quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sacrifício do Ser.


Sento-me na poltrona do meu Ser e encaminhando a verdade dos dias, desenho o meu Ego.
Sei o dia que me toca, o timbre de me ouvir pensar, escuto o meu sonho e pensamento como verdade absoluta, em que a única verdade é a de que não há verdade nenhuma.
Nunca me preocupei muito em pensar alguma coisa, o meu Ser fá-lo por mim, algo presente para além do que nunca esteve, ganha vida o que nunca a teve – sonho a realidade, tenho peças dentro de mim.
Absurdo, inconsciente libertado ao seu cume, assassina o dito Ser, para dar vida ao que é verdadeiro em mim. Sou mais lobo menos homem, mais outro menos eu. Eu sou eu e os outros, dentro de mim tenho-me a mim – ter-me, se é que realmente tenho alguma coisa, é ter os outros.
Faço deles minhas marionetas e descubro-lhes um destino, não o deles, mas o que lhes quero dar.
Putas transbordam beleza, são sinceras, são artistas – ser puta é ser artista entregando o corpo em desmazelo do mesmo e da emoção, focando-se no sentimento de ter dinheiro – é a arte de se possuir a si mesmo, a arte do Ser.
O dito artista, recria, emociona-se e vive o belo, o horrível, o belo horrendo e julga-se pensante! Desengane-se! Não é artista e tão pouco pensa.
Ser artista é não ser coisa nenhuma digna desse nome. É saber estar, sem estar catalogado. Não há artistas que o são em segredo, não há artistas simplesmente.

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