quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Geração Neoplatónica.

Geração que se toca no teclado, geração que ouve no telemóvel, geração inteligível. Geração afísica, geração quase assexual. Tudo com que Platão sonhou, somos nós. O amor de Platão está no século XXI.
Geração pura, geração amoral, geração pedestal.
Platão, eu existo.
Não acredito em nada disto.



Ler Damásio, ser dissuadido pela loucura.
Ler Pessoa, ser eu mesmo.
Ler Sá-Carneiro, atestar ao suicídio.

Ler João Negreiros, comprar um Renault 5 pelo preço dum Bentley.

Ser puro, sem deixar o social exacerbar a existência.
Não ser comedido nas palavras, porque elas não se gastam, são um recurso finito que gera frases infinitas. Casaria com Karl Marx, mas sou capitalista. Casaria com a bandeira americana, mas mijava-lhe em cima.

Teria os olhos rasgados e seria a economia asiática, mas sou pobre.

Ouvir musica, cuspir cultura. Intelectuais falhados, que usam e abusam da cultura, comportam-se em estereótipo, rejeitam o natural, rejeitam o conhecimento sobre o conhecimento. Pobres. Pobres, eles são.

Sabem? Sabem nada. O oposto? O que é? Fumam erva, são alternativos! O que são?
Não são.

Palavras eróticas, calão, formal são sempre português e eu contemplo-as.

Geração neoplatónica, somos nós.

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