quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Olhar angelical

Freud sentou-se à mesa:
Você não sabe nada - Exclamou Platão.
Sócrates disse bem alto: Só sei que nada sei!
O Descartes levanta-se e diz,
Amigos, eu descobri! Eu penso, logo existo.
Sócrates responde.
Só sei que nada sei.

Vem o António Damásio
E exclama: Não basta pensares para existir,
Tens que ser consciente da consciência

Senta-se Agostinho da Silva
E fuma um cigarro.

Almada Negreiros olha em vão.
Vergílio Ferreira reflecte sobre a sua existência.
Sartre come com ele.

Albert Camus vai para o café
E abraça os amigos.

Manuel Arouca chora em vão.
Na mesa em frente está Fernando Pessoa
A ver sentado a seu lado Mário de Sá-Carneiro
Santa-Rita Pintor levanta-se e berra:
SOMOS A ORPHEU.
Manuel Arouca - mas o que importa sou eu.

José Saramago diz: Avante Camarada.

Os fantoches saem de cena
E volto eu ao palco.
Fantasias e brinquedos estão à minha volta
Eu dou beijos às palavras e fantasio
Com as frases.

Sento-me sozinho e deambulo nos meus pensamentos
Sento-me e esqueço
Entro em catarse.
Sabias que eu existo?
Eu existo!
Eu existo!
Eu existo!
Se eu não penso, logo existo.

Sentei-me no chão e brinquei mais uma vez com as palavras
Hoje quero a companhia de um amigo imaginário
Para brincar com ele
Sou novo outra vez.

Estou no centralismo
E Piaget observa-me
Pois eu tenho vinte e cinco anos
E ainda estou no Egocentrismo
E passou o Centralismo para me abraçar


Freud diz que eu resolvi mal o estado fálico
Eu acho que foi o oral
O estádio anal resolvo todos os dias quando vou à casa de banho.
E brinco com as minhas companhias imaginárias.
Brinco porque é bom brincar.

Sinto-me mais leve agora que posso brincar.



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