segunda-feira, 14 de março de 2011

A Filosofia é uma falácia.

A vida é um pedaço demasiado pequeno para me dar liberdade para pensar que o amanhã será diferente.

Uma lógica toca, como marcha fúnebre, na minha cabeça.
Tenho vozes na cabeça que me dizem coisas, que pensam por mim,
Que me dizem o que sou,
O que devo ser.


Tenho vozes na cabeça
Que parecem macacos
Ou rolos de papel sem fim
Tenho cenas que remontam e tocam um Futuro poético

Há uma estranha e devastadora sensação em querer ser alguma coisa,
Uma completa falta de sensibilidade e de articulação,
Sonho e concretização não andam a par,
A não ser que se torne o sonho objectivo,
O que faz como que este deixe de ser sonho.


Ler ou não ler, é algo completamente irrelevante,
Ler dá-nos informação,
Mas não nos diz nada.



Para passar o tempo a fazer uma coisa por fazer,
Prefiro dormir e ser contaminado pelas vozes da minha cabeça,
Ou por não dormir quando as ouço em mim e elas me impedem de dormir
Conduzindo-me a uma insónia severa e profunda
Que quase me leva ao auge da minha Esquizofrenia.



Não há pensamentos mais ou menos relevantes,
Nem verdade ou mentira, Há um absoluto vazio e continuado
Que é negado pelo homem.




A inteligência é sempre social,
A capacidade é inata e biológica
Mas ao ser denominada de capacidade é social.



Há um registo profundo, quase como que um coma,
Que nos diz o que é suposto ser e aquilo que realmente somos,
A questão é que levamos uma vida a compreender que nos comportamos
Da forma que é suposto ser e nunca respeitamos o que somos,
Respeitamos o que é suposto ser.



Não há valsa nem lógica em pensar,
Nem articulação possível ou seguimento,
Em possíveis ensaios de mente,
Há uma soberba agnosia
E uma afasia completa ao que somos.


Há competência e não competência,
E somos sempre sociais,
Há o prazer que temos e o desprazer.

A questão é que levamos uma vida de desprazer
A pensar que poderíamos ter prazer
Se tivéssemos feito as coisas de determinada maneira,
Neste cálculo absurdo e imediato
Admitimos o quão desequilibrados somos
E a fuga a isso, pelo equilíbrio social.



A questões e questões e globo avança
Como uma verdade pura e uma absurda Unipolaridade
Num centralismo nunca antes visto.



Num afastamento completo ao que somos
Pelo ser social.
A contaminação absurda e absoluta por vozes
E materiais funestos, em que as horas passam
E os olhos começam a doer e a chorar de cansaço.



Um defeito enorme percorre o que somos,
É que não somos nada,
Somos o que fizeram de nós
E não o que nós mesmos fizemos de nós.

Há a condição absoluta de um condicionamento
Que pode quase que conduzir a um determinismo absoluto
Porque as peças interagem entre si e condicionam-se a si mesmas,
Não há liberdade! Uma peça com outra vai conduzir à outra peça,
Como se tudo fosse uma matriz programada,
Sem a podermos pensar ou torná-la feito de génio.


O tornar o absurdo viável e seguro,
Procurando o nosso absoluto e integridade nele mesmo,
Fazendo o que queremos fazer
E não o que é suposto.


As regras são sempre sociais,
As leis seguem o social.
O consciente e o inconsciente são sociais,
Somos todos programados da mesma maneira,
Já não há barreiras nem fuga possível.



Triste e breve verdade de ousar pensar livremente,
Fuga à intermitência da brevidade que somos,
Do lixo que pensamos possuir
E da brevidade da passagem
Que pode não ser mais que isso,
Algo passageiro, que gastamos a fazer o que era suposto
Em vez do que queríamos fazer.


Não há teorias irrefutáveis,
É assim desde o princípio,
Tudo depende do orador e da sua capacidade de persuasão,
Há uma enorme aceitação social do lixo que somos,
Quando na verdade somos partículas com uma maior importância no Universo,
A do belo.


Ser humano é poder tornar qualquer realidade nossa,
Torná-la em nós real sonhando-a,
Ao pensá-la ela é nossa.

Mas há uma ligeira diferença,
Ao sonhá-la ela é pura,
E há que saber filtrar e parar por aí.

Sim, parar! Porque nós humanos tentamos tornar o sonho realidade
E assim o é toda a vida, Uma espécie de sonho pelo qual lutamos
E acabamos por atingir,
Porque tudo o que queremos conseguimos.

Há uma farsa e uma conformação extrema
E um limite colocado por nós mesmos ao que somos.
Há uma falsa fala e um medo terrível à solidão,
Porque quando estamos sozinhos nos apercebemos das vozes
E que não estamos sozinhos, Estamos sempre connosco e temos que lidar
Com o que os outros fizeram de nós,
Com as vozes que herdamos deles
Em vez de fazermos nós as nossas próprias vozes.




Cantamos em coro porque é mais fácil,
Protestamos em coro porque é mais fácil,
Ouvimos e sem digerir, fazemos do que ouvimos nosso,
Porque é mais fácil.


Isto, porque não sabemos que é fácil ter a nossa própria voz
E a fazer do que somos o nosso próprio coro!


Há uma epopeia imensa e um terrível vício e uma fuga ao que nós somos
Para ser o que os outros querem que nós sejamos.



Não há seres, há seres sociais, ainda que divididos pela singularidade,
São universais, iguais, não há diferença e a diferença pouco interessa.

Todos os argumentos não passam disso mesmo, argumentos.



Não verdade absoluta, essa é a verdade.
A forma como construímos a nossa realidade
E como nos tornamos seres crentes e pensantes
É que nos levou a achar um caminho
Para uma dor profunda que nos chega à cabeça
Sob um comando dalguém
Que nunca sabemos bem quem,
Uma paz imensa
Que podemos atingir,
Em ser nós mesmos,
Em ter voz
Em vez de coro,
Fazendo uma sinfonia perfeita,
Sem rimas,
Sem coro,
Com uma quantidade surpreendente de sonos que a tornam bela pelo que é.




A Lógica não é lógica,
Nem a negação dela mesma o é.
Há um vazio completo deixado pela fé religiosa e pela fé na ciência,
Ambas condenam-nos.


É tudo o que somos
E levamos sempre a vida a pensar no que poderíamos ser.



Não somos nada e é tudo.



A Filosofia é uma falácia.

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