sexta-feira, 18 de maio de 2012

Oração do Poeta

Gato morre cão
Pássaro morre sapo
Homem morre não
Humano vive não
Poema sabe sim
Poema soube não

A luz da minha aldeia
Sabe a dores de garganta
Os olhos fecham abertos
As aldeias morrem naturais
Os poemas são surreais
Que vivam os Pais

Os pássaros estão loucos
Cantam às quatro da manhã
Ainda não é manhã
Estou louco, bêbedo
E ainda não álcool
Estou embebido pelos meus olhos
Que de lágrimas se cuidam
Em poemas descuidados
De verdades doentes
Este é o poema
Este é o poema

Que se levante o Aleixo
E não parta o queixo
Com as coisas que vos deixo
Passe a Pessoa
E vos deixe à toa
Como o rebanho do Caeiro
Que queria cagar
E não tinha como limpar o cagueiro

O Bocage é o Rei
Pena não ser Gay
O A-berto ia gostar
O Sá-Carneiro a cagar
Com um cu por limpar
Deve ao Fernando
A poesia de quem vai andando

Não escrevo mais nenhum poema
Porque sou uma fonte de inspiração
E para isso liguem a televisão

Já pensei em escrever sobre o leitor ignorante
Mas esse já não iria avante
Porque uns escrevem Rap
Outros vão às festas da FAP
Acabam todos fodidos
Todos vomitados

Irrita-me o leitor ignorante
Porque se acha digno e relevante
Com desconhecimento da criação
Acha que a cultura é como a tesão
Assiste a todos
Como a Simone de vai-a-voar
E o Sartre fica a olhar
Ainda acabo por ser eu que a vou papar

Na minha rua
É como na minha faculdade
Se não cabe na tua
Cabe na dela

Façam orgias
Bebam absinto
Sejam poetas
Preparem as cornetas
Dispam as cuecas
Comam as velhotas
Vão para as docas
Batam as latas
Fodam as letras
Matem as vacas

O único poeta sou eu
E quem achar que não
Que se lembre que o maior poema é o meu
Há quantos anos estava à minha espera»

Se escrevo calão
É para que o leitor burro largue a televisão
E me leia como oração:
Ajoelhe lentamente
E se lembre que sou gente
Que sabe o que diz
Escreve e pensa

Não morro poeta não!

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