quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O homem vivo que estava morto

Morto de mim.
Morto de ti.
Apagaram as luzes e as velas acenderam
Para orar.

Rezava eu, ele,
Rezávamos nós.

Andava de braços dados consigo mesmo,
Não sentia,
Era indiferente ao mundo,
Não pensava.
Estava morto.

Estava morto há dois anos.
Não sabia o que era amar.
Não sabia o que era errar.
Não sabia nada mais.

Rezava ele:
Pai nosso que estais no céu....
E um anjo gritou-lhe ao ouvido;
Pára! Vive!
Tens que viver! A vida é tua e é linda
Deixa os conceitos e vive!

O tempo passou...
A gnoseologia apagou-se
E cessou o olhar dos desconhecidos.
Cessou o tempo porque não penso
E nada parou para pensar.


Eu sou eu
E somente eu.

Reza,
Porque eu não sei nada
Acredita,
Porque eu acho que não sei nada.
Finge,
Porque eu sei que não sei  nada.


Haverá alguma coisa que eu possa dizer?
Se houvesse realmente alguma
Já a haveria dito
Dir-me-às o que dizer
Ou saber

Fingirei
Porque te amo
Fingirei
Porque não te posso possuir


O homem vivo estava morto.

Eu morri apenas,
Porque viver cansa.


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