheiro
Para cobrir as despesas do processo.

Tenho saudades da Ofélia
E de quando eu era Fernando Pessoa.
Escrevia poesia e fechava-me no quarto
Por ter medo de sair à Rua.
Ia para o café com o Santa-Rita Pintor
E bebia absinto.

Eram vinte para as quatro e ia comprar tabaco
À Tabacaria do Álvaro
Dos campos voltava para o café
Consumia ópio para as dores de dentes,
A morfina alivia-me a dor do sentir
Por vezes tinha diarreia e o meu fígado sentia-se mal
Com o excesso de sémen que engolia
Da Ofélia.

Bati à porta,
Eram quatro da manhã,
O nininho devia estar a dormir
A Íbis do Íbis masturbava-se
A pensar no Platão
E no dia seguinte eu não trabalhava.
Como bom poeta, dormia três dias por semana
Trabalha em part-time, para as despesas,
Dormia num quarto alugado
Traduzia textos para português
E vendia livros na Solipso
Fui à falência porque não
Tinha jeito para vender.

Agora. Todos me estudam e adoram.
Antes, só o Dantas gostava de mim de verdade.


Vou roubar uma ideia ao Picasso,
Ele era a gaja mais boa do tempo dele
Hoje... boa... só a....
Essa mesmo!


Um poema nem sempre
Tem que ser um poema.

A porta da frente está fechada e a vizinha esqueceu-se
De ir dormir, hoje fica acordada para me ver passar.

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