segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Boémia sensorial.

Algo não vai,
Algo não vem,
Sou um refém
Da emoção,
Não da que há em mim,
Algures na que não há,
Haver alguma coisa
É a impossibilidade
De existir,
Eu não existo,
Resisto apenas
Se paragens,
Fossem
Qualquer coisa
Já nada é,
Porque Ser é Não Ser.
O que sou, se sou,
Quando serei?
Nada fui
Nada sou
Nada quero ser.
O que vou estar?
Onde vou ser?
Já nada penso,
O cabo das tormentas que há em mim,
Já não me atormenta.
Sou um dado, que nunca existiu, que roda
Porque roda é cessar o movimento,
É estar entregue à falta do excesso daquilo que somos,
Um dia, quando eu não for, quando eu chegar a não ser,
Serei o que nunca vou querer.
Jogo os dados, que nunca joguei,
Movi o tabuleiro, e a vida sustentou-se nos alicerces da ficção
Fricção de existir sem dados, sem regras, sem ser o que há para vir.
Nada do que veio, nada do que posso ser,
A História é a demência do Ser-humano,
O Revivalismo é o plágio da alma.

Penso, mas... pensar é estar doente!
Não penso então, canso, mas viver não é cansar!
Não canso então, sou e sou e sou e sou e sou.
Filho da sensação, obliquidade de traçar mapas sob o eixo
Dos múltiplos universos que circulam em mim,
Sustentando a necessidade de uma outra dimensão:
A não, a não do ser que é, mas a do que Não O É!


Viver é o espectro da morte,
A morte é não viver,
Porque Eu nunca vivi.
Já nada poderá sonhar, quando o sonho nunca cegou.
Pálpebras de existência que nunca existiu.


Penso porque pensar é continuar a doença de viver,
Já nada chega, já nada suporta a azafama,
Boémia sensorial de ser o que nunca fui,
Porque nunca errei.


Espasmo de existência. Espasmos de vida.

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