quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A infância outra vez.

Mãos dadas,
Olhar de respeito.
Ele procura uma mãe,
Ela procura um pai,
Dizem-lhe que é o Complexo de Édipo,
Dizem-lhe que é o Complexo de Electra.

Ele olha para ela à espera que ela lhe dê as mãos,
Ela olha para ele à espera que ele pegue nela.
Ela procura segurança,
Ele procura amor.

Dão as mãos:
Ele convida-a a sentar no baloiço
Ela senta-se e olha para ele
Ele empurra o baloiço com cuidado
No movimento para cima e para baixo,
Ela sorri muito.
Ele repara em como o baloiço representa o humor
Quando em cima, os momentos altos;
Quando em baixo, os momentos baixo.

Ela ri e corre para os braços dele.
Ele chora sem que ela veja, para poder ser o Pai.
Ela sorri.
Ele chora e volta a chorar.

Pudesse eu amar como uma criança,
Pudesse eu ser ingénuo
Pudesse eu amar como um cego,
Pudesse eu amar sem ouvir.

O ciúme é amor.
A presença é dor.

Têm treze anos outra vez.
São jovens de novo.
Choram como quem ri
E riem como quem chora.

É amor?
É amor!
Amam apenas.

Sinto o vento. Sinto a luz e amo assim.

É infância outra vez.

Sem comentários:

Enviar um comentário