terça-feira, 29 de novembro de 2011

A liberdade dum poeta.

Que as ruas se encham de poetas
Poetas que trabalham
E poetas sem ofício
Porque há que fazer sacrifício!

É indigno
Um poeta ter que procurar emprego
Seja flora intestinal ou brincadeira do destino
Que o poeta saia ileso

Há quem dite as leis
Que para todos os bordéis
Hajam papeis
Para os magos e Reis

Um poeta é poeta
E não lhe é digno o desemprego
Porque ouro não é dinheiro
E se poesia não vale ouro, Jesus Cristo não foi Profeta

Que todas as palavras façam greve
Para que os humanos sintam de leve
Que é grave.
Um poeta só escreve

Não é digno quererem
Que o poeta suje as mãos
Já sujas de tinta
Enquanto uns dormem

Venham para as ruas os poetas
Porque é tempo de trabalhar
Deixar as rimas
Porque há contas a pagar

Há que pagar casa
E ter emprego
Para comer na brasa
E dormir em sossego

Amigos são amigos
E a amizade ainda não vale dinheiro
Ainda que sorrisos
Não me encham o mealheiro

Eu prefiro ter um amigo
A viver sozinho
Faço pernas ao caminho
E vou arranjar emprego

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