domingo, 6 de março de 2011

Tenacidade.

Um vasto sufoco amarra as entranhas de quem é alguma coisa.

Há uma ligeira diferença entre realidade percebida e a realidade.



Um espectro conduz as memórias ao caminho,
O caminho que pensei,
De ter cansado em pensar,
Achei um dia que podia jogar
Qualquer tipo de dados
Quando me apercebi
Que sou apenas um puzzle
Na ânsia de ser montado.
Algo completamente irrelevante.





A velocidade cansa o movimento,
Há uma estranha sensação em ser
E perceber alguém ou alguma coisa.
Esboço um sorriso feliz, de quem vive.
De quem ama a vida,
Há uma enorme ejaculação
Das minhas entranhas, por saber
Que não consigo ejacular,
Uma descoberta consistente
Do meu ser,
Que se assume com o que é
E não com o que é suposto ele ser.



Cansa em mim a verdade,
Cansa em mim a doença,
Há Presente em mim e essa é a única verdade.

Passo o Passado e vivo bem comigo,
Pelo que sou, pelo que espero ser.


Pessoas são o que são e não passam disso,
Não passam de veículos de sensações,
Sensações em nós,
Que nos podem chegarem a dizer alguma coisa,
Mas quando em nós,
São sensações nossas e nada passa disso.
De uma sensação impura, filtrada, pelo que queremos que ela seja,
Não pelo que é.


Há um ardor em querer ser alguma coisa
E um forte controle por poder filtrar o que ela é.


Sentir é ser qualquer coisa,
Negar o sentir,  é sentir a negação dele.

Tudo não passa de uma sensação, sempre pura,
Por ser ela autêntica e eu gosto dela assim.


Sinto correr em mim o vento, como se poesia fosse,
Sinto as palavras, se é que elas se sentem, ou se sinto simplesmente a imagem delas,
Sinto a obliquidade e a sensação delas, sensação da imagem conceptual e o que ela representa para mim.

A única verdade é que não há verdade nenhuma, e, que a uma sensação corresponde uma e uma só sensação, não há duas sensações iguais, não há plural no sentir. Eu sinto isolado, eu sinto em mim, porque o que sinto só a mim me diz respeito, só eu sinto.

As emoções talvez sejam universais singulares,
Há somente singularidade nela,
Pertencem a único sujeito,
Um sujeito que ri,
Tem uma imagem diferente
De outro qualquer que venha a rir.

Talvez Darwin, talvez Darwin soubesse
Que não há universalidade,
Mas como é típico do Ser-humano,
Tenta simplificar o complexo,
Para melhor se entender
E fugir ao que é,
Rejeitando a complexidade.


Há uma vasta vontade e sensação em mim,
Há um dizer, um sentir, um mentir que não mente.

Eu sinto a verdade e amo a vida, por ela ser vida,
Amo a minha porque não posso amar mais nenhuma,
Tenho respeito pelo resto, mas a mim só a minha vida me diz respeito.


Não há filosofia, nem estrutura formal, há vago e é isso que somos,
Um vago que não pretende chegar a lado nenhum,
Não devemos duvidar, porque somos simplesmente,
Partimos do suposto pensamento de que há um fim no que somos,
Assumimos um Deus, uma entidade superior ou um objectivo supranatural,
Quando pode nem sequer existir realidade, pode não existir um objectivo.

Assumimos um início por conhecermos um fim,
Um fim ao que somos, por sabermos a morte,
Mas haverá morte?
Haverá realmente um princípio?
Algo que nos separe?
Haverá lógica?

Quem disse que duvidar faz parte e nos conduz à verdade!?
A que verdade? Onde se encontra a felicidade em aceitar ou duvidar?


Não há plural, há sujeito isolado socialmente, por ser em comum uma farsa.
Uma representação tão repugnante como tentar fingir que é realmente alguma coisa,
Uma representação que sugere ser alguma coisa, por monólogos constantes transversais que ousam tentar ser alguma coisa e não passam de um nada. Vozes soltas vagas, de quem pensam em si e fingir pensar o outro.
Entram para sugerir interesse e o interesse é único, é em si, para si,
Não há interesse no outro, há a descoberta dele e a sensação que ele causa em si, em mim,
Não há quem o viva e eu vivo-o em mim.


Há vago e complexo por ser simples e mentira que ousa a verdade, numa representação completamente repugnante por ser levada ao extremo como sendo verdade.

Um caminho falso e íngreme, que ousa procurar e alcançar uma luz que não existe, através da descoberta de uma suposta verdade.
Mas qual verdade?
Não há verdade, a verdade é somente em nós e a única descoberta que poderemos fazer é a nossa, é sobre nós, uma introspecção apurada e levada ao extremo, como sendo uma falsa bipolaridade, gozando a vida como ela é, com pedaços partidos, frágeis, inúteis, pelo carnal, sem rejeitar o que somos, seres com vontades, animais esfomeados, ansiosos por penetrar no outro qualquer coisa, o físico entrando, sentido o orgasmo que liberta o que somos, sentido a verdade e ejaculado líquidos férteis que podem gerar uma vida, outro vírus, uma mentira geneticamente modificada.


Há ardor e repugnância, há aceitação e frustração ou falsa frustração. Há a tentativa de compreensão, quando nada há para compreende, há uma felicidade extrema e uma dor épica. Há o supremo da verdade mentirosa e um palco por preencher, como múltiplas peças sentidas em si.

Não estrutura universal nem condução possível, há uma fuga completa e assumida socialmente ao desestruturado, ao desequilibrado pelo facto de ter sido assumido que só o estruturado é sano viável e que só o tangível interessa.

Há algo para além do que sou, do que posso vir a ser,
Há as palavras cansadas e uma vontade imensa de começar uma peça, sem um início, sem estrutura, sem seguimento, sem lógica, sem fim, sem um fim, sem um objectivo, sem nada. Algo que é o que é somente, algo que não pretende chegar a lado nenhum, algo que se for estruturado é, caso não for, não é.

Fuga intermitente à morte e à ousadia, pelo erro de querer sentir a morte e o medo de morrer,
Há vida e alegria e frustração por viver, mas isso é a vida, a vida é a dor dela mesma,
É o seguimento e interpretação como um todo, algo que só é possível em si e diz respeito a único sujeito.


Não há poesia, não há verdade, não há absoluto, não há caminho, não há ateísmo, não há Deus, não há Dúvida, não há Cogito, Não há caminho nem hiperbolismo.

Não há realização possível no palpável, não há ideias que se venham a transformar em alguma coisa,
Vão sempre ser ideias e como ideias que são, vão ser sentidas todas de diferentes formas, uma ideias não é a mesma, porque o sujeito também não o é.

Há apenas uma penetração imperfeita em quem tenta ser alguma coisa, num outro ser que se olha como se olhasse para o outro através de um espelho, toca-o por não o poder tocar, entra nele por não poder entrar e é só isso.

Há o estímulo do clítoris e uma masturbação hiperbólica nega pelo sexo feminino, pelo pudor, pelo medo, pelo síndrome do D.Juanismo, há uma dor em aceitar o que são, rejeitando-o. Há a rejeição do animal em nós e uma falsa vivência assumida, há o sexual, o animal, o carnal e é somente isso que somos, há a fuga a isso pelo socialmente aceite, pelo conveniente e inconveniente, pela moral e ética assumida, mas os princípios éticos são falácias, porque no ser humano não há estrutura, não há universal e partem do princípio que há regular no ser, que há previsão quando ela não há.


Uma loucura levada ao absoluto e que acaba por ser repugnada, de tão verdadeira ser, de tão simples, de tão absoluta no nada absoluto que há. Uma sinceridade extrema por ser simples e aceitar o real, o ardor de quem repugna o outro por ser alguma coisa que também o é. Há a verdade e não verdade, mas não há verdade nenhuma, há as palavras cansadas simplesmente.


Não há correcto e incorrecto, há humanidade e singularidade apenas.

Não há filosofia nem compreensão possível, há a incompreensão apenas.

Não há objectivo nem fim.

Não há nada por atingir. Há a penetração e a rejeição dela, há o orgasmo a berrar e a pedir por mais, há o pornográfico em mim e o não pornográfico, há o auge e a clemência de o atingir, de sentir a alma aos pés, quando se toca nela e a rejeição do agradável de sentir prazer. Há a rejeição do prazer, pela educação social. Há a repugnância e um ardor extremo pela idade e pela penetração, quando não penetração real, há a rejeição apenas. A rejeição do prazer, a rejeição da masturbação, a rejeição da cópula, a rejeição do agradável e que suportável.


Há uma farsa e imensa e todos a representamos, fazendo parte dela, pela educação social, pelas normas estabelecidas, quando todos sabemos ser uma anarquia absoluta que nunca respeita regras, a não ser a do vago, a do desregrado, o pensamento assume forma e é conceptual, mas não há dois pensamentos iguais, há a loucura absoluta e a rejeição da mesma, há um vago e o louco que rejeita o vago e quem assuma o estruturado por o achar mais fácil para si, para se compreender, a quem rejeite Deus para melhor se sentir consigo, mas há quem rejeite o prazer e se negue por o ter e por gostar dele. Há quem rejeite a ideia simples de que tem prazer, porque o prazer não é bem aceite socialmente, há quem rejeite a ideia de ter prazer, mas todos o temos, seja a ter ou não uma relação sexual, todos vivemos em busca dele e de uma realização de um absoluto, de uma auge inexplicável, de uma sensação única que só pode ser em nós, por muito que seja partilhada nunca será a mesma.


Continua a haver a rejeição e faz parte do ser humano, o tempo avança e cada vez este tenta ser socialmente mais regrado, fugindo à sua essência, à sua verdade, ao prazer.

Há uma farsa e é tudo. Não há um fim, não há um começo, não há estrutura e é tudo isso.
Cansou o tempo por estar tão presente e tão falante, por não o poder tocar e saber, cansou a realidade e falta dela. Cansou por cansar simplesmente, é tudo isso só.


Em tempos que não há, haverá sido alguma coisa, talvez...
O absoluto, o sintético e o analítico são a loucura.

A sensação é a clemência.

2 comentários:

  1. A tua realidade é uma loucura que queres que seja. É a sensação que imaginas que é. É a sensação do que ainda não aconteceu mas já sabes que vai acontecer, por isso, já começou a acontecer.
    Será que somos assim tão estanques e inúteis como nos descreves? Será que somos tão mínimos, reduzidos a vontades primárias e básicos no que julgamos ser a nossa inteligência? Achas mesmo que dramatizamos todos os dias, até para nós próprios, e que o nosso comportamento não é genuíno?
    Então, esta reflexão não passa de uma expressão mimetizada e falsa, resultado da tua inteligência diminuta por seres uma peça inútil e limitada na sociedade.
    Clemência não é uma sensação. Clemência é a loucura com peso a mais que nos desfigura os conceitos e as imagens que temos de nós, dos outros e de tudo aquilo que acreditamos que podia ser real.

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